Dólar

É com muita preocupação que vejo o preço do dólar. O dólar barato não é bom. Países como Argentina e Uruguai que acreditaram na sua moeda forte debilitando o dólar, logo depois quebraram suas economias devido à política cambial arbitrária. O dólar barato só é bom para o Estado quando tem que sair ao mercado para comprar dólares e pagar suas obrigações, como juros da dívida externa. Porém, para a sociedade brasileira é ruim. Para a importação é bom, pois compramos mercadorias de outros países com menos quantidade de dinheiro. Isso é um resultado nefasto para nossas empresas que encerram atividades e fecham postos de trabalhos. O dólar barato favorece também o turismo externo. Não é melhor fazer turismo interno? Não é melhor deixar os reais no Brasil do que deixar nos outros? O dólar barato favorece ainda o contrabando. Também é ruim para a exportação. Com o dólar alto, vai haver mais reais na balança comercial, mais dinheiro na rua, mais vagas de trabalho, mais fábricas, mais aporte ao Estado, mais aporte a prefeituras, INSS, etc. Então, é melhor o governo preocupar-se mais com a produção, mão-de-obra, apoiando os empresários, gente do campo, dando-lhes garantias a sua produção.
JUAN CARLOS NUNEZ DI LONGO (empresário) - Ivaiporã


Cidadania

O exercício da cidadania implica a responsabilidade de não apenas votar nas eleições, mas fiscalizar governos e expor preocupações em artigos, cartas, reuniões em associações, quaisquer que elas sejam, sempre objetivando colaborar com o país e as autoridades. A critica sincera, talvez, seja a nossa melhor contribuição que os governos podem receber da mesma forma que os jornais se orientam pela reação de seus leitores mais fiéis. O que angustia nessa crise é a sensação de um túnel que não acaba nunca. E os dias vão passando, dando tempo para os canalhas se acertarem e fugirem da cana. E o pior é que não temos tribunal algum que vocalise o desejo social, nada que dê conta desses crimes descobertos e provados. Quem vai reformar? Quem vai fazer a crítica prática disso tudo que estamos vendo? Este Congresso de vendidos? O Executivo culpado e agonizante? Ou o Judiciário paralítico onde todos se refugiarão? Está na hora dos homens sérios da política, da vida cultural, intelectual e jurídica se reunirem e pensarem soluções institucionais e de reforma na Constituição para dar conta desse rio sem foz.
RENILDO VICENTE QUEIROZ (consultor técnico em Biotecnologia) - Ibiporã


Cultura

Nos últimos anos, o governo passou a distribuir gratuitamente camisinha nos postos de saúde, mas os índices de contaminação do vírus HIV e adolescentes grávidas continuam aumentando. Uma lei obriga os motoristas a usar cinto de segurança e os índices de acidentes e mortes no trânsito continuam aumentando. Que diferença faz um motorista estar usando ou não um cinto de segurança se ao dirigir bêbado atropelar um pedestre? O seu ''cinto de segurança'' não evitará a morte do pedestre. Todo cidadão tem o direito de ser contaminado pelo HIV. Toda adolescente tem o direito de engravidar. Todo mundo tem o direito de cometer suicídio. É proibido roubar, mas continuam roubando. É proibido matar mas continuam matando. Não é dando sementes para os sem-terra que os frutos irão nascer. Eles não têm terra para plantar. Não é proibindo e nem dando, que vamos solucionar os problemas que afligem a sociedade. A maconha, a cocaína, a heroína, o crack são proibidos e os jovens continuam consumindo e a cada dia mais estão se viciando. O que é proibido dá mais ''dinheiro''! Precisamos mudar a forma de pensar. Usar preservativos e métodos anticoncepcionais, dirigir com segurança, não matar, não roubar, trabalhar honestamente, é uma questão de cultura. A solução está na maneira de educar o cidadão.
PAULO HENRIQUE TREVISAN FERREIRA (radialista) - Colorado


Desabafo

Exercendo a profissão do médico ginecologista há 25 anos e, portanto, acostumado aos risos e alegrias que acompanham quase que invariavelmente o nascimento de um bebê, deparei-me há alguns dias com uma situação incomum: após uma longa enfermidade e por causas ainda um tanto não muito bem explicadas pelo nosso parco e limitado conhecimento médico atual, uma paciente foi a óbito. Qual o problema? Não está o médico mais do que preparado para ver isso todos os dias? Não faz a morte, por acaso, parte da atividade diária do médico sendo, portanto, passível de compreensão e desprovida da aura de tristeza e mistério que tem aos olhos do leigo? Ainda no quarto do hospital, contemplando aquele corpinho imóvel, já quase fino, com os olhos semicerrados, que há alguns dias estava cheio de planos, idéias e sonhos, passaram pela minha cabeça algumas indagações: por que conter a lágrima que teima em aflorar dos olhos ao ver aquele vazio da vida que se foi? Médico não chora? Por que disfarçar a ignorância e a falta de conhecimento sobre os mistérios que ainda cercam a vida humana? Por que não aceitar o que não podemos mudar? Por que não se sentir pequeno ante a imensidão da maravilha que Deus criou - o corpo humano? Por que não se emocionar com as dores familiares que sempre envolvem a partida de um ente querido? Por que não ser sincero, olhar nos olhos das pessoas e dizer com calma e carinho ''eu não sei''? Ainda não refeito desses percalços que a vida nos impõe, resolvi escrever esse desabafo, na tentativa (mesmo sabendo ser impossível) de minimizar os olhos marejados e espantados ante a pequenez do ser humano. Que Deus nos ajude a todos!
JOÃO BENTO DE MOURA NETO (médico) - Londrina

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