Sou brasileira

Cinquenta por cento. Foi esse o desconto que recebi quando comprei uma blusa com a bandeira do Brasil segunda-feira pós-eliminação da Copa. Pensei em questionar a vendedora o porquê de tamanho desconto, já que as outras roupas estavam com o desconto de 20%, mas a resposta me pareceu tão lógica que desisti de fazê-lo. Brasileiro, como eu temia e todos alertavam, tem a memória fraca. Tá certo que foi vexatória a atuação brasileira no último sábado, mas isso não apaga o brilho das cinco estrelas estampadas na nossa camisa verde e amarela. Temos que continuar torcendo pelo Brasil: o Brasil da política, da educação, porque esse sim pede nossas lágrimas e nossa revolta. Lá, na Alemanha, dependíamos de 11 brasileiros. Aqui, no Brasil, dependemos de 180 milhões.

MARIANNA MICHELETTE DA SILVA (estudante de Direito) - Londrina


Sonho adiado

Será errado passar a afirmar que somente os europeus ganham as Copas realizadas na Europa? Difícil responder. No entanto, o certo é que o jogo de sábado tirou do Mundial a última seleção não-européia. Agora a Copa é deles e o sonho do hexa se esvaiu por entre os dedos das estrelas desunidas. A apatia e desconsideração pelos torcedores colocaram fim à esperança de magia e espetáculo que o time brasileiro ainda poderia apresentar. A inércia dos jogadores desmoralizou o maior símbolo do Brasil internacionalmente. Faltou patriotismo. Sobrou a esperança de que, na próxima Copa, na África do Sul, em 2010, tenhamos uma seleção melhor que possa novamente acender o sonho do hexacampeonato.

JULIANA GIMENEZ, KAMILLA MAEDA, KÁTIA CAMPANUCCI e KÁTIA GARDÊNIA (estudantes) - Londrina


Somos todos mortais

O Brasil chegou na Copa do Mundo como grande favorito e saiu dela antes das semifinais, carregando nas costas pesadas críticas e ofensas da torcida. Talvez a lição foi aprendida: ''moral'' não ganha Copa. Antes disso, a mídia endeusava a seleção, tornando os jogadores os ''mágicos e inatingíveis senhores da bola''. Aqueles que entraram em campo com a camisa verde e amarela eram reconhecidos. Eram estrelas, mas não brilharam. Eram meros mortais. No vôlei masculino, o comandante Bernardinho, quando assumiu e consagrou-se com vários títulos, afirmava que o mais difícil não era chegar ao status de campeão e sim manter-se campeão. No futebol, estávamos no topo e esquecemos de batalhar, olhando para quem vinha atrás, para nos mantermos na condição de ''melhor time do mundo''. Foi assim em 2002 com a França e Argentina e, neste mundial, com os favoritos: Brasil, Argentina e Inglaterra que também ficaram pelo caminho. É simples tentar encontrar um culpado, o difícil é reconhecer, depois de tudo, que não éramos ''deuses''. O difícil é sentir a dolorosa sensação de cair de tão alto.

VICTOR HUGO KIKUTI e PAULO FRANCISCO SANTANA RODRIGUES (estudantes de Ciências Contábeis) - Londrina


Manipulação ou destino?

Mais uma vez o Brasil perde para a França em uma partida decisiva na Copa do Mundo. Dentre os 11 jogadores, 3 choraram de tristeza e os outros foram cumprimentar os franceses como se um grande negócio tivesse sido feito. Será que a Copa é uma das maiores empresas marketeiras do mundo? Ou sera apenas um carma brasileiro? Pelo menos para ''peixes pequenos'' isto é impossível saber.

ROMUALDO SANITÁ NETO (estudante) - Londrina


Time apático, país lento

Para a seleção do Parreira, que está longe de ser a ''brasileira'', o pior não foi perder. O pior mesmo foi ter merecido a derrota. Não demonstrou futebol digno nem das oitavas. Chegar à final seria uma daquelas imperdoáveis aberrações históricas. Portanto, fiquemos serenos. O Brasil não está nem pior nem melhor depois da despedida diante dos lutadores franceses. Continuamos cobertos pela nossa fragilidade socioeconômica. Nas ruas, os mesmos problemas; nos olhares, permanece a apreensão do país que nunca chega lá, mesmo quando tem sucesso no futebol.

PAULO CEZAR BASILIO (professor) - Pinhão


Hidrelétricas

Na reportagem publicada dia 29 de junho na Folha Cidades, o professor José Lopes mencionou algumas atividades e a atuação dos professores da área biológica. Acredito que a repórter interpretou de maneira equivocada uma das atividades mencionadas pelo professor. Sou atuante da área biológica em algumas das atividades citadas e sobre as hidrelétricas quero esclarecer: nós da universidade não atuamos em projetos de hidrelétricas, mas estamos fazendo um trabalho que não seria necessário, caso os representantes dos órgãos ambientais do Paraná estivessem realizando de maneira correta. Estamos desde julho de 2005 denunciando a irresponsabilidade do Estado, pois a licença prévia da usina Mauá no Rio Tibagi foi um desrespeito total com a comunidade. As leis ambientais estaduais e federais não foram cumpridas e a comunidade não teve oportunidade para conhecer este projeto e os impactos que causariam à população, aos seres vivos e ao ambiente. O governo não respeita os professores da universidade, como também não respeita o cidadão. O poder político e econômico é a única coisa que interessa ao governo!

SIRLEI BENNEMANN (professora do departamento Biologia Animal e Vegetal/UEL) - Londrina

mockup