CARTAS
Desrespeito
Chego à conclusão que pagamos plano de saúde para sermos desrespeitados na hora em que mais precisamos. No último sábado, eu e meu filho de 8 anos tivemos um acidente doméstico (ele bateu a cabeça num pilar de concreto). Corremos ao Hospital Evangélico e, para minha frustração e indignação, estava lotado. Como pode um hospital ''particular'' estar lotado com apenas dois funcionários fazendo o atendimento e apenas dois médicos de plantão numa cidade de mais de 600 mil habitantes? Fui mal-atendida, fiquei três horas sentada numa cadeira e quando perguntei se havia um leito disponível, a resposta foi a seguinte: ''Será necessário retirar um paciente para acomodar o seu filho''. Será que merecemos esse descaso?
FERNANDA ELISA QUINTEIRO (bibliotecária) - Londrina
Inversão de valores
É incrível como se invertem os valores no Brasil. O médico, por exemplo, presta o vestibular mais concorrido de todos e passa por um dos mais longos períodos de estudo num custo altíssimo. Trabalha muito, atende e cura milhares de paciente, e quando tem uma falha é chamado de incompetente, é processado, podendo até ser impedido de exercer a profissão. O professor também precisa ter curso superior, ser concursado, participar de cursos e mais cursos de aperfeiçoamento, mas não pode exigir condições de trabalho nem salário digno. O policial arrisca a vida o tempo todo para nos dar segurança, mas nunca é manchete, ao contrário de alguns bandidos famosos. O lavrador é responsável pela nossa alimentação, mas é visto como um ''coitado'' ignorante. No Brasil é status ser cantor, jogador de futebol, dançarino de axé, político. Quem rouba, dependendo da quantidade, nem vai para cadeia e, se for, logo sai e aparece em todas as TVs rindo da nossa cara. Você já pensou o que seria deles se fizéssemos greve?
ELIAS FRANCISCO DO PRADO (professor) - Figueira
Garotinho
O senhor Antony Garotinho está fazendo greve de fome por reivindicações e verdades. Já imaginaram se o pessoal do PT fizesse greve de fome reivindicando que a população brasileira acreditasse na inexistência do mensalão? As indústrias de caixões, com certeza, teriam que fazer hora extra.
ADONIRO PRIETO MATHIAS (contabilista) - Londrina
Exame da ordem
Gostaria de externar minha opinião sobre a enquete da Folha ''Você acha que as outras profissões também deveriam exigir uma avaliação semelhante ao exame da OAB para os advogados?'' O ensino público vive uma situação caótica; é enganador. Os educadores se defrontam com situações adversas fazendo papel de padres, pastores, advogados, conciliadores, pais e, não raras vezes, do pelotão de choque. O ensino-aprendizagem ficou forçadamente para um outro plano. E daí, para absorver a demanda dos ''despreparados'', proliferam-se as faculdades particulares. Com raríssimas exceções, estas atuam como verdadeiras desembocaduras de privilegiados em busca de um ''canudo'' e, pior, autorizadas e reconhecidas pelo MEC. Por isso, acho que ao final de qualquer curso superior deveria ser obrigatório que os formandos fossem submetidos ao mais rigoroso exame de avaliação.
LUIZ ALBERICO PIOTTO (funcionário público) - Cambé
Despotismo
Diante de tanta corrupção, o brasileiro parece ter se acostumado a ver tantos casos não resolvidos. Os parlamentares encontram saídas estratégicas para escaparem da punição. Fazem da política uma troca de favores em que os próprios beneficiados não é a democracia nem tampouco o país, mas sim a obstinação de permanecer no poder. Assim, trocam acusações, brigam, comemoram e nós assistimos tudo acabar em pizza. Estamos à mercê de despóticos denunciando uns aos outros sem se importarem com o futuro da política econômica, com o crescimento e melhoria do país. O alvo é formar opinião contra o atual governo para a arbitrariedade ser deles. A oposição não é limpa para se disfarçar de políticos benignos. Devemos ficar mais atentos ao Congresso Nacional, aos poucos bem-intencionados, porque os despóticos conseguem manipular a população, principalmente a mais pobre que se deixa levar por uma cesta básica ou uma ajuda financeira momentânea, além daqueles mal-informados que se deixam levar pela notícia distorcida dos fatos.
VALDINEI APARECIDO TEODORO (microempresário) - Londrina
Punição exemplar
Estamos vivendo um momento atípico. Uma meliante que em conjunto com o namorado e o irmão dele planejaram uma morte brutal para seu pai e sua mãe e, por passar algumas horas algemada numa delegacia, é defendida por um dos grandes vultos do mundo jurídico e confunde um ato justo com tortura. O mesmo tem ocorrido com o maior traficante do Brasil, que muda de cadeia a cada seis meses e suas viagens são de avião ou helicóptero custeadas pelos contribuintes. Se hovesse possibilidade jurídica, elementos como Suzane von Richthofen deveriam ser deportados para a Indonésia (tolerância zero e gasto zero). Que peninha da santíssima Suzane. Ela só participou de um crime horroroso: matar os próprios pais e agora temos pessoas falando em direitos humanos diante de um crime tão bárbaro como este. Espero que ela vá logo enfrentar a Justiça, pois o júri composto de homens e mulheres de bem saberá colocá-la no devido lugar.
ANTONIO SAMPAIO DE ANDRADE (aposentado) - Londrina





