CARTAS
Esmola e eleição
Sirvo-me desse espaço democrático para narrar um fato ocorrido com um amigo que possui chácara na região Três Bocas, onde vive com a esposa e, nos fins de semana recebe os filhos e netos. Sendo portador de cardiopatia não pode realizar o trabalho de capina do terreno, por isso dirigiu-se a um bairro próximo onde costuma ver muita gente na ociosidade. Encontrou um grupo de pessoas próximo a um estabelecimento comercial e anunciou estar ali para contratar uma ou duas pessoas ao preço de R$ 40 por dia de trabalho. Recebeu a seguinte resposta: ''Recebemos cesta básica que garante a comida do mês, auxílio-gás pra fazer a comida, roupa, sapato e material das crianças de entidades filantrópicas e R$ 90 do bolsa-família que dá pra tomar umas cachaças no boteco. O senhor acha que nós vamos tomar sol carpindo (sic) a chácara?'' Meu amigo, desiludido, colocou a chácara à venda para voltar para a cidade. Fatos como esse, que existem aos milhões, são a constatação da facilidade que têm os mandatários da nação de manipular uma gigantesca legião que vende votos por degradante esmola custeada com o dinheiro do povo.
ANTONIO DA SILVA PINHATARI (aposentado) - Londrina
Chute na democracia
Sempre vi com desconfiança a pregação contra o voto obrigatório, baseados em uma suposta liberdade de opção e ocultando a preconceituosa idéia de que os ''simples'' votam mal. Mas em relação à pregação vigente pelo ''voto nulo'', não tenho dúvidas: faz parte de uma estratégia de redução do voto oposicionista, por mais inocentes ''indignados'' que embarquem nessa canoa. Creio que o ''voto nulo'' tenderá a diminuir com o passar do tempo. Mas não se iludam: quem sente repugnância pelo ''mar de lama vermelha'' que aí está, vote no Chuchu; quem sonha com um socialismo meigo, singelo e generoso que jamais existiu, vote no sorriso doce da senadora das manguinhas bufantes; quem curte idéias mágicas tem à disposição o simpático e delirante ex-ministro da Educação, ou ainda quem não tem respeito por si próprio ou compactua com as várias mazelas e corrupções ocorridas no desgoverno do PT, que vote no candidato insensato, obtuso e rico em má-fé. Mas não chute a democracia votando nulo, porque isso seria pura conivência. Votar nulo equivale a uma estranha tentativa de vencer o jogo dando um ''WO''.
RENILDO VICENTE QUEIROZ (consultor técnico em Biotecnologia) - Ibiporã
Tempo de eleição
Segundo Lula, a saúde no Brasil está ''quase perfeita''. Realmente, a saúde dele, da família e dos parentes dele, porque no resto do Brasil não é isso que estou vendo. Um dia desses tomei ''coragem'' de assistir ao horário político. Para variar: ''A principal meta do meu governo será a saúde, a educação, a segurança'', e aí vão mentiras afora! Oras, quem não vê que está tudo um caos!
Estes políticos estão atirando pontas de lanças para agredir a dignidade do povo. Eis um exemplo de patriotismo: o prefeito Nedson nem compareceu ao desfile do dia 7. Medo de quê? Conheço candidatos que se aproveitam da desgraça alheia para ''fingir'' preocupação. Dá nôjo! Como dizem por aí, eles estão preocupados com o ''verde'' do dólar e o amarelo para colocarem em seus sorrisinhos falsos. Que patriotismo!
MARIA REGINA MINTO REYES (assistente administrativo) - Londrina
Rir de quê?
Tempos atrás, moraram em Londrina umas figuras pitorescas. Tinha um louquinho chamado Caruzo, um mendigo de rua, fedorento que só. Como possuía uma boa voz de barítono, vivia pelas ruas cantando e rindo à toa. Teve também outro louquinho simpático, chamado Circuito, um japonezinho sorridente que vivia com uma tesoura nas mãos fazendo dobraduras e recortes para aqueles que lhe dessem uma moeda. Hoje alguém conhece algum louquinho da cidade? Acho que os louquinhos de hoje somos nós. Como podemos suportar uma greve dos servidores municipais, comandados por um sindicato político, um prefeito omisso e funcionários levados pela conversa de sindicalistas? Como arquiteto e construtor, não consigo aprovar novos projetos de construção, os pedreiros ficam sem serviço e não pagam suas contas. Os mercados e comércio vendem menos e os depósitos de construção estão parados. Afinal, ninguém reclama contra esse sindicato? Queremos ver o circo pegar fogo ou somos mesmo os louquinhos da cidade?
OSVALDO SANTOS JR (arquiteto) - Londrina
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