CARTAS
Pesquisa x burocracia
Os professores das Instituições de Ensino Superior (IES) do Paraná só podem viajar ao exterior para participar de simpósios, colóquios ou congressos com expressa autorização do governador do Estado. É isto que determina o decreto nº 3.498 (23/08/2004) do governador Roberto Requião. Não basta a avaliação do departamento, do conselho de pesquisa e outras instâncias da universidade. Não basta a avaliação do órgão financiador das viagens (no caso a Fundação Araucária). É o governador com sua autoridade absoluta quem deve dar a última palavra. O decreto exige ainda que feita uma viagem deve-se respeitar um prazo de 12 meses para realizar a próxima. A CAPES cobra, insistentemente, participação dos docentes da pós-graduação numa linha de pesquisa e num grupo de pesquisa e orienta a participação em simpósios e colóquios nacionais e internacionais e de publicação em revista qualificada. No entanto, a UEL, bem como todas as IES do Paraná, não têm autonomia para autorizar a saída de seus docentes. Os processos pedindo autorização repousam sobre a mesa do governador, que quando não os assina em tempo hábil inviabiliza a participação de docentes e pesquisadores em eventos internacionais. Quais são os critérios que balizam a decisão do governador?
JOSÉ MARIO ANGELI (professor) - Londrina
Vamos reagir
O brasileiro está estarrecido por tantas imoralidades e sem forças para reagir. No entanto, se avizinha a eleição. A partir da descoberta das falcatruas, estamos quase soterrados fisicamente e moralmente. Lula e seus companheiros pairam sobre o povo como uma nuvem de desesperança e desânimo. Soterram-nos não como cinzas na cidade Pompéia, mas com mentiras, indecoro e a incerteza do porvir. Nós, donas de casa, professores, estudantes, advogados, operários, padres, pastores, etc., com nosso título verde amarelo vamos comparecer em massa para votar para expurgar de nosso meio os vendilhões da Pátria. Vote, rejeite a mentira e os mentirosos.
SUAMI DE SOUSA (professora aposentada) - Arapongas
Sujeira política
As crises políticas em Londrina e no país são o retrato da podridão nas instituições políticas. No âmbito federal, desde o primeiro dia da atual administração inúmeras denúncias de desvios de conduta têm sido divulgadas todos os dias pelos meios de comunicação e quase sempre aparece o chefe do Executivo para colocar panos quentes sobre a situação. Percebemos que uma verdadeira quadrilha está instalada na administração pública, sempre aparece um escândalo maior e nós, pobres mortais, temos enfrentado o problema como se tudo fosse normal. Em Londrina, a greve dos servidores municipais está se aproximando dos 50 dias e a cidade está imersa num verdadeiro buraco. Será que perdemos de vez a capacidade de nos indignar diante da corrupção e incompetência dos nossos administradores?
LOURIVAL BARBOSA (policial militar aposentado) - Londrina
Luta ou terrorismo?
Acho que estamos mal arrumados com esse pessoal do Sindserv. Eles promoveram uma greve onde todos perdem. Os funcionários perdem a tranquilidade e provavelmente o salário dos dias parados. O povo perde porque não tem acesso ao serviço público. O prefeito perde pelo desgaste político, e todos nós já perdemos a paciência. Afinal, quem ganha com isso? Agora, estão pedindo reunião com o prefeito para abrir as contas públicas dizendo que querem rever contratos de licitações, cargos comissionados, etc. Ora se existem dúvidas ou evidências contra a administração municipal, denunciem direto no Ministério Público. Não manipulem os funcionários públicos, usando-os como escudos para dar legalidade e projeção aos seus próprios interesses. E que parem de dizer que isso é uma luta, pois numa luta em que só eles batem e o povo apanha, não é luta é terrorismo.
OSVALDO SANTOS JR (arquiteto) - Londrina
Pesquisas
Nos últimos dias estou sendo bombardeado por pesquisa de opinião pública que indicam vitória de Lula no primeiro turno. Não acredito nisto. Institutos como Ibope e Datafolha foram comprados pelos governantes a preço de ouro. Pergunto: duas mil pessoas, quando muito, podem expressar a vontade de quase 150 milhões de eleitores? Você alguma vez foi interrogado por estes institutos perguntando em quem votaria? Nem eu. Pelo jeito pensam que sou ignorante a ponto de acreditar no voto útil, votando em quem vai ganhar para não perder o voto. A burrice do ditado que Lula vai ganhar mesmo, então vou votar nele, para mim não funciona. Não voto, pois não achei meu título no lixo. Quero que Lula não vá nem para o segundo turno junto com os ''favoritos'' nas pesquisas. A mesmice do ''eu não sabia'' causa-me nojo.
DAVI MIRANDA (servidor público) - Londrina
Melação
O candidato Lula pergunta a quem interessava ''melar o processo eleitoral'', tendo em vista que ''eu estou a dez dias de uma eleição e a minha situação está altamente favorável''. Lula de fato está com sua reeleição garantida, mas o objetivo do dossiê era tentar, numa jogada de desespero, levantar a candidatura de Mercadante ao governo paulista, que está perdida na mesma proporção que a de Alckmin para a Presidência de República. Isso provavelmente só não alterará a disputa presidencial em virtude da indiferença popular, já cansada pelas centenas de casos de corrupção denunciados que geraram também as consequentes centenas de casos de impunidades.
HABIB SAGUIAH NETO (aposentado) - Marataízes (ES)
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