CARTAS
Imoral
A meu ver, advogados que defendem evidentes responsáveis por crimes hediondos como estupros, latrocidas, patricidas e infanticidas estão praticando a Justiça de forma imoral, antiética contra a sociedade e desumana. Não posso aceitar as costumeiras desculpas que sua profissão os leva a isso, como defensores públicos, porque acredito que uma pessoa possui livre-arbítrio de não aceitar posicionamentos que firam seus conceitos morais, éticos, religiosos e sua consciência humanitária. Ninguém pode ser obrigado a praticar atos contra seus princípios. Considero que criminosos como uma mãe que atira a filha num lago, dentro de um saco de lixo para que morra afogada ou comida viva por peixes ou animais, não merecem ser defendidos por ninguém. Advogados que defendem criminosos como esses, são imorais, mercenários e tão criminosos quanto os que praticam os crimes.
PATRÍCIA CHUBACI (designer) - Londrina
Nordestinos
Com relação à matéria ''Sotaque arrastado no Paraná'', publicada pela Folha no último domingo, certamente a pesquisa do músico nordestino Maérlio Fernandes Barbosa, radicado em Curitiba, demonstrará que há muito mais que 2% de nordestinos compondo o Paraná. Também há de deparar-se com a imensa quantidade de negros e índios cujos objetos aguardam no Museu Pe. Carlos Weis, um estudo detido, um apadrinhamento (tal como os demais objetos em exposição). Certamente, a pesquisa demonstrará que ao lado dos braços imigrantes, tão propagadores da ética do trabalho, os nordestinos empenharam a força dos braços que os sustentam apesar de todas as adversidades (incluindo a falta de investimentos públicos e privados no Nordeste, o que os faz retirar-se, ser retirantes). Trabalho é o nome do nordestino que trouxe para o Paraná apenas a potência de seus braços e nenhuma herança de capitais para multiplicar. A pesquisa certamente contribuirá para derrubar por terra esta mentira histórica que produz a eterna imagem de um nordestino preguiçoso.
ELZA PEIXOTO (professora) - Londrina
Deputado aposentado
Perfil do protagonista desta pretensão. Ainda moço, político dos mais polêmicos, de uma audácia e uma voracidade pelo poder jamais vista em nossa terra. Habilidoso, conhecedor profundo das coisas públicas, especialista em aposentar políticos adversários com sua espantosa capacidade de montar esquemas eleitorais, graças também às facilidades que um homem milionário tem em circular por todo o submundo da política. Quem poderia imaginar que este homem humildemente pedisse para sair da cena política através de um expediente jurídico jamais tentado por alguém. Não poderia ser outro senão o deputado José Janene. Toda a inteligência política do país esperando o fim da atribulada carreira deste cidadão, mas não desta maneira melancólica. Nas mãos de nossas autoridades o futuro deste parlamentar. Uma aposentadoria por invalidez, ninguém tem o direito de opinar. É uma decisão de foro íntimo. Mas usar este argumento para fugir de uma cassação de mandato e ainda mandar a conta para a socidade pagar, aí é demais.
WALTER COSTA BARROSO (dentista) - Londrina
Votar pra quê?
No meio de tanta palhaçada, pergunto por que eleger deputados? Para brincar com nossa cara após eleitos? Deve ser para isso que os paranaenses votaram em certo deputado que tem a cara-de-pau de dizer que está de licença médica, por isso não pode responder ao processo onde é acusado de descaradamente receber mensalão, ou seja, roubar dinheiro público. Vale a pena lembrar que a verba parlamentar ele está recebendo e usando sem nenhum problema. Esse é o Brasil, enquanto doentes morrem na fila do INSS esperando por uma perícia para que lhes sejam concedidos um mísero salário mínimo, o deputado tem a perícia aos seus pés na hora que quiser.
CLAUDECI APOLINARIO DA SILVA (consultor de vendas) - Bandeirantes
Não ao barulho
Parabéns à Folha pela matéria e pelo Editorial sobre o problema de excesso de barulho em Londrina. O problema é de ordem nacional, mas tem que ser atacado com firmeza em cada cidade. Há uma semana ''Veja'' publicou um artigo (coluna do Cláudio Moura Castro) sobre o problema, de âmbito nacional, do excesso de barulho no Brasil. Na ''Veja'' desta semana há uma demonstração da importância do tema: o artigo foi o que gerou o maior número de correspondências (107) dos leitores. Em Londrina a situação é caótica, com alguns espasmos fiscalizatórios do IAP mas sem nenhuma ação coordenada e de longo prazo. O excesso de barulho é de responsabilidade da Prefeitura (código de posturas), do IAP (legislação ambiental) e do Detran (quando envolve veículos). Mas esses órgãos não agem de forma coordenada, não há esforço educativo e nenhuma ação sistemática de punição dos infratores. Não há também uma clara indicação sobre onde reclamar ou denunciar: IAP, Prefeitura, Detran, Polícia Militar ou onde mais? Deveria ser estabelecido um mecanismo para o recebimento de reclamações que funcionasse 24 horas, com um telefone e um endereço eletrônico, ou seja, um ''Disque Denúncia'' específico e que gerasse uma pronta intervenção das autoridades, de forma que a lei fosse cumprida.
PAULO VARELA SENDIN (engenheiro agrônomo) - Londrina
Correção
- As informações do gráfico que ilustra a reportagem ''Custo da cesta básica cai 9,99% em Londrina'', publicada na capa de ontem da Folha Economia saíram invertidas. Na verdade, o tomate e o açúcar foram os dois produtos que tiveram alta. Os outros itens da cesta tiveram queda nos preços.





