CARTAS
Farmácia Popular
Sou diabético tipo 1 (insulinodependente) e fui verificar os medicamentos em uma farmácia cadastrada. Este programa Farmácia Popular é simples campanha eleitoral, pois os remédios que constam na lista são os mesmos que a gente pega gratuitamente na Vila da Saúde. Os medicamentos que a Vila da Saúde não entrega (que são muito caros) não estão disponíveis no Farmácia Popular. Conclusão: para sobreviver, sou obrigado a continuar gastando R$ 400 por mês (dinheiro que faz muita falta). Nossos direitos constitucionais não são respeitados neste país.
RODRIGO EDUARDO ZAMBON (técnico elétrico) - Londrina
Fila nos bancos
Quero me solidarizar ao escritor Domingos Pellegrini Jr. sobre a sua indignação na demora no atendimento nos bancos. Estas empresas foram as que mais ganharam no governo Lula, aliás nunca lucraram tanto. E apesar disso, não fazem o menor esforço para tentar cumprir o que determina o Código de Defesa do Consumidor e tampouco tratar humanamente o povo. Pelo contrário, a famigerada Febraban tenta na Justiça afastar a aplicação do Código, que mesmo sendo descumprido continua em vigor para os demais mortais. Pelo posicionamento reacionário e reticente do atual governo federal, é possível se concluir sem muito esforço que irão conseguir livrar-se do CDC. Aqui em Londrina existem muitos multadores no trânsito, perseguidores de camelôs, multadores da dengue, mas pouquíssimos fiscais no Procon. Por que será? Cidadania neles! Valeu Domingos!
TITO VALLE (advogado) - Londrina
Prisão de médico
Gostaria de parabenizar o Ministério Público pela prisão do dr. José Carlos da Costa, um profissional que vinha agindo de forma irresponsável e antiética. A prescrição de anorexígenos em conjunto com outros compostos, com fins de emagrecimento, é vetada aos médicos brasileiros por força da Resolução 1.477/97 do Conselho Federal de Medicina e da Portaria 344/98 do Ministério da Saúde. Infelizmente, ainda é comum, levada a cabo por médicos que não se preocupam com a saúde integral do paciente mas apenas com o lucro financeiro fácil. Espero que essa prisão sirva de exemplo para coibir essa prática, já que a fiscalização oficial vem sendo inefetiva. Entretanto, uma correção: o dr. José Carlos da Costa não é e nunca foi endocrinologista, pois não tem título de especialista reconhecido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia, e, se faz uso dessa titulação, é de forma indevida.
LEANDRO ARTHUR DIEHL (médico) - Londrina
Sem vergonha
Na edição do último domingo a Folha publicou carta do servidor Aldo Boaretto Netto ''pedindo perdão'' a amigos e parentes pelos ''muitos anos pedindo para votarem e divulgarem o PT''. O ''arrependido'' se declara com vergonha. É estranho porque, salvo um improvável caso de homônimos, o pefelista Aldo Boaretto Netto foi candidato a vereador em Tamarana pela coligação PFL/PSL, em 2004, certamente não ''pedindo'' votos para o PT. O cidadão teve 102 votos e integrava a coligação ''Unidos por Tamarana'' - que ajudou a eleger o prefeito Beto Siena na eleição majoritária -, adversária da coligação derrotada Tamarana para Todos, integrada por PT, PTB e PPS.
MARCOS CÉSAR GOUVEA (jornalista) - Londrina
A cruz
Choca e escandaliza olhar para o Cristo crucificado. Nele vemos nossas culpas por omissões e atos do nosso jeito de viver. Sabemos que os pensamentos que mais frequentemente habitam nossa mente são os que determinam nossas ações e reações. Choca mais ainda o momento que Cristo se sentiu abandonado, Ele que é Deus. Agradaria muito a Ele saber que que há dentro de nós um desejo de mudar, de ser melhor, arrependimento. Dirijo esta mensagem a todos mas, especialmente à classe política dos poderes Executivo e Legislativo em todos os níveis, porque me parece que, apesar das evidências, não há nenhum arrependimento, não há sequer a boa vontade de admitir o ''pecado''. Acho até que não estão preocupados com este tipo de salvação. Estão, na verdade, unidos salvando-se uns aos outros com unânimes mentiras.
OSVALDO MARCONATO BOSI (microempresário) - Ibiporã
As duas faces
Diz uma velha música do Jorge Benjor: ''Morre o burro, fica o homem''. Mas para uma boa parte dos políticos brasileiros, caberia uma inversão desse refrão: ''Morre o homem e fica o burro''. Será que essa corja nunca ouviu falar que não há crime perfeito e que mais dia menos dia as falcatruas que aqui cometem virão à tona. E eles jogarão seus nomes na lama, estarão trazendo transtornos aos seus familiares, deixarão nosso país em situação delicada no exterior e o eleitor cada vez mais indignado com essa malfadada classe. Para esses políticos, deixo uma frase de Confúcio: ''Num país bem governado deve-se ter vergonha da pobreza, num país mal governado deve-se ter vergonha da riqueza''. Essa inversão musical cabe também para uma parte dos eleitores. Pois os mesmos numa próxima eleição estarão trocando seus votos por um saco de cimento ou por outros favores, e novamente elegendo o político salafrário, o que transforma-se num círculo vicioso: o político é reeleito, rouba novamente, e o eleitor passa a reclamar de quem ele mesmo elegeu. Para esses eleitores, deixo um velho ditado chinês: ''Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher o que plantamos.''
PAULO CLEMENTE MARCOS (artista plástico) - Londrina





