Dança do ridículo

Ao ver as imagens da senhora Ângela Guadagnin (PT-SP) dançando no plenário da Câmara ao perceber que seu colega João Magno (PT-MG) seria absolvido no processo de cassação, brotou sentimentos que jamais tinham aflorado em mim: de frustração e decepção de ser cidadão brasileiro, não pelo país que amo profundamente, mas pelos políticos. Por mais que acreditemos que um dia o Brasil possa definitivamente mudar e ser merecedor de respeito, atitudes como a da deputada faz-nos perceber que será muito difícil e sofrido conseguir reverter essa situação caótica na qual vivemos. Que os eleitores possam lembrar na hora do voto da ''dança do ridículo''.

JULIANO DE SOUZA SANTOS (contador) - Londrina



Dança da pizza

Dentro de alguns dias teremos o encontro de duas forças: uma como relatora no Conselho de Ética (a deputada bailarina), o outra como réu mensaleiro (o deputado do PP do Paraná), ambos com dezenas de processos pendentes nos tribunais superiores com motivos bastante semelhantes: corrupção, apropriação indébita de dinheiro público, etc. Esses processos se arrastam mas como nossa Justiça é ''imparcial'' nenhum dos dois foi ainda citado, embora existam provas cabais de suas falcatruas. Como têm sido exemplares as punições, provavelmente teremos uma festa junina com a absolvição de mais um.

DARCY BRAZ GUEDES (mecânico) - Londrina


Dança petista

A opinião pública começa perceber toda a farsa que se montou para blindar o presidente Lula no maior escândalo de corrupção de nossa República. O ''eu não sabia'', os habeas corpus impedindo investigações rápidas e consistentes, os sigilos bancários não-quebrados de elementos-chaves e as bravatas do presidente de que ''nunca se investigou tanto no Brasil e que todos os culpados serão responsabilizados''. Ficamos perplexos ao assistir a intensa marmelada no Congresso Nacional quando um a um dos deputados envolvidos na roubalheira vão se safando com a deslavada absolvição. É toda uma orquestração montada que tem uma única finalidade: dar a Lula e ao PT mais quatro anos de mandato. Mas o que nos deixou indignados foi o comportamento da mais legítima representante do petismo: a deputada federal Ângela Guadagnin, que criou todos os obstáculos nas investigações. A deputada comandou a absolvição de mais dois mensaleiros, vibrou e dançou alegremente no plenário. Dançou só, não encontrou nenhum parceiro com coragem de publicamente demonstrar tanta felicidade. Quem teria coragem de dançar com a deputada?

WALTER COSTA BARROZO (cirurgião dentista) - Londrina

Dança da impunidade

Tão logo ficou claro aos primeiros minutos da madrugada da quinta-feira passada que a Câmara salvaria o mandato do deputado João Magno (PT-MG), acusado de ter recebido grana de Marcos Valério, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) protagonizou uma inesquecível cena de falta de respeito. Ela deixou o lugar onde estava sentada e saiu dançando para manifestar sua alegria com a absolvição do colega de partido. A dança no plenário dá uma medida da absoluta falta de vergonha que contaminou a Câmara dos Deputados. Dos 19 mensaleiros apontados pelas CPIs dos Correios e da Compra de Votos, 11 escaparam da condenação quatro porque renunciaram e poderão ser candidatos este ano, sete porque foram absolvidos. Estes são tempos de deplorável frouxidão moral e de degradação dos costumes políticos do país.

CARLOS RACHID (comerciante) - Londrina



Pobre educação

Por que a educação no Brasil é uma das piores? Sou estudante de escola pública e fiquei sabendo que cada estudante custa R$ 40 mensais para o governo. Isso contando em média os salários dos professores e os gastos físicos da escola. Agora, se o Estado tem a capacidade de ''valorizar'' seus ''queridos'' detentos com a média de R$ 900 por mês, nem precisamos fazer pesquisas para saber de dois fatores: a criminalidade e o analfabetismo. É o valor que governadores, deputados, prefeitos, senadores e presidentes dão ao povo. Bandido no Brasil é mais valorizado que estudantes e professores.

VINÍCIUS ELIUD GONÇALVES (estudante) - Londrina


Hospital do Câncer

Gostaria de, em primeiro lugar, ser solidária à dor da leitora Bernadete Aparecida dos Santos Campana em sua carta do dia 20/3. Fico, entretanto, com a impressão de que ela precisava expor a dor de sua prima, e assim o fez, mas sem conhecer o ''outro lado da moeda''. Pareceu-me que ela não percebe o imenso esforço que todos, médicos, atendentes, enfermeiros e voluntários despendem para que o Hospital do Câncer funcione e possa atender a todos, sejam de Londrina ou região, indistintamente. Há um ano fui internada lá para uma cirurgia. A sensação que tive, não fosse o estigma da doença me cercando, é de que estava em casa, com cuidados dia e noite. Atendentes e enfermeiros, corpo clínico e médico não mediram esforços para que eu me sentisse bem. Se na época não tive oportunidade de fazê-lo mais extensivamente, fica agora, aqui, o meu muito obrigado. Para Bernadete, o conselho de que pense: o médico podia estar atendendo alguém necessitado de uma cirurgia e, por exemplo, não ter dormido a noite toda. O atraso acontece, talvez, por ser um hospital que atende toda a região, não só Londrina. Será que o governo atenta para isso e contrata médicos suficientes para atender à demanda?

KAREN AOKI ROMERO (professora) - Londrina

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