CPIs E SAFADEZA

Engana-se quem pensar que as CPIs são inúteis. Elas têm serventia. Querem ver? Pela CPI do Banestado, descobrimos que quem enviou mais de trinta bilhões de dólares ao exterior foram alguns vendedores de frutas cítricas (principalmente laranjas), que abundam na cidade de Foz do Iguaçu. Com a CPI dos correios ou mensalão, mesmo com a cassação de Roberto Jefferson e José Dirceu, o ponto nevrálgico da questão não foi, realmente, saber quem recebia de quem; quem abasteceu as contas do publicitário mineiro, ou ainda para avaliar a moral e ou probidade dos integrantes do Congresso Nacional. A moral e a probidade de todos eles o povo brasileiro já conhece, desde que o deputado federal (de meio mandato só) Luiz Inácio da Silva, declarou que havia trezentos picaretas no Congresso. Voltando a CPI, a única verdade que se esclarece foi a que o governo federal ao não investir nos requisitos básicos que o cidadão tem direito, tem de investir em propaganda, para nos levar a pensar que está tudo bem. E, nessas campanhas milionárias (ou bilionárias?!) sobra alguns trocados para o caixa dois, que todo mundo faz, inclusive o partido do atual Presidente da República, dito em alto e bom som, numa entrevista na França. Com toda essa patifaria, agora escancarada, é essa a democracia que os governantes têm a oferecer ao povo? Enganar o povo é mais fácil que governar seriamente.

TADEU ARILSON STULZER (advogado) - Londrina


IMORALIDADE
Se os problemas do Brasil fossem só o valor do dólar que se diz barato, não seria difícil resolver a crise. O empresário Juan Carlos Nunes Di Longo, carta do dia 12/12, esqueceu que o Brasil passa por uma crise política. Um país que nunca conseguiu estabilizar sua economia e que grande parcela da população vive na miséria com baixos investimentos em saúde, educação, segurança. moradia, etc. A única coisa na minha visão para que não haja mais sofrimento por parte da população pobre, é barrar, o preço do dolar para que não sirva de argumento entre maus empresários, banqueiros que só pensam em concentrar riquezas pagando salários ''miseráveis'' e governos sem moram que só sabem solucionar os problemas com aumentos de tributos.

DARCI APARECIDO LOURENÇO (aposentado) - Londrina


MADE IN BRAZIL''
Em minha opinião, o trabalho mais fácil dos meios de comunicação de massa no Brasil, tem sido criticar veementemente o PT e seu mandatário maior ''Luiz Inácio Lula da Silva''. Porém, o problema não é só nacional. Como os correspondentes estrangeiros tentam decifrar o Brasil das CPIs. ''Qual a melhor tradução para Mensalão?''. Talvez não deveríamos nos preocupar muito com os profissionais da imprensa internacional, afinal, para eles, somos apenas mais um país do terceiro mundo. Errado. Poucas pessoas têm hoje tantos problemas quanto Lula. Sua conduta pessoal é questionada, seu partido está encolhendo a cada dia e sua biografia estará maculada para o todo sempre, por uma série de episódios conhecido por todos os brasileiros. Parafraseando Saint-Just, o revolucionário francês: ''Ninguém é presidente inocentemente''. Uma estratégia de conciliação entre os Poderes, poderá ser levada a termo. Ela resultará na cassação de um punhado de parlamentares. O mundo da política oficial se dará por satisfeito. Pouco a pouco, aparecerão novos PCs Farias, novos Delúbios, outros Valérios. E os políticos se aliarão a eles. E construirão novos esquemas. Haverá, então, mais escândalos. É esse o ciclo da política hoje no Brasil. Essa solução tem uma decorrência inevitável. O desinteresse pela política.


FELIZ ANO NOVO
Eu poderia estar ocupando este espaço para desejar um feliz e produtivo ano novo. Mas me lembro que vivemos em um país, onde milhares de pessoas passam fome, enquanto nosso políticos recebem mais de 100 mil reais em salários, para ''trabalhar'' em 90 dias. Estamos num país onde os idosos têm que pedir esmolas ou andarem pelas ruas revirando latas de lixo, atrás de materiais recicláveis para complementar o mísero salário que recebem como aposentadoria, enquanto os políticos recebem gordos rendimentos. Um país em que pessoas morrem nas filas dos hospitais públicos, enquanto o governo, que deveria manter a saúde da população, gasta incontáveis somas de dinheiro para realizar acordos políticos para seus projetos serem aprovados. Um país em que a violência aumenta com balas perdidas, pelas quadrilhas de traficantes enquanto as altas autoridades são corrompidas. Em um país em que o governante maior vem em público dizer que não sabe de nada que está acontecendo, mas que confia naqueles que estão junto com ele. Como ter um feliz ano novo? Espero que 2006 seja o ano da virada.

João Carlos de Oliveira (analista de sistema - Ibiporã.

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