Círculo vicioso
Na primeira administração de Antônio Belinati, foi criado o Calçadão de Londrina na Avenida Paraná. Optou-se pelo piso de petit-pavé (ou peti-pavê, como Rafael Greca prefere dizer), com desenhos que lembram os trançados do artesanato indígena da região. Lá se vão mais de 30 anos. De uns tempos para cá, o Calçadão passou a ter as pedras soltas em diversos pontos. Por quê? A empresa contratada para lavar o Calçadão usa o ácido muriático (um líquido fumegante claro e ligeiramente amarelado, com odor irritante) para facilitar a limpeza. Depois de espalhado e esfregado, usa forte jato de água. Todos sabemos que o ácido muriático destrói o rejunte cimentado do petit-pavé e apressa o envelhecimento das grades de ferro. Por isso, é comum vermos no dia seguinte os funcionários recolocando as pedras num trabalho sem fim. Forma-se, então, um círculo vicioso que precisa ser rompido. O acido muriático usado nessa limpeza escorre pelas galerias pluviais e vai para os ribeirões, poluindo-os.
REINALDO MATHIAS FERREIRA (escritor e professor) - Londrina

País dos grandes
Fico abismado e angustiado, ao abrir os jornais, e observar o grande banquete realizado para receber os deputados que juram a Bandeira e prometem fazer desaparecer os corruptos do País. Mas como fazer isso, se temos em Brasília pessoas como Paulo Maluf, que se diz um inocente, uma vez que quem o julgou foi a imprensa e não a justiça? Clodovil, o que ele tem a oferecer ao nosso povo além de moda? Ainda Fernando Collor de Mello, trocando abraços com o ''grande imperador da Bahia'' Antônio Carlos Magalhães? E o que dizer de Antônio Palocci? É, a tristeza invade meu peito a cada dia. O que esperar de um país onde os corruptos se dão bem e as pessoas humildes, honestas e trabalhadoras perdem a esperança e tornam-se a cada dia seres ainda menores diante do caos em que vivemos há mais de quatro anos? Ainda bem que não perdemos ainda o poder de pensar, falar e escrever.
RODRIGHO PELISSON GUERGOLETTE (cirurgião dentista) - Londrina

Siglas
Pode parecer discurso de pessimista, mas tudo leva a crer que o PAC, nomenclatura adotada pela equipe de marqueteiros do Planalto, para justificar mais uma lambança do governo com o nosso dinheiro, não passa de uma sigla. Não sei se foi coincidência, mas na mesma semana em que o governo anunciou o PAC recebi o IPVA e o IPTU. Além destas, somos obrigados a conviver com: CPMF, IR, CIDE, FGTS, PIS, COFINS, IPI e ICMS. São tantas que nem me lembro de todas, a única coisa que sei é que o povo sempre paga a conta das siglas, pois a maioria delas significa cobrança de impostos. Apesar de tantas siglas, sonho com o dia em que o governo tenha coragem de adotar como prioridade duas delas: o PCGG (Programa de Corte de Gastos Governamentais) e o PEI (Programa de Extinção de Impostos). O PCGG e o PEI são uma pequena contribuição da CCPI (Cidadãos Cansados de Pagar Impostos).
GUSTAVO SILVA CASTRO (administrador de empresas) - Londrina

TV e ética
Somos conduzidos a determinadas situações constrangedoras nos fins de semana, pois os meios de comunicação em massa - em especial a TV - possuem determinadas estratégias que estão longe de serem encaradas como morais. Um exemplo marcante refere-se à exposição de crianças supostamente ajudadas, mas que, na verdade, servem como meio para os respectivos programas buscarem audiência e alegrarem os patrocinadores. Grande expoente do pensamento ético, Emmanuel Kant nos diz que a conduta moral não pode ser conduzida por interesses, os mais variados, bem como estar condicionada a qualquer tipo de hábito, pois nesses casos não podemos falar em conduta guiada pela moral. Esse tema adquire maior realce hoje, em que grandes empresas lutam para manipular os gostos e vontades das pessoas. A estratégia dos programas é mexer com as emoções de um público carente de certezas e de soluções, porém às custas de inocentes seres, que só conseguem demonstrar medo e estupefação frente às câmeras e os olhares.
JOÃO RICARDO CRISPIM RODRIGUES (estudante de Direito) - Londrina

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