Fora Rodrigues

Em entrevista do dia 24/5 o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, demonstra claramente por que estamos em crise na agricultura. O ministro faz uma absurda separação entre seu Ministério e o governo. Não vejo como isto é possível. Quando perguntado sobre quais seriam as medidas estruturais a serem adotadas no pacote do dia 25/5 diz: ''Não tenho ainda prontas (as medidas)''. Após três anos e meio e tendo nascido agricultor, o ministro não sabe o que propor e diz não ser governo. No pacote agricultura publicado, as medidas estruturais são a adição de óleo de soja ao diesel, que foi descoberto há 15 dias pela Petrobras, e um ineficiente seguro rural. Muito pouco. A sua incompetência e fragilidade foram expostas. O mínimo que ele deveria ter feito era ter pedido demissão há muito tempo, talvez assim os fatos e propostas estruturais já teriam sido apresentados por alguém mais competente.

RICARDO GONÇALVES STRENGER (agricultor) - Londrina


Copa e anestesia

Absolutamente tudo o que há de mais perverso nessa terra, é absorvido naturalmente por nós, principalmente em ano de Copa do Mundo. Nada mais nos causa indignação. Convivemos pacificamente com Valerioduto, mensalão, PCC, atentados, indústria da multa e até com a expropriação de empresas nacionais. Boa parte dessa passividade é oriunda da esperança que é regada de quatro em quatro anos, ou seja, a simples possibilidade de ganhar um caneco anestesia o país, favorecendo os lesa-pátria. Resta àqueles que acreditam no país vestirem-se de verde e amarelo e torcer, torcer muito para que a seleção seja eliminada logo na primeira fase, assim, quem sabe, o país volta a andar.

ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina


Cine Com-Tour

Quero parabenizar o Cine Com-Tour pela iniciativa de presentear Londrina e região com filmes inteligentes, instigantes e que levam à reflexão, saindo da linha comercial dos outros cinemas que apresentam somente filmes do circuito nacional, geralmente, americanos e, não raras vezes, medíocres. Até que enfim, Londrina tem um cinema à altura de uma cidade universitária. Filmes assim, antes, só pederíamos assistir se fôssemos a São Paulo. Londrina e região têm um público intelectualmente capaz de valorizar esta iniciativa. Todos os filmes ali apresentados são imperdíveis. Não é preciso nem olhar antes a programação. Nunca há decepção, pois como obras de arte, encantam, comovem, instigam, transformam. Parabéns, UEL e Cine Com-Tour.

CLAUDETE DEBÉRTOLIS RIBEIRO (professora) - Cambé


Obrigado, dom Albano

Após servir a Arquidiocese de Londrina durante 14 anos, dom Albano se afasta de sua função e, como bispo emérito, com certeza, continuará a exercer seu ministério sacerdotal com a mesma dedicação e ardor missionário. Podemos afirmar, com convicção, que dom Albano é um homem de Deus, um apaixonado pela oração e pela eucaristia, por isso, profundamente humano, amigo do diálogo e defensor da dignidade humana. Dom Albano deu o máximo de si para cumprir bem sua missão e nós somos testemunhas disso. Vamos nos lembrar sempre de suas pregações tão catequéticas, densas e, ao mesmo tempo, simples e profundas. As equipes de Nossa Senhora agradecem de coração, dom Albano, pelo apoio que recebemos, pela amizade e confiança que nos dedicou, enfim, somos realmente gratos por tudo que o senhor realizou em favor de nossa Igreja.

LÉLIA OKANO RILLO (professora) - Londrina


Pedro Simon

Finalmente surge uma esperança para o eleitorado brasileiro nas próximas eleições presidenciais: Pedro Simon. Se de fato confirmar sua candidatura, o eleitor agora não poderá alegar que votará nulo ou em branco por falta de opção. Simon é um dos raros políticos do país que possui uma reputação ilibada, além de sempre tomar uma posição em questões que todos ficam em cima do muro. O que não ajuda é o partido em que se encontra, que está repleto de elementos com conduta contrária à sua.

HABIB SAGUIAH NETO (aposentado) - Marataízes (ES)


Vida digna

Como falar em dignidade quando nem sei o que é viver? Não saber ler, escrever por acaso faz alguém digno? Fome, frio, medo, desprezo, com isso convivo. O que é essa dignidade que tanto falam? Falar em dignidade do alto de seus prédios é muito fácil. Queria ver os senhores revirando lixo para sustentar a família. Na arte de falar posso não ser muito hábil, mas a ''arte'' de viver pratico com maestria. A Constituição tem um texto lindo, fala em direito para todos, mas não para um mendigo coitado que vive no mundo dos excluídos. Uma classe criada por vocês mesmos, que agora dizem querer protegê-lo. Seria isso uma culpa, um remorso? Ou será apenas uma forma de engrandecer-se? Fazer sua glória à custa de miseráveis? Espero sim a ajuda, mas não quero que alguém me carregue para que possa sentir-me capaz e não mais um inútil como fez de mim a sociedade. Sim, eu tenho uma vida digna, muito mais digna que a de vocês. Não por posses nem por status, mas pela minha honra que ninguém me deu, mas sozinho conquistei com minhas lutas para superar meus próprios limites. Desejo melhorar cada vez mais, mas não sonho em conquistar o mundo. Deixei isso para os sonhadores. Meu único sonho é viver bem, ser alguém, e não mais um número nas estatísticas. Quero conquistar meu mundo, onde possa ser reconhecido, por onde eu passar as pessoas me digam oi, ao invés de esconderem suas bolsas. É por isso que luto, não por dinheiro, mas por direitos que eu deveria ter, mas que me foram negados. Esta carta serve de voz aos vários cidadãos excluídos da sociedade.

FLAVIO AUGUSTO ODIZIO (estudante de Direito) - Londrina

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