CARTAS
Lei seca: ilusão
Neste momento em que se fala muito em ''lei seca'' como forma de solução para violência em nossa cidade, faz-se necessária uma reflexão. Embora se deva reconhecer que a cidade está ansiosa por qualquer iniciativa que ao menos acene com a diminuição da violência e que uma lei seca municipal é melhor do que nada, ela não pode ser tratada como remédio para todos os males. Não há solução simples para problemas complexos, como a violência e a criminalidade. nas médias e grandes cidades. Implantar a ''lei seca'' como a grande solução Caso venha a ser adotada, ela apenas transferirá a violência dos bares para as residências, e os comerciantes de bebidas vão encontrar um meio de vender mais. Afinal, tudo o que é proibido é melhor.
INACIO GOMES DA SILVA (estudante de Direito) - Londrina
Troca de turno
Pai de aluno de Direito noturno da Unopar (campus Arapongas), não posso calar-me. Uma turma não lucrativa da manhã foi transferida para o noturno, inchando a sala com as benesses de pagarem metade da mensalidade. Onde está o princípio constitucional de que ''todos são iguais perante a lei''? Logo no curso de Direito? Dois pesos e duas medidas pela mesma mercadoria em proveito próprio. Economiza professores, água, luz etc. Tem aluno que não aceita a transferência nem de graça, pois quando se inscreveu para o curso o fez no turno específico. O coordenador do curso ameaça os alunos da noite de que não adianta fazer protestos, pois o telhado é de vidro. Que quer dizer com isso? Estamos vivendo na época da ditadura?. Conclamo pais e alunos a não aceitarem imposições desse tipo.
JOÃO WOLNEY MOURA (serventuário da Justiça) - Sabáudia
Evolução
Após os primeiros anos de um governo cheio de ansiedade e excitação, marcados pelas atitudes de estrelato, pompa e até autoritarismo, o presidente Lula vem revelando ultimamente uma positiva alteração em seu comportamento. Acata conselhos, ouve e procura aproximação com adversários políticos, cede onde deve e mantém firmeza nas questões que assim exigem. Mas a melhor evolução se deu mesmo em seu distanciamento, pelo menos aparente, dos maus elementos do seu partido, gente medíocre que visou o poder apenas para enriquecimento pessoal, e que ainda opera por debaixo dos panos. Que a evolução continue.
HABIB SAGUIAH NETO (aposentado) - Marataízes (ES)
Violência no Terminal
Já fui administrador do Terminal de Ônibus de Londrina e esses problemas são insolúveis. Em três anos que atuei lá houve dois partos, um derrame infantil, um assassinato no banheiro, três estupros e mais de 200 roubos de bolsas e assaltos. Nele passavam 130 mil pessoas por dia. Imagine hoje? O certo é acabar com esse espaço e usá-lo para um mercadão livre 24 horas por dia, e acabar com as feiras-livres, que atrapalham o movimento no centro da cidade.
LUDOVICO BONATO (cozinheiro) - New York
Visão
É inaceitável que o ser humano continue rastejando como verme, vítima de uma simples gripe, não dominando as enfermidades que ceifam milhões de vidas. Isto é deprimente. Exercitando todas as suas potencialidades o ser humano se tornará perfeito. As pessoas serão dotadas de virtudes e energias que as tornarão capazes de dominar a matéria e realizar todos os seus projetos. Não mais haverá cárceres ou presídios pela ausência de ilicitudes. As pessoas se tornarão plenas titulares de suas vidas, podendo habitar em qualquer das ''casas de Deus'', na qualidade de herdeiros dos bens celestiais. Tudo isto será possível.
RUBENS VASCONCELOS CALIXTO (serventuário da Justiça) - Fênix
Justiça x crimes
O corregedor do Conselho Nacional de Justiça causou espanto ao declarar que mais de 1.500 magistrados são investigados por denúncia de inúmeros crimes. O que mais choca é a gradação das penas impostas administrativamente aos denunciados já julgados, que vão da suspensão temporária das atividades até a mais grave, que é a aposentadoria compulsória, como foi o caso do desembargador do Recife que, por ter cometido oito crimes, foi severamente condenado a viver em Boa Viagem ou em Porto de Galinhas, com proventos de R$ 22 mil por mês. Frustra-nos saber que a última trincheira de defesa dos oprimidos, que existe para estabelecer o equilíbrio na sociedade, tem seus flancos solapados por desequilibrados que, com seus atos envergonham homens e mulheres, integrantes da nobre instituição que é o primeiro pilar da nossa ainda frágil democracia.
ANTONIO DA SILVA PINHATARI (aposentado) - Londrina
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