CARTAS
Doença do agronegócio
Devido a uma sucessão incrível de governos e, principalmente à quase total incompetência do governo atual, o agronegócio foi sempre penalizado pela falta de uma política agrícola, que a bem da verdade inexiste ou apenas atende urgências e sem um planejamento adequado. O ministro da Agricultura tem demonstrado um despreparo notório para o cargo. Os produtos do campo tiveram os insumos com valores reajustados acima da inflação por mais de uma década, acentuando-se nos últimos 3 anos. Os juros mantidos em uma taxa altíssima - a maior do mundo - penalizaram os investimentos. O valor de venda dos produtos agropecuários, boa parte para a exportação, ultimamente tem sido penalizado fortemente pela valorização do real. Em todos os setores é uma constância do Governo Lula: só se mexer depois da ''porta arrombada'', isto é, quando o povo vai para as estradas e ruas ou ainda quando morre muita gente, como recentemente aconteceu com a segurança em São Paulo. Lula e seus ministros precisam deixar de fazer campanha e começar a governar. Sou contra a reeleição, pois os mandatários só se preocupam com o populismo e medidas para arrebatar ''currais eleitorais''.
ADALBERTO BRANDALIZE (administrador) - Londrina
Agricultura
Parece até paradoxal que agricultores chorem desesperados pela crise que estão passando, quando as usinas de cana estão aí a todo vapor. É bem verdade que o fenômeno que se deu em 2002/2003, em que um alqueire de terra na região chegou a valer R$ 70 mil reais e uma saca de soja mais de R$ 50, foi um acontecimento quase que irreal, pois o normal seria a performance do agronegócio seguir os demais e ter um crescimento sustentável. O agricultor terá que aprender a diversificar suas culturas, dando lugar ao cítrico, hortaliças, diminuindo as oleaginosas. A cana-de-açúcar é um produto estável. O álcool é um combustível renovável que concorre com eficiência aos combustíveis fósseis, logo tem um preço garantido com aceitação mundial. Portanto, agricultor não é hora de chorar, mas levantar a cabeça e olhar pra frente, que está na terra a solução para resolver o problema energético oferecendo a bioenergia em substituição ao diesel e a gasolina.
ANTONIO PEREIRA (contador) - Londrina
Crise no campo
Quero parabenizar a Folha de Londrina pelos últimos editoriais que relatam de forma independente e transparente o tratamento que é dado pelas autoridades governamentais à crise do campo. Com uma abordagem crítica e bem informada, a equipe da Folha retrata o grande descaso que enfrenta o homem do campo e cobra um posicionamento do governo federal em relação à atividade agropecuária, considerado um dos mais importantes setores da economia brasileira e responsável pela produção de alimentos para a população.
EDSON NEME RUIZ (presidente da Sociedade Rural do Paraná e do Conselho das Sociedades Rurais do Estado do Paraná) - Londrina
Onde está o Wally?
A maioria dos londrinenses, certamente, lembra-se do Wally. Com certeza, também, lembra-se da última eleição municipal, quando muitos de nós votamos, pela primeira vez no PT por termos ficado entre a cruz e a espada. Voltasse o tempo, trocaríamos a espada pela cruz, pois o nosso prefeito além da sua comprovada ''incomPeTência'' administrativa nos faz lembrar muito a figura do Wally.
ADONIRO PRIETO MATHIAS (contabilista) - Londrina
TV Requião
Além da TV Educativa, pertencente ao povo paranaense, ter virado um palanque eletrônico 24 horas para o governador Requião, agora os noticiários da emissora são parciais: só divulgam o que dá conotação positiva à administração pública. A prisão de dezenas de policiais do Estado envolvidos em pedofilia não foi assunto de matéria jornalística: simplesmente abafaram o caso. E quanto à Telesur, do ''revolucionário'' Hugo Chávez, sumiu da grade?
CÉLIO BORBA (artista plástico) - Curitiba
Esporte x saúde
Quero parabenizar o professor José Luciano Tavares da Silva pelo artigo ''Esporte não é sinônimo de saúde'' (Espaço Aberto, 2/6). Tenho um filho que se dedicou ao atletismo, ganhou títulos regionais, nacionais e mundiais e na categoria adulto esteve por muitos anos entre os três melhores do mundo em sua prova. Fez sucesso e, principalmente, o seu treinador que saiu de um modesto estado do Centro-Oeste para ser técnico das seleções brasileiras e grandes equipes de atletismo do Brasil. Tudo isso às custas de meu filho. Como pai, exigia sempre que meu filho estudasse, mas o treinador o proibia de estudar. Por diversas vezes recebia telefonemas do treinador dizendo que os estudos estavam prejudicando o rendimento do meu filho. Mesmo assim, encarei a briga e fiz meu filho concluir o curso de Educação Física. Por ter adquirido sequelas devido às altas cargas de treinamentos quase desumanos impostos aos atletas para que consigam resultados e possam manter o emprego do treinador, meu filho teve uma lesão muito grave no tendão de Aquiles. Fez duas cirurgias sem sucesso que o obrigaram a afastar-se das pistas de atletismo por algum tempo, sendo dispensado da equipe que defendeu por mais de uma década sem nenhum direito ou reconhecimento. Ele está sobrevivendo dando aulas de ginástica em uma grande empresa do Estado de São Paulo. E se eu não tivesse obrigado meu filho a estudar, como seria a vida dele hoje?
NELSON CARLOS FERREIRA (aposentado) - Barbosa Ferraz





