Fantasia ou realidade?

Que saudades da Odete Roitman, vilã de novela! Que saudades do dr. Smith, vilão da Jornada nas Estrelas! Aquilo sim é que eram vilões. Eles criavam tantos casos que os telespectadores os odiavam. Chegavam, às vezes, ao cúmulo de destratar o artista. Eles azucrinavam o filme ou a novela toda, mas no fim eram punidos. Na novela Belíssima, que acabou semana passada, a vilã, e ex- presidente Bia Falcão, durante toda a novela, azucrinou a vida dos mais pobres, mentiu, roubou, colocou na diretoria pessoas de má índole, matou quem atravessou seu caminho, sempre se livrava de punições aproveitando de subterfúgios da lei, lambuzou-se em orgias sexuais, fugiu com malas de dinheiro no avião e, no final, não foi punida. Tudo acabou em pizza. Isso não está parecendo uma república das bananas, da América do Sul, onde governantes roubam, mentem, fazem orgias em mansões, subornam, levam dinheiro em malas e em aviões e vivem aproveitando brechas das leis para se livrar das punições? Quando era só novela, o povo reagia, indignava-se e reclamava. Mas bastava girar um botão e tudo se desligava. Por que agora, sendo realidade, o povo sofre calado e fica resignado? Cadê o botão de desligar?

OSVALDO SANTOS JR. (arquiteto) - Londrina


Vocação para escravo

Nós sempre tivemos vocação para escravos. Fomos escravos dos portugueses, dos usineiros, dos barões do café, dos ditadores e recentemente do FMI, das multinacionais e dos banqueiros, mas o maior dos nossos senhores e mais cruel explorador do povo trabalhador é nosso próprio governo. A voracidade do governo por impostos é insaciável e chega ao absurdo de roubar do trabalhador 5 meses de seu trabalho anual. Não existe maior explorador público no mundo e o pior é que quase nada reverte à população, a cada dia mais desamparada pelas instituições públicas. O governo é um saco sem fundo, quanto mais arrecada, mais impostos são inventados para sustentar esse bando de corruptos. A população fica cada dia mais pobre (miserável) e os banqueiros e políticos mais ricos (bilionários). Esse quadro tem de ser mudado com a máxima urgência, porque já estamos num caos social e vem aí uma grande revolta popular de consequências trágicas. Que as próximas eleições sejam o início da abolição de nossa escravatura, com a total renovação da classe política. Abaixo a reeleição! Chega de sermos escravos de corruptos.

JAZON BELTRÃO DOS SANTOS (letrista) - Londrina


Mácula na política

O TRE do Paraná acaba de anunciar que envidará esforços no sentido de impedir registros de candidato com alguma mácula em seu currículo. Atitude louvável, porém, sem resultado prático, uma vez que está impossibilitado de vetar candidatos indiciados em crimes cujas ações não tenham sido julgadas pelo STF, com sentença transitada em julgado. Dizem que o princípio da presunção legal foi inventado para beneficiar o delegado Fleury, também cognominado ''homem de ouro'' da revolução: para cada crime por ele cometido era interposta uma ação. Contudo, a enxurrada de recursos fazia com que nenhuma chegasse à suprema corte, não fazendo, com isso, a tal coisa julgada. O nosso sonho (e sonhar não é proibido) é que chegue o dia em que um cidadão denunciado e com indícios de prática delituosa não consiga a competente certidão para registrar sua candidatura: pena que os ''vermes'' (sanguessugas) do nosso Congresso, maculados até os fios do cabelo, useiros e vezeiros em legislar em causa própria, continuem adiando ''sine die'' o nosso sonho.

ANTONIO DA SILVA PINHATARI (aposentado) - Londrina


Sugestão de mudanças

De vez em quando deparo com entidades coletando assinaturas para mudar certas leis. Não sei como isso se inicia, porém gostaria de sugerir duas: 1- criar uma lei que proíba o governo e as empresas com controle acionário do Estado de fazerem propaganda de seus feitos; a utilização da mídia seria exclusivamente de utilidade pública, como a orientação sobre utilização de programas ou benefícios, campanhas de saúde e prevenção etc.; 2- criar um teto máximo para as despesas com campanha eleitoral, tudo em caixa oficial, bem longe dos R$ 95 milhões anunciados pelos partidos majoritários. A limitação de gastos os obrigará a ser criativos e o voto passará a ser muito caro para ser comprado.

PAULO MAURÍCIO ACQUAROLE (produtor rural) - Londrina

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