Fim da picada


1) Prefeitura antecipa IPTU para janeiro para ''facilitar a vida do contribuinte'', segundo o diretor de tributos Jose Maria Lima Ferreira. Ora, é preciso ser muito imbecil para não se perceber que a única vantagem é para a própria prefeitura, que vai antecipar a entrada de recursos no seu caixa. 2) A Caixa Econômica atende com horário marcado ''para evitar demora no atendimento''. E aí uma jovem foi receber seu seguro desemprego, entrou na fila para marcar hora e a atendente disse: ''você será atendida às 17 horas, mas terá que comparecer antes das 16 horas porque a porta da Caixa é fechada naquele horário''. Não é fim da picada??

AFONSO ROQUE WELTER, contador e economista, Londrina


Valerioduto

O Executivo não enxerga mensalão no esquema valerioduto, o Legislativo agasalha seus pares mesmo com réu confesso de caixa ''2'', o STJ (Superior Tribunal de Justiça) concede a sequestradores e torturadores o benefício ao direito de progressão de regime, ou seja, facilitou a vida dos bandidos. Não resta dúvida, os três poderes realmente são harmônicos entre si.

ROBERTO TEIXEIRA, empresário, Londrina



Água

Você já se perguntou a quem interessa a privatização da água e os efeitos que ela ocasiona sobre a população e o meio ambiente? Ora, existem experiências desastrosas e concretas pelo mundo afora demonstrando ter sido um desastre a privatização da água. Basta citar um caso curioso que ficou conhecido mundialmente como a ''Guerra da Água'', em Cochabamba, na Bolívia: com o apoio dos políticos do município, a concessão da água caiu em mãos da empresa norte-americana Bachtel. E a primeira medida ao assumir o controle da água foi aumentar as tarifas entre 150% a 180%. O povo, desesperado e indignado, começou a chiar e se mobilizar contra os aumentos. A concessionária respondeu prontamente com um novo aumento de 250%. A situação caminhou para o desespero, o povo saiu e tomou as ruas, o saldo foi de mortos e feridos, mas o interessante é que a população não arredou o pé e nem muito menos se resignou até conseguir a rescisão do contrato e a promulgação de uma lei com ampla participação popular. Esse fato ilustra e reforça os argumentos contra a privatização, e deixa claro que os governos perdem o controle sobre a gestão dos recursos quando fazem concessões sem a participação e apoio popular, principalmente nos países mais pobres. É preciso antes de mais nada, ter consciência dos impactos econômicos, sociais e ambientais que a privatização da água vai causar sobre a população, os governos e as comunidades locais.

ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, estudante de engenharia elétrica, Curitiba


PIB e economia

Ciências Econômicas deveriam fazer parte das Ciências Exatas porque mexem com números, equações matemáticas, mas pelo que vemos não é. ''Achologia'', talvez, fosse o termo mais adequado para se prever o nosso desempenho econômico, que tanto nos têm afetado. Agora estão comparando o desempenho do PIB norte-americano com o nosso, que ficou negativo nesse terceiro trimestre. Qual seria a razão dessa negatividade? Vê se que lá nos EUA, o consumo é estimulado, o pessoal vai às compras, mesmo porque, tem poder aquisitivo para isso. Em havendo consumo, há um giro maior dos componentes econômicos, que por sua vez trazem empregos e deixam as pessoas felizes, porque podem comprar o que desejam. O paradoxal, a nós leigos no assunto, é que ao mesmo tempo em que isso lá acontece, nós aqui somos compelidos à formação de poupança e contenção dos gastos públicos, o que seria o inverso do que está acontecendo nos EUA. Equação difícil e complicada essa. Onde estaria o nosso erro? Será que deveríamos estimular o consumo?

ANTONIO PEREIRA, contador, Londrina


Valor do dinheiro

O dinheiro é um fator importante em nossas vidas. Resolve muitas situações, porém nem sempre permite comprar aquilo que, em determinadas situações, constitui nossa maior necessidade. Podemos comprar uma casa confortável, por exemplo, mas não um lar harmonioso. Podemos comprar excelentes livros, mas não o conhecimento. Adquirir os medicamentos mais eficientes, mas não podemos comprar a saúde. Compramos um lugar de destaque entre os homens, mas não o verdadeiro afeto. Enfim, podemos adquirir um lugar de destaque em cemitérios luxuosos, mas não a paz de consciência no além túmulo. Como podemos perceber o dinheiro é necessário, mas tem valor relativo e transitório. Qual o real valor do dinheiro? Não se sabe, porque em cada país ele tem um valor diferente. Pensando assim, o bom senso nos diz que não devemos investir o tempo somente para fazer dinheiro, sob o risco de ficarmos de mãos vazias nas horas mais difíceis. Vale a pena investirmos um pouco do nosso tempo na conquista de valores imperecíveis que, no dizer de Jesus, nem a traça come, nem a ferrugem corrói. E diríamos mais: nenhuma medida econômica desvaloriza.

VALCIR JOSÉ MARTINS, administrador, Maringá

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