CARTAS
Prisão modelo
Fiquei impressionado com uma reportagem que li sobre uma cadeia com certificação de qualidade ISO 9001. Será que é possível um sistema carcerário eficiente, no qual se recupere um criminoso recolocando-o no seio da sociedade? A reportagem retrata a realidade do Presídio Fernão Dias da Polícia Militar de São Paulo, onde os presos - policiais militares condenados - cumprem penas como qualquer preso comum, mas com uma diferença: o rigor da disciplina militar. Lá, os presos são acordados às 6 horas. Ao final do cumprimento da pena, o criminoso ressocializado volta a sociedade, e este não será mais um marginal que a polícia enfrentará. No Fernão Dias, os ex-PMs são classificados de acordo com o perfil do infrator e exercem as mais diversas atividades que vão de jardinagem até atividades remuneradas. O que causa ainda mais espanto é saber que 80% dos presos trabalham. A iniciativa para tornar esse presídio com gestão modelo foi da própria diretoria, que arregaçou as mangas independentemente de uma política pública e buscou simplesmente mostrar que não há nada de errado com nossas prisões e tudo é possível quando se acredita no que faz.
Paulo Renato Siloto (policial militar) - Londrina
Pedra furada
O descaso da administração pública com Londrina é de conhecimento geral. Para não comentar as obras emperradas, fiquemos só no que foi feito recentemente. Na Praça Marechal Floriano Peixoto foram construídas rampas para acesso ao Calçadão. Em cerca de dois anos, os corrimãos já estão destruídos. Culpa dos vândalos ou do material que apenas dura o mandato de um prefeito? O altar da Pátria foi esculpido em pedra bruta, mas alguém houve por bem pintá-lo em vez de reconstituir sua beleza original. E agora o pior: para as festas de fim de ano, a Sercomtel teve a brilhante idéia de perfurar a pedra e fazer um cercado para proteger uma árvore de Natal feita com velhos CDs. Mesmo que o cercado seja removido, os buracos estarão lá para sempre. É preciso que os londrinenses, natos ou por adoção, conservem os bens públicos e denunciem as ''barbeiragens'' de quem não tem nenhum compromisso com a cidade.
Reinaldo Mathias Ferreira (escritor e professor) - Londrina
Plebiscito
Sobre a aprovação do plebiscito para decidir sobre a obrigatoriedade do voto, não sei se o voto facultativo vai resolver. Se a maioria dos brasileiros fosse politizada, 90% dos parlamentares não se reelegeriam, porque o povo ia votar pelo histórico do candidato, e não pelas falsas promessas.
Nelson Meira da Silva (técnico em telecomunicações) - Londrina
Ortigueira
Interessante um bancário achar revoltante quando se fala da miséria em que vivemos. Falar é fácil, quero ver é vivenciar e viver a miséria, própria e alheia. Nós moradores de Ortigueira não queremos empregos de engenheiros, técnicos etc. Para nós, serve mesmo os de buraqueiro, valeteiro, o importante é ter algo para trabalhar e ganhar os trocados. Será que ele sabe que a maioria dos habitantes de Ortigueira é aposentada, e existem famílias que a única fonte de renda é o Bolsa Família? Também fui bancária e trabalhei na Barragem de Pinhão, na época, o município com maior pobreza e maior índice de violência. E hoje, vivem dos royaltes da hidrelétrica que está lá. É isso que queremos em Ortigueira, que tenha uma fonte de recursos. O que ele me diz de Itaipu e das cidades vizinhas? Tem alguém morrendo de fome lá? Me coloco a disposição para discutir o assunto, afinal vivo em Ortigueira e lutarei até o fim para que essa barragem venha.
Maria Inez Lauber (conselheira tutelar) - Ortigueira
Educação
No Brasil, poucos conseguem se realizar como profissionais liberais, às vezes nem mesmo conseguem emprego em sua área de formação. Muitos profissionais com curso superior deixam o país para trabalhar no exterior como motorista, entregador de pizza, pintor de parede, doméstica, etc. Se os políticos trabalhassem menos em projetos assistencialistas que visam somente angariar votos para a sua reeleição e se preocupassem mais em realizar projetos para o desenvolvimento econômico, talvez a nossa realidade fosse diferente. O que o país precisa são projetos que diminuam os encargos sociais sobre a folha de pagamento, que diminuam os tributos (hoje o país é um dos que possuem os mais altos níveis de tributação) e reduzir os juros. Deveriam estudar um meio de motivar as empresas privadas a oferecer estágio para estudantes universitários para quando se formarem possuírem experiência dentro da sua área.
TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina





