Ninguém morreu! II
Ela sempre foi muito corajosa, eu não esperava mesmo outra atitude. Cresci ouvindo que, pelos filhos, os pais fazem qualquer coisa, e eu vi minha mãe se arriscar por mim. A primeira frase que disseram a ela foi: a senhora não deveria ter reagido. Mas como não reagir? Como não tentar impedir, não ficar indignado? Na hora não dá pra pensar em quase nada. Entretanto, depois que o susto passa, fica uma raiva muito grande, uma sensação de humilhação e impotência. Meus pais saíram de São Paulo para criar os filhos em Londrina, esta cidade tão mais tranquila e com ótima qualidade de vida. Na época, eles fizeram a melhor escolha, mas acho que hoje não teria muita diferença. Desde pequena, penso em ir embora de Londrina, ou até mesmo do Brasil, mas outra lição que recebi de minha mãe, um tanto quanto sem sucesso, é que não podemos deixar os problemas para trás. O importante é resolvê-los e não desistir. Não sei como minha mãe ainda consegue raciocinar desta forma. Eu não sou capaz de acreditar que algum dia os problemas serão resolvidos, pois querendo ou não, dependemos de nossos governantes, e a sociedade em si simplesmente se cala. Um sujeito armado quase destruiu minha família e, com certeza, já destruiu alguma outra desafortunada, mas será que minha mãe está certa. Ainda existe alguma forma de restabelecer a calmaria que pairava sobre
Londrina? Eu acho que não.
NATHÁLIA GUIMARÃES TEIXEIRA (estudante) Londrina

Tapa-Buracos
Após anos de expectativas e indecisões, no atendimento às necessárias melhorias da infra-estrutura, nas áreas de transporte rodoviário, o Governo edita a seguinte Medida Provisória, ''com força de lei: Art. 1º - Fica aberto crédito extraordinário, em favor do Ministério dos Transportes, no valor de R$ 350.000.000,00, para atender à programação constante do Anexo desta Medida Provisória''. Estaria tudo correto se não houvesse a classificação do crédito adicional como ''extraordinário'', ou seja, que se prende a requisitos muito bem especificados (Lei 4320/64). São créditos adicionais as autorizações de despesa não computadas, ou insuficientemente dotadas, na Lei de Orçamento. Os créditos adicionais previstos classificam-se em: ''I - suplementares, os destinados a reforço de dotação orçamentária; II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública''. Não estamos em guerra e a despesa não é imprevista, uma vez que os buracos existiam há muito tempo. Inclusive, havia verbas prontas para serem utilizadas. Portanto, a MP não seria eleitoreira e ilegal, segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal? O que fazer? Reclamar para que bispo?
JOSÉ IVAN CIPOLI RIBEIRO (médico, neurologista e prof. universitário) Londrina

Itaipu contesta
O editorial de terça-feira desta ''Folha'' (''Vendaval de corrupção assolando
o País'') acusa Itaipu de possuir um ''caixa 3'', em razão de supostos dois caixas (um brasileiro e outro paraguaio) pela sua binacionalidade (propriedade dos governos do Brasil e Paraguai). Não é verdade. Como a própria ''Folha'' revelou, a Itaipu possui um orçamento de US$ 2,5 bilhões, dos quais 75% destinados ao pagamento de dívidas e juros da sua construção, 14% ao pagamento de royalties distribuídos diretamente pelo Tesouro Nacional, sobrando 11% para seu custeio e investimento. Esses 11% são divididos equitativamente entre a administração brasileira e paraguaia e formam o real orçamento da empresa. Assim, corresponde à administração brasileira 5,5% em dinheiro ''carimbado'' para suas ações, aprovadas pela Diretoria Executiva (brasileira e paraguaia) e pelo Conselho de Administração. Como a Itaipu é controlada pela Eletrobrás e esta pelo TCU, naturalmente, de forma reflexa, sua área financeira é objeto de fiscalização, além de Auditoria Interna e Externa. É equivocada também a afirmação de que Itaipu não se submete às leis brasileiras e paraguaias. A Receita Federal, o INSS e qualquer outro órgão público com poder de fiscalização atuam e podem atuar em Itaipu, sem qualquer restrição. Portanto, a ilação pejorativa de existência de ''caixa 3'' é descompromissada com a realidade dos fatos. Formar um caixa de US$ 2 bilhões, como sugere o condenado pela Justiça Federal, Laércio Pedroso, levaria 17 anos com a parcela (5,5%), sem pagar nenhuma conta. É uma fantasia de um estelionatário.
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Itaipu Binacional

Correções

Ao contrário do que foi publicado na matéria ''Elegância à Prova de Sol e Calor'', no caderno Cidades do dia 13 de janeiro, o nome correto do entrevistado não é Edivaldo Franco, mas sim Eduardo Kutianski Franco.

O ventilador de dois motores da Gerbar é inteiro em aço, e não em alumínio, como foi publicado na página 5 da revista Casa e Conforto do dia 18/01.

O recesso do foro judicial vigorou entre 20 de dezembro e 6 de janeiro, e não até 1º de janeiro, como informou o deputado Dr. Rosinha (PT) em nota publicada ontem no Informe.

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