CARTAS
Volta do cangaço
De repente um grupo enfurecido se desloca, empenhado em uma ideologia onde a luta armada é o principal aliado. Seu maior líder, um confesso defensor dos direitos de uma classe dominada, tem em sua gênese familiar grandes posses (usinas) às quais não precisamos mencionar a forma escrava que obtêm lucro. Mas essa gênese não é privilégio apenas deste líder. Dizem estar exercendo o direito de democracia, será? Esse tipo de manifestação nos lembra um dos grandes revolucionários do Nordeste: Lampião e seu bando aterrorizaram toda uma região dizendo defender interesses dos menos favorecidos. Que possamos analisar esse momento, em específico, aquela forma de manifestar com repúdio. Afinal, luta armada não deve ser de perfil vandalístico e sim de ideologias.
ANDERSON GOMES DA SILVA (estudante de História) - Engenheiro Beltrão
MLST
Acho que o MLST fez o que milhões de brasileiros gostariam de fazer, pois a Câmara dos Deputados há muito tempo deixou de ser um local de representantes do povo. Os políticos precisam sentir na pele o gosto da injustiça e da impunidade das leis que eles mesmo ajudaram a promulgar.
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê
Força patriótica?
Dom Tomas Balduíno, bispo emérito e Conselheiro da Comissão Pastoral da Terra, ao defender o movimento dos trabalhadores sem-terra em abril, disse que ''o MST é a grande força patriótica desse país''. O que diria, agora, dom Balduíno após o vandalismo do MLST e o quebra-quebra na Câmara dos Deputados?
AFONSO GARCIA (barbeiro) - Arapongas
Manifestação do povo
Os poderes constituídos estão cada vez mais perdendo a legitimidade. O povo não aguenta mais tantos desmandos e corrupção. A lentidão, leniência e morosidade tomam conta dos três poderes. Dormem nas gavetas dos parlamentares, e nas comissões de trabalho constituídas no Congresso Nacional, dezenas de projetos de lei que beneficiariam a Nação e o povo. Moroso, leniente, também o Poder Judiciário é outro pesadelo que atormenta a sociedade. Por essas e outras razões é que vemos aí: tratoraços, depredação do Legislativo, revolta carcerária, greves do funcionalismo público. É a população insatisfeita se manifestando, ainda que, alguns de maneira mais radical.
ANTONIO PEREIRA (contador) - Londrina
Quebra-quebra inútil
Sou a favor de manifestações desde que não atrapalhem o direito de ir e vir de qualquer pessoa. Sendo assim, quer fazer greve fique em casa para somente seu patrão sentir a sua falta ou peça a conta e procure fazer o que você gosta. Quanto à quebradeira de terça-feira na Câmara dos Deputados, sou a favor sim desde que façam isso com os deputados e os senadores que roubam e matam dia-a-dia nossa população com atitudes mesquinhas e levianas. Agora, quebrar o patrimônio meu (nosso), aí não, né companheiros! Se quebra-quebra fosse o caminho, o Iraque seria o melhor país do mundo.
LUCAS CALVI (executivo de vendas) - Londrina
Origem do MST
O que estamos vendo nos noticiários é algo que para muitos é extremamente inteligível. Se voltarmos no tempo, poderemos ver as causas disso tudo. Por um lado o próprio PT, e de outro uma parte da Igreja Católica. É triste, mas percebíamos o non sense. Primeiro, um partido querendo o poder a todo custo e se utilizando de todos os meios para isso, entre eles o MST. De outro lado, a ingenuidade da Igreja que em nome de terra para todos, emprego, etc., queria uma socialização do trabalho e da renda. É claro que por parte da Igreja existia a boa intenção, mas convenhamos, boa intenção com mal-intencionados é algo perigoso. A Igreja deve se ater às coisas que a ela compete e não dar opiniões, principalmente, em assuntos políticos. E todos sabemos que esse movimento que assola o país tem aval no exterior, com uma mentalidade retrógrada de socialistas tardios.
ANDERSON CARLOS SACHETIM GARCIA (bacharel em Direito) - Londrina
Vitória do consumidor
Em decisão histórica o Supremo Tribunal Federal encerrou quarta-feira a polêmica suscitada pela Febraban que tentava afastar a aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor à atividade bancária. O CDC em vigor há 15 anos dita regras de proteção aos consumidores contra as cláusulas abusivas nas relações de consumo, determinando punições em caso de descumprimento. Os bancos tentavam de toda forma afastar a vigência do código de sua atividade, pugnado entre outros argumentos, que a atividade bancária não se enquadrava como relação de consumo. Felizmente, o STF julgou improcedente, por 9 votos a 2, o pleito da ação proposta pela Confedereção Nacional do Sistema Financeiro. Isto demonstra que, apesar do inegável poder econômico e político do baronato bancário, ainda é possível a vitória do cidadão. Agora, precisamos avançar. Menos fila, menos juros, mais funcionários, mais horário de atendimento, banheiros, cadeiras e água potável para clientes, enfim, mais respeito ao cidadão consumidor; avante à cidadania.
TITO VALLE (advogado) - Londrina
Correção
- Diferentemente do que está sendo publicado hoje na Coluna Sociedade, Folha Cidades, página 4, sobre o Congresso e a Feira Paraná Pão realizados no Hotel Bourbon de Foz de Iguaçu, a foto é de Wanderley de Rezende Neiva, diretor de Planejamento da Sercomtel.





