Jogão

No último sábado aconteceu o melhor jogo que já vi. Os preparativos começaram na quinta-feira quando recebi um estranho convite: ''Quer assistir ao jogo do Brasil no asilo?'' Confesso que me soou engraçado. Primeiro porque não assisto futebol e, depois, porque um asilo não parecia o melhor lugar. Minha interlocutora, paciente, insistiu e aceitei. Foi convidada uma seleção de pessoas, mas no sábado nosso time entrou em campo desfalcado. Éramos só três jogadores contra a solidão de dezenas de velhinhos que acompanhavam a partida mais por falta do que fazer do que por amor ao futebol. Enquanto o Brasil lutava contra a França, eu papeava sobre a vida no sítio, arrumava uma coberta, amparava um caminhar já meio vacilante e até recebia uma cantada à moda antiga de uma vovó mais afoita. Juro que foi a melhor partida que já vi. Agora que não tem mais Brasil na Copa e os asilos continuam lá, alguém topa jogar uma partida contra a solidão no próximo sábado?

ANDRÉ REINALDO ACORSI (jornalista) - Londrina


Falta de respeito

Vou fazer campanha para que o Brasil não pare mais nos dias de jogos da ''seleção''. Estou indignado não pelo fato de termos perdido um jogo, mas pela forma como entramos para disputar uma competição do quilate da Copa do Mundo. É injusto para com o povo a apatia que esses jogadores ''fenomenais'' demonstraram, bem como o técnico. Como empresário, me senti ludibriado por ter baixado as portas do meu comércio para assistir a isto que vimos contra a França, enraivecido por ver meu filho e minha esposa chorando por um time que em nenhum momento demonstrou interesse ou vontade de vencer e, também triste por presenciar tamanha soberba de uma equipe que entrou achando que ganhariam os jogos quando e como quisessem. Fizemos a nossa parte, paramos mesmo sabendo que no outro dia haveria contas a serem pagas, prazos a ser cumpridos e ainda torcemos como loucos. Nossos jogadores ''fenomenais'' simplesmente foram passear na Alemanha. Deixo uma sugestão para os mais badalados: que tal se cada um de vocês doassem dois meses de seus salários para as instituições de caridade do Brasil? Seria o mínimo para um país que os adora e que não merece tamanha falta de respeito.

VALDIR ROSA COELHO (empresário lotérico) - Londrina


Que seleção é essa?

Vocês jogadores que vivem em ''outro mundo'' - Europa -, que recebem salários milionários, que têm seus passes avaliados em milhares de dólares/euros, será que são mesmo bons representantes de nosso país? Aqui vai uma sugestão: que na próxima Copa do Mundo convocássemos como base da seleção jogadores que atuam no Brasil, que ainda não foram comprados por times europeus, que honram seu país, recebem em reais e além de tudo têm raça? Acho que o resultado poderia ser diferente. Só nos resta torcer para Portugal, pois pelo menos nela existe um técnico - Felipão - que se impõe, faz um trabalho sério e merece todo o respeito. Imaginemos o Brasil campeão de 2006. Como seria a campanha do sr. Lula em cima desta vitória? Enfim, adeus patrocinadores, CBF, Globo, estrelas, quadrados. Até 2010!

EDILSON XAVIER ANTUNES (representante comercial) - Londrina


Seleção x interesses

Desde o início todos sabíamos que os jogadores da seleção se arrastavam e o que ainda mantinha seus corpos em movimento era a crença de milhões de brasileiros. Não havia quadrados nem triângulos mágicos que mudassem a incompetência do quadro técnico e da seleção. Que pena! Nem o nosso técnico teve sensibilidade para perceber que algo estava errado e mudar a estratégia de jogo. Quando percebeu já era tarde e time agonizava nas mãos de mais um adversário. Uma seleção equivocada e que seu crédito, aos olhos dos torcedores, já havia chegado ao fim. Não precisava tanto, queríamos patriotas em campo, queríamos um futebol de coração, queríamos um técnico que motivasse os jogadores e tivesse a sensibilidade dos torcedores. Que os nossos corações tenham a grandeza de afagar a tristeza e aguardar por mais, quase nada, 4 anos um futebol à altura dos sonhos e jogadores realmente comprometidos com o esporte e a pátria, e não com interesses individuais.

ROSELI APARECIDA FLORINDO (professora) - Londrina


Troca-se

Troca-se um quarteto mágico e dois laterais badalados por um maestro como Zidane, simples, mas eficiente. Os 180 milhões de brasileiros queriam o recorde do hexa, não os recordes individuais dos jogadores e equipe técnica. Esses jogadores já têm o reconhecimento financeiro e moral que precisam, custava suar a camisa amarela para alegrar o sofrido povo? Para mim, a nossa é a única seleção entre as 32 da Copa que saiu de cabeça baixa, e novamente humilhada pela França, sem reagir.

ALDO BOARETTO NETTO (servidor público) - Tamarana


Realidade pós-Copa

Após o jorro de água fria da seleção francesa, nossos executores nos fizeram um grande favor que é enxergar o óbvio: não somos tão bons quanto pensávamos. Às vezes algumas estrelas juntas não formam uma constelação, ainda mais quando seu comandante é apático, morno. Tomara que a lição seja de grande aprendizado. Já estou sentindo inveja do técnico de Portugal. Felipão é mais a cara do Brasil que Parreira, é mais vibrante, mais briguento, mais paizão de seus comandados. Volta pra casa Felipão, o Brasil te agradece.

YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá

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