CARTAS
Como no Velho Oeste
Ao chegar, o forasteiro se depara com um ambiente desolador: ruas desertas, um ar de abandono. É o caos. É assim que se sente quem chega a Londrina. O ''xerife'', por não ser do ramo, além de nada fazer, não sabe orientar seus auxiliares para uma atuação política focada na realidade e direcionada a defender os interesses da população, como o que acontece em ''salloons'' (pontos de festas) da cidade. Ali são resolvidos os interesses comerciais e realizadas comemorações, convenientes ou inconvenientes, sem qualquer consideração, seja pelo local, horário, meio ambiente, vizinhos, autoridades etc. Os moradores da região do Lago Igapó que o digam. Enquanto ainda ecoam os justos impropérios dos prejudicados pela irresponsabilidade dos festeiros prepotentes, outro grupo egoísta (seriam grupos?), também de estreita mentalidade, na mesma zona residencial de alta densidade populacional, muito próximo do primeiro tiroteio, resolve contratar bandas para infernizar aqueles mesmos moradores, sem lembrar que bebês, doentes, idosos, inclusive clínicas médicas e hospitais carecem de maior atenção e respeito. É sabido que vivemos em estado de direito, logo o império da lei rege interesses comunitários. Se o poder público inexiste, a quem o cidadão deverá se reportar diante de abusos?
CARLOS ROBERTO MIRANDA (administrador) - Londrina
Abandono
Recentemente estive próximo ao Lago Cabrinha na zona norte vi e não acreditei: um abandono só. Algumas ruas da cidade repletas de buracos tomam conta do cenário londrinense. O Lago Igapó 2 com um trecho sem iluminação e, para complicar ainda mais, o trânsito está um verdadeiro caos. Será que falta gente comprometida com a cidade ou será que essas pessoas que ocupam cargos importantes não estão nas verdadeiras posições? Talvez, por imposição de acertos políticos, o que seria uma lástima. Aonde estará o prefeito ''empreendedor'' que Londrina merece ter com grandes obras, como viadutos, passagens subterrâneas, parques industriais, centros técnicos? É lamentável quando me deparo com essas enormes rotatórias, lugar de vários conflitos e colisões. Conheço muitas cidades e asseguro que nossa bela Londrina está muito atrasada, esquecida no tempo, caminha a passos lentos, mas que possui gente firme, honesta e muito trabalhadora e que futuramente retomará o desenvolvimento que a cidade tanto merece.
ELVIS DOUGLAS BRANTEGANI (empresário) - Londrina
Transporte
Quando atendo meus pacientes, tenho a liberdade de expressar meus sentimentos quanto à situação das pessoas que vendiam passes na entrada do Terminal Urbano de Londrina. São pais e mães que deveriam nascer cidadãos e cidadãs, porque é papel do Estado garanti-los, uma vez que precisam daquela fonte de renda. Num extemo desespero, este pai ou mãe até rouba para sobreviver. A política pública municipal de transporte coletivo não poderia permitir a colocação de um funil em forma de grade penitenciária de maneira a oprimir e inibir a venda de passagens, pois o prédio é público e quem mantém a sua estrutura é o contribuinte e tampouco definir a quantidade mínima de compras ao usuário. Como fisioterapeuta e deficiente visual, peco a Deus que abra os ''olhos'' dos nossos governantes para esta importante questão social.
JOSÉ GIULIANGELI DE CASTRO (fisioterapeuta e deficiente visual) -Londrina
Cheques
Concordo que a crise é grande, mas usá-la como desculpa para o estelionato e má-fé já se constitui em mau caráter e bandidagem. Existe uma parte de ''cidadãos-correntistas'' que com o seu glorioso nome, a sua influência ou seu poder político quase que obrigam o gerente de banco amigo a fazer coisas não muito louváveis, principalmente, em Londrina. Como estamos vendo e sentindo na carne as consequências de se conseguir sustar um cheque tão facilmente, devemos tomar providências urgentes para que a crise não piore, pois todos perdemos muito. Certa ocasião, recebi um cheque cuja conta-corrente era de 1974, o qual consultado na época, estava positivo. Todavia, na data da cobrança, estava como remessa nula. Considero isso um golpe. Portanto, todos comerciantes e outros devem estar atentos, pois esta prática esdrúxula está aumentando e nos exterminando. A facilidade de sustar um cheque, incita uma pessoa a cometer um delito.
JOSÉ HÉLIO ROMEIRO (comerciante) - Londrina
Hipocrisia
Foi com um misto de indignação e ironia que recebi a notícia veiculada pela BBC de Londres no dia 28/01 - 23h02 - intitulada ''Bolívia nomeia produtor de coca para combater o tráfico'', a qual denota condenação do mundo europeu e norte-americano pela luta deles em descriminalizar o plantio da coca na Bolívia. A notícia é, no mínimo, maldosa, pois não esclarece que o que os bolivianos querem é proteger uma cultura milenar, a produção e consumo da coca. É também hipócrita, pois o eficaz combate ao tráfico ilegal de drogas não se dá somente proibindo o seu consumo e prendendo os traficantes. Muito menos, como querem agora, coibindo a produção da folha de coca, a qual, salvo engano, não é considerada uma droga. Deus deu a Adão e Eva um paraíso e só proibiu o consumo da maçã, sem explicar o porquê! Deu no que deu! Está historicamente provado que somente se combate o que é condenado pela sociedade dominante através da educação e fiscalização!
GERSON MACHADO (servidor público federal) - Londrina





