CARTAS
Segurança
Há alguns meses um jovem foi morto na Av. Higienópolis. A sociedade gritou. Um assaltante atentou contra a vida de uma senhora e a filha em pleno dia na mesma Higienópolis e a sociedade gritou. Uma jovem foi baleada por um assaltante na presença do seu pai após sair de um banco. A sociedade gritou por maior segurança. Quase todos os dias morre um jovem na periferia. A sociedade não grita por eles. Os vândalos destróem os bens públicos, roubam as escolas, postos de saúde, igrejas. A sociedade não grita. Vez ou outra ouço ou leio algo sobre a necessidade de uma guarda municipal em Londrina para ser uma força auxiliar da polícia e proteger o patrimônio público. O prefeito diz que não vai criá-la. A sociedade tem voz mas não grita. Em Santos, a guarda municipal criada pela administração do PT há 15 anos funciona muito bem e o índice de criminalidade é baixo. Basta uma comissão de vereadores, do Executivo e da sociedade organizada ir até lá, ver como funciona e implantar aqui. Não iria solucionar todos os problemas de segurança, mesmo porque o cerne da questão é outro. É preciso rediscutir o ECA, a idade da inserção do adolescente no mercado de trabalho, a educação básica (escola em tempo integral, já implantada em São Paulo). Melhorar as condições de trabalho e salariais dos professores (há dez anos sem reajuste, com total omissão dos políticos e da sociedade). Se todos não se comprometerem em combater as causas, não adianta chorar as consequências.
JOAQUIM BRAGA (professor) - Londrina
Fermento pra verme
Semana passada ao estacionar o carro, fui abordada por um senhor de cabelos grisalhos que pediu para que eu lesse a mensagem que estava escrita no meu carro, pois ele tinha 75 anos, nunca tinha ido à escola e não sabia ler. Li a mensagem para ele, o senhor ficou agradecido e disse que tudo aquilo era culpa dos políticos e das nossas autoridades, e que ele tinha muito orgulho de ver que ao longo de seus 75 anos nunca possuíra ''fermento para alimentar verme''. Naquele instante não entendi o que era o tal fermento de alimentar verme, e na minha ingenuidade, perguntei àquele senhor o que era aquilo. O velhinho com um sorriso, respondeu-me: título de eleitor. Santa ignorância minha, até aquele momento, acreditava que título de eleitor era um instrumento democrático com o qual o cidadão escolhe seus representantes. Precisei conhecer um velho de 75 anos, desnutrido, sem nunca ter ido à escola e sem aposentadoria, para entender que o exercício democrático do voto também serve para alimentar vermes. Muitos devem estar se perguntando o que carrego escrito no carro, entretanto, o mais importante é procurar saber se vamos continuar alimentando corruptos, pois em outubro teremos a oportunidade de alimentar ou não os vermes.
NATHÁLIA GUIMARÃES TEIXEIRA (estudante) - Londrina
Sem comparação
O deputado Irineu Colombo (PT-PR) disse que nunca viu nenhum juiz devolver o dinheiro quando o mesmo tem uma convocação especial nas férias. Só que, meu caro deputado, a diferença em relação aos senhores é que o juiz realmente trabalha quando convocado. Então, não tem lógica tal comparação.
EMÍLIO ROBERTO DE PROENÇA (professor) - Ribeirão do Pinhal
Correios
Tentei mandar uma encomenda normal para Belém (PA) pelo Correio. Alegaram-me que as medidas estavam fora de padrão e forçaram-me a despachar através do Sedex, muito mais caro, para proporcionar maior lucro à Empresa dos Correios. E a CPI dos Correios, vai acabar em pizza? Tal procedimento é um assalto ao contribuinte! Na verdade, este é um país de ladrões, em todos os níveis! Tive de pagar R$ 160,25 pelo Sedex. Um absurdo!
ANTONIO DNATZ RIBEIRO DA SILVA (auditor fiscal) - Curitiba
Boas notícias
Não fosse a notícia daquele estúpido desastre com consequências horrorosas entre dois ônibus, os jornais da última terça-feira, estariam enfim dignos de serem lidos com muita satisfação. Por causa das boas novas, é claro, como o são a leitura de que o Poder Judiciário proibiu que o senhor Paulo Maluf e sua esposa Sylvia viajassem para a Europa e determinou que os irmãos Cravinhos retornem à prisão.
PEDRO LUÍS DE CAMPOS VERGUEIRO (advogado) - São Paulo
Ribeirão Grande
O artigo ''Índios x fazendeiros'', de Osias Ramos Arnand Sampaio, publicado no último dia 22 pela Folha, está equivocado. A maioria das terras reivindicada pertence a pequenos proprietários que praticam a agricultura familiar. Muitos deles possuem pouco grau de instrução e sobrevivem do que produzem. Não é justo que agricultores que compraram honestamente suas terras paguem pelos erros do passado. Dá-se a impressão de que somente o bairro Ribeirão Grande pertenceu aos índios no passado. Qualquer livro de História prova que o Brasil todo lhes pertencia. Se forem desapropriar os moradores desse bairro para consertar um erro do passado, terão que primeiramente desapropriar várias cidades por todo o Brasil. Quanto à contratação de pistoleiros, há um outro equívoco: em sua grande maioria os agricultores não têm condições financeiras para isso. A área reivindicada (1.238 hectares) não é pouca como sugere o autor do referido artigo. Teria razão se os municípios atingidos fossem grandes, porém são pequenos e possuem pequenas propriedades que pertencem a pequenos proprietários agrícolas. Por todos estes equívocos faz-se necessário apresentar ''os dois lados da moeda'' para ter-se uma visão clara e sem distorção dos fatos.
GRASIELA DINIZ DA LUZ MARQUITO (professora) - Santa Amélia





