As leis existem
Uma criança é arrastada por um carro depois de um assalto e reacende o debate sobre a redução da maioridade penal no país. Discute-se também a criação de leis mais rigorosas. Isso seria a melhor solução pra tanta violência. Toda a população espera que sim. Mas pergunto: As leis serão cumpridas? O cidadão não tem consciência de que ele também é culpado. Você cumpre com as suas obrigações e respeita as leis? Se cada um pensar quantas leis são burladas e quantas vezes deixou de cumpri-las, talvez o país não estivesse mergulhando na lama. A culpa não é só do governo, a culpa é nossa. Dirigimos alcoolizados ou falando ao celular, em alta velocidade; não respeitamos os sinais nem pedestres; tentamos subornar o policial para não ser multado; não usamos o cinto de segurança; não cuidamos da nossa rua porque alguém está sendo pago para limpar; não trabalho porque ganho Bolsa Escola e Vale Gás. Enquanto cada cidadão tiver esse pensamento, nada vai mudar. O país está corrompido e ninguém quer fazer nada. Faça, então, a sua parte.
LEILA MAEDA (auxiliar administrativo) - Londrina

Correios
Quando me perguntavam se tinha alguma coisa que funcionava no Brasil, eu com um pé atrás respondia que sim, os Correios. Que pena, já não posso mais dizer que funcionam. Mandei um aparelhinho de som - um tal de um MP3 que comprei e não conseguia enxergar para fazer funcioná-lo - para a minha filha em Curitiba no dia 14 de fevereiro, via Sedex. Afinal, era presente de aniversário. Até hoje ele não chegou. Está numa tal de ''fiscalização'' e ninguém explica para a menina. Nada mesmo funciona nesse país, nem futebol, nem Carnaval e nem os Correios.
LUIZ VICTOR VAL MYSZKOWSKI (perito criminal) - Londrina

Leis mais severas
O país acompanhou atônito o trágico assassinato do menino João Hélio no Rio de Janeiro. Como todos os crimes bárbaros, a sociedade indignada exige soluções e as autoridades, por força do hábito, ocupam a mídia para manifestarem suas ''indignações''. Pura falácia. O poder constituinte, legítimo detentor de legitimidade para mudar essa situação, não faz nada. Apenas engana, mente, prorroga a solução e empurra com a barriga. Mas o que fazer? É claro que o combate à criminalidade requer políticas sociais sérias. Todos sabemos que o crime começa a ser combatido com a reintegração familiar, geração de empregos e com políticas educacionais. Mas o combate à criminalidade também se faz com medidas punitivas austeras e para isso torna-se imprescindível mudar a legislação. É preciso mudar as leis, atualizá-las e trazê-las ao nosso tempo. Pode não resolver, mas satisfaz a clemência por justiça que a sociedade ecoa.
JÚLIO CÉSAR DE ARAÚJO (serventuário da Justiça) - Tamarana

Pensando no futuro
Tramitam no Congresso Nacional projetos para reduzir a maioridade penal, no intuito de punições mais severas para os jovens delinquentes. Mas há necessidade também de elaborar projetos que dêem mais oportunidades e condições ao jovem para fazê-los trilhar o caminho do bem. O número de jovens que está partindo para o mundo do crime é grande, e boa parte por falta de oportunidades. Estamos travando uma guerra, o crime tentando levar nossos jovens para o lado do mal, e nós, a sociedade de bem, lutando para segurá-los do lado de cá. Em um país de tanta desigualdade social, que tem uma das piores distribuições de renda do mundo e milhões de pais de família desempregados que sequer têm casa para morar, devemos pensar seriamente no futuro. É preciso que nossos representantes políticos dirijam o Brasil pensando nos nossos filhos e netos, pois na proporção que anda não dá para imaginar o país daqui a uns dez anos.
RONIE CÉSAR GARCIA (investigador de Polícia) - Cornélio Procópio

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