CARTAS
UEL e descaso
Não, a culpa não é de Deus. A culpa não é da chuva e nem da infiltração. Enquanto a primeira explicação é metafísica e vaga demais, a segunda é imprecisa e a terceira na verdade se mostra consequência de outros problemas mais graves e complexos: o descaso com a manutenção e investimentos nas universidades estaduais do Paraná. Nós, da comunidade universitária, já estamos cansados dessa vergonha que nos afronta todos os dias, com carteiras quebradas, mictórios destruídos e goteiras e infiltrações nas salas de aulas e corredores dos centros. Vejo um futuro sombrio caso as autoridades responsáveis pela manuntenção da universidade não tomem medidas efetivas e objetivas, ao invés dos métodos paleativos que imperam na manutenção de toda a estrutura universitária. Queremos uma vida acadêmica saudável e bem estruturada, chega desse descaso absurdo.
GUSTAVO HAKIME CONTINI SILVA (estudante) - Londrina
Tragédia na UEL
Em nome de todos os estudantes da UEL, gostaria de deixar meus sentimentos à família do jovem João César Eugenio de Boscoli Rios e a todos os feridos no último domingo devido ao desabamento da marquise no Cesa. Uma sensação de tristeza e revolta me levou a escrever e alertar que inúmeros problemas ainda existem e necessitam ser solucionados sob pena de acarretarem em consequências trágicas. Represento apenas um dos mais de dez mil estudantes da UEL e, por estudar no Cesa, sempre participei de palestras e simpósios no anfiteatro. Aparentemente, o lugar parecia conservado quando comparado às inúmeras construções da UEL. As goteiras aparentes em dias de chuva no anfiteatro eram problemas ínfimos quando comparadas às rachaduras existentes nas salas de aulas e à falta de estrutura física de nossa universidade. No prédio de Direito, existem rachaduras perto das portas e a arquitetura é desfavorável a uma qualidade mínima de aprendizado. As escadas de acesso são estreitas, as salas possuem acústica péssima e as goteiras são constantes. Nos andares superiores do prédio do CCH, as escadas são extremamente estreitas. Numa situação emergencial, essa falta de precaução ocasionaria em graves consequências. Os maiores prejudicados pela precariedade das construções são os deficientes físicos. Está mais do que claro que a UEL necessita urgentemente de uma vistoria geral e de reformas que se adaptem às mínimas condições exigidas.
WILLIAN OGUIDO OGAMA (estudante de Direito) - Londrina
HU e prontidão
Infelizmente, foi em um momento triste que mais uma vez reconhecemos a competência e boa-vontade dos plantonistas, docentes, médicos residentes, enfermeiros, auxiliares, internos e demais integrantes da equipe do Hospital Universitário (HU), que prontamente deixaram seus lares, familiares ou amigos, em pleno dia de descanso e se somaram aos que estavam de plantão, para prestar socorro às vítimas do desabamento ocorrido no Anfiteatro do CESA, no Campus da UEL, no último domingo. A tragédia nos pegou de surpresa e acreditamos que também a todos a quem recorremos em busca de apoio para amenizar o sofrimento de cada um dos envolvidos. Porém, graças ao empenho dos colegas de trabalho, nenhum segundo foi desperdiçado a partir da chegada das primeiras vítimas. Foi comovente ver um verdadeiro mutirão de profissionais realizando um excelente trabalho com o objetivo de salvar as vidas de vários jovens que, de uma hora para a outra, se viram envolvidos em um grave acidente e, se não bastasse, longe de seus familiares. Alguém mais desavisado diria que não fizemos mais que nossa obrigação. Mas seria injusto e simplista demais concordar com isso. Acreditamos que nessa hora de sofrimento e dor, a competência é extremamente importante mas, uma dose extra de boa-vontade e prontidão, dentro de um hospital, chega a fazer milagres. Com muito orgulho de fazer parte da equipe deste hospital, só nos resta agradecer a todos que participaram desse momento.
FRANCISCO EUGÊNIO ALVES DE SOUZA (diretor-superintendente do Hospital Universitário) - Londrina
Mal atendimento
No último dia 10, fui até a Subdelegacia Regional do Trabalho de Londrina para fazer a rescisão trabalhista de um funcionário. Conforme orientação recebida, o representante patronal e o trabalhador devem estar lá até as 12h30 para, juntos, retirarem a senha de ordem de atendimento pelo auditor. Entregam no máximo 20 senhas por dia. Exatamente às 12h30 retiramos a número 16. Às 13h30 ainda não tinha chegado o auditor que deveria ter começado atender às 13h. Fomos atendidos às 15h30, após três horas de espera e tempo perdido. É um absurdo tanta demora para um máximo de 20 atendimentos. Como o cidadão é mal atendido em muitos setores públicos! É extorquido com altos impostos que, além de não garantir suas necessidades básicas, ainda sustenta uma máquina pública morosa, pouco eficiente e que o trata com descaso chegando ao cúmulo do desrespeito. Até quando a população vai suportar isso? Quando haverá mais dignidade, cortesia e cordialidade na maioria dos setores públicos?
ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS (padre) - Londrina
Uma brasileira
Dona Maria, tem 55 anos de idade, é anêmica, tem esporão no pé, um marido doente, pesa 32 quilos, usa óculos grande, uma saia verde e uma camisa amarela, mas tem esperança, fé em Deus e um sorriso de criança. Tem aluguel atrasado para pagar e muitas goteiras em casa. Tem um carrinho de catar papelão e mede no máximo um metro e meio de altura, e tem muita bondade no coração. Ela também tem bursite e vontade de se aposentar um dia... Ela é brasileira, tem uma saia verde e uma camisa amarela, mas merecia muito mais.
CÍCERO DE OLIVEIRA JÚNIOR (estudante) - Cambará





