Flanelinhas
Sempre vejo as pessoas reclamando dos ''flanelinhas'', que eles são ameaçadores, exigem pagamento adiantado, que não cuidam do carro como deveriam. Em um país de miseráveis, em uma cidade com alto índice de desemprego, essa é a única alternativa encontrada por muitas pessoas para levar o pão de cada dia aos seus filhos. O que considero uma forma alternativa e honesta de sustento, uma vez que todo trabalho é digno. Em uma situação de desemprego, de fome e sem fonte de renda é melhor que uma pessoa consiga seu dinheiro dessa forma do que assaltando ou traficando drogas. Em um país onde não é garantido a nenhum cidadão o direito a um trabalho formal com carteira assinada, cuidar dos carros estacionados nas ruas deveria ser considerado uma louvável atitude de prestação de serviços. Falta à sociedade revisar seus conceitos e reconhecer o valor de todo o tipo de trabalho, seja ele qual for, e no caso dos ''flanelinhas'' compreender que esse serviço, nesse tempo de desemprego, miséria e criminalidade é uma extrema necessidade.
ALEXANDRE SERRANO LUPPI (desenhista industrial) - Londrina

Inversão de valores
Vemos na TV dezenas de entidades cobrando do governo de São Paulo explicações sobre as mortes de inocentes na resposta da polícia aos ataques do PCC. Só não vemos nenhuma entidade buscando ajuda às famílias dos policiais, bombeiros e agentes assassinados. Sabemos de pais desempregados que não conseguem pagar a pensão alimentícia e de ladrões de galinha jogados nas cadeias superlotadas, enquanto os verdadeiros criminosos, corruptos e corruptores, continuam sambando no Congresso comemorando a absolvição de seus pares. Em Londrina, a sociedade civil elabora o projeto de Segurança Pública, que é de responsabilidade do governo, mas os dois se esquecem dos heróis que se feriram gravemente salvando as vidas de outras pessoas e que hoje não têm dinheiro sequer para pagar seus tratamentos médicos. Assassinos confessos que arquitetaram a morte de suas vítimas aguardando o recurso de suas sentenças em liberdade, enquanto dois policiais militares que tantas vezes arriscaram suas vidas para proteger as nossas estão presos sem terem sido julgados. Se isto for Justiça, de quantos pesos e de quantas medidas estamos falando?
RUBEM CAUDURO (professor) - Londrina

Resgate ferroviário
Sou maquinista ferroviário e realizo um trabalho artesanal de resgate histórico através de miniaturas entalhadas em madeira, de locomotivas a vapor, diesel, pontes, viadutos, estações, etc. Isso ajuda a resgatar e contar parte da história ferroviária em caráter exclusivamente cultural, obra sem fins lucrativo. Trabalho por amor à arte, realizado com recursos próprios e contribuições de pessoas amantes da cultura e preservacionistas. Quem tiver qualquer item que possa contribuir com meu acervo para dar continuidade ao resgate histórico, quer seja fotos, recortes de jornais, revistas, comentários e curiosidades que façam parte da história ferroviária pode entrar em contato comigo pelo e-mail [email protected].
LUIZ JORGE ULINIKI (maquinista ferroviário) - Porto União (SC)

Meio ambiente
Estudo nacional do Vox Populi mostra que a consciência ambiental do brasileiro aumentou. No entanto, não reverteu em mudança de comportamento. Poderíamos supor que esta contradição tem origem na forma de como os problemas ambientais são abordados pela mídia, escola, empresa e governo. Como outros países lidam com a questão ambiental? Será que exemplos estrangeiros servem para nós? Viola, uma simpática senhora berlinense de 60 e poucos anos, veio nos visitar. Ela se surpreendeu com a limpeza no aeroporto em contraste com a sujeira, confusão e sinais de pobreza nas ruas, parecida com há de 20 anos quando veio pela primeira vez. Viola, apesar de não gostar de ambientalistas, ter horror do Partido Verde e ser consumista assumida, nos perguntou sobre passarinhos, plantas, índios, negros, era curiosidade sem tamanho. Todo dia o nosso passeio pela cidade ganhava ares de uma grande aventura. Andávamos a pé e curtíamos os cheiros, gostos, cores e comportamentos que ganhavam vida nova pelo olhar estrangeiro. Sentíamos orgulho de termos atrações e ficávamos pensando, depois da partida da Viola, sobre como chamar atenção das pessoas para as nossas descobertas. Novos olhares para o ambiente próximo, não devem ser só possíveis com a presença de alguém de fora. No Dia do Meio Ambiente, poderíamos brincar de guia turístico e mostrar para alguém desconhecido as belezas da nossa rua.
DANIEL STEIDLE (educador ambiental) - Rolândia

'Código Da Vinci'
O filme ''O Cógido Da Vinci'' ataca pesado contra a ilibada imagem divina de Jesus: sugere que Cristo teria mantido um caso amoroso com Maria Madalena tendo uma filha com a mesma e, consequentemente, Deus teve uma nora e uma neta. Outros filmes anteriores também tiveram a petulância de atingir a imagem de Cristo, só faltaram dizer pelo instrumento da ficção que o Filho de Deus ou próprio Deus foi ladrão de cavalo. É triste observar como a maldade impera em nosso meio, exerce influência, dita normas, recebe prêmios e recheia os bolsos de alguns.
ANGELO DIAS (militar da reserva) - Apucarana

mockup