CARTAS
Prisioneiros da violência
Fui despertada sexta-feira, à 1h30, com a campainha de casa tocando. Como era minha vizinha, abri a porta e vi que o marido dela estava na garagem, ao telefone. Ela disse que a filha havia sido sequestrada e que precisava entrar em contato com o pensionato da cidade em que a garota estava estudando. Ao ligarmos para lá, a menina estava dormindo. Um alívio. Enquanto isso, o sequestrador chantageava o pai. Ligamos para o 190 e recebemos como resposta que não poderiam fazer nada, que deveríamos nos dirigir à delegacia no dia seguinte e registrar o boletim de ocorrência. Não consegui dormir ao pensar em como estamos suscetíveis a tanta violência. Até quando seremos prisioneiros da impunidade? Milhões foram gastos nos jogos do Pan, mas até lá temos medo de ir. E se gastássemos milhões com a nossa segurança e tratamento sério dos delinquentes como existem em outros países? Será que nossos ilustres representantes possuem pelo menos um projeto para dar respostas aos cidadãos? Será que negociaram com o governo federal seus projetos em vez de cargos?
MÁRCIA REGINA GALLES CUNHA (assistente financeira) - Londrina
Salário de Lula
O salário do presidente Lula deveria ser reajustado no máximo em 3,3%, que foi o que ele concedeu aos aposentados que trabalharam (não fizeram só política) a vida toda. Para que aumentar o salário se ele ganha livre de tudo, não paga aluguel, comida, carro, passeios etc ? O que ele e dona Marisa precisam comprar no cartão de crédito pago por nós, cuja conta, segundo uma revista, ultrapassa os R$ 300 mil todo mês, e ainda não há prestação de contas. Lula, que se diz trabalhador, deu este aumento pífio ao salário mínimo e para ele a Câmara dos Deputados quer dar 82,8% de reajuste? É absurdo! Se analisarmos o desempenho do governo, Lula não faz por merecer aumento.
ADALBERTO BRANDALIZE (administrador e consultor) - Londrina
Indústrias para Londrina
Quando ouvi dizer que a Prefeitura estaria conseguindo trazer indústrias para nossa cidade fiquei contente, pois isto era promessa eterna dos prefeitos. Imaginei que gerariam muitos empregos e, com aumento do dinheiro em circulação no comércio, todos melhorariam suas vidas. Estava enganado. A tão falada indústria que virá é a de multas de trânsito. E o dinheiro não vai circular aqui: vai para o bolso de empresários de Curitiba, que são donos dos radares multadores. A empresa vencedora da licitação dos radares vai alugar os ''pardaizinhos'' por quase R$ 400 mil por mês, durante 30 meses, sendo o total de aproximadamente R$ 11 milhões. E agora, vamos reclamar para quem? Para quem vou dizer que acho caro o valor que querem cobrar pelo aluguel dos radares multadores? Para quem vou dizer que radares não acabam com alta velocidade, nem com os atropelamentos. Se resolvessem, todos reduziriam a velocidade e ninguém mais seria multado, levando assim as indústrias das multas à falência.
OSVALDO SANTOS JR. (arquiteto) - Londrina
Violência escolar
A sociedade está culpando os jovens pela violência dentro e fora da sala de aula. Ninguém nasce violento. Uma criança, ou mesmo um adolescente, é incapaz de cometer qualquer ato desta natureza conscientemente. De tanto assistir cenas de violência contra mãe, pai, irmãos, tios e até contra eles mesmos, é que o estigma vai criando raízes e se fortificando no interior de suas cabeças. Daí explodir num momento de descontrole ou ira é só questão de tempo. O ato violento é produto de uma agressão de terceiros contra o adolescente. Quem recebe carinho, respeito, compreensão, bons tratos e amor, jamais recorrerá à violência para resolver suas diferenças. O modo de ''educar'' é que pode deixá-los mais ou menos violentos.
ESMERALDINO FRANCO (professor) - Londrina





