Caso Wal-Mart

No artigo ''Wal-Mart x Prefeitura: conflito de interesses'', publicado nesta Folha dia 30/11, o dr. Eduardo Appio, do alto de sua exuberante cultura jurídica, deixou bem claro que o prefeito de Londrina pode, se quiser, fazer muita birra, mas não tem competência para impedir que a rede Wal-Mart instale no terreno do antigo Colossinho uma de suas lojas. A birra, na verdade, não é só do prefeito, mas de todos os comerciantes da região que temem a concorrência daquela empresa ''predadora''. Londrina sempre acolheu bem a todos. Entulhos, inclusive. Poucos, é verdade, mas que incomodaram demais. A cidade soube sempre pensar grande e, com pujança, com arrojo, com brio, soube livrar-se dos inoportunos. Não será diferente agora, mesmo não tendo mais aquele delegado de polícia que dava óleo de rícino aos maus e os jogava no Tibagi, como diz o nosso folclore. É evidente que a área pretendida pelo Wal-Mart é imprópria: pequena, com ruas estreitas. Mas é verdade, também, que os concorrentes saberão enfrentar a chamada ''vil concorrência''. Há dias, noticiou-se que alguns empreendedores compraram extensa área para futura destinação. Isto caracteriza ação esperada pelo povo londrinense. Diante da ''ameaça'' dessa ''vil concorrência'', seria de se esperar que os mais interessados se unissem também e, mostrando o vigoroso zelo por seu trabalho e amor por Londrina, comprassem o imóvel em conjunto. Acabaria a polêmica. E a concorrência.

REINALDO MATHIAS FERREIRA (escritor) - Londrina


Ônibus incendiado

Um ônibus cheio de inocentes, inclusive crianças, sem motivo algum, foi atacado e incendiado pelo pior tipo de lixo humano que pode existir na face da terra. É para proteger este tipo de gente que você é contra a pena de morte? Pois saiba que a pena de morte ilegal já existe em nosso país há muito tempo, decretada pelos marginais. Não venham me dizer que é preciso combater as causas, que estes bandidos também são vítimas da sociedade. Como nunca conseguiremos combater as causas, é preciso cobater o agente causador. Só assim, quem sabe, conseguiremos diminuir um pouco a violência que eles cometem, lutando com as mesmas armas que eles.

SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê


Vilões da economia

A população brasileira economicamente ativa está endividada dentro de um percentual alarmante, em torno de 80%, comprometida, portanto, com empréstimos junto ao sistema financeiro (bancos, as financeiras e cartões de créditos). Muito embora as taxas de juros sejam diferenciadas para o crédito pessoal, hoje na faixa escorchante de 8,3% e 10% ao mês, que, capitalizados, representam respectivamente 160,34% e 213,84% ao ano. A facilidade de obtenção de crédito é enorme e o sistema faz a festa, direcionando e massificando seus créditos mobiliários para um setor terciário pouco produtivo, formado por pessoas físicas. Hoje se acessa a internet ou os caixas eletrônicos dos bancos e já na primeira tela aparecem as mensagens de abordagens tentadoras e irresistíveis, podendo-se simular cálculos, prazos, valor das prestações, taxas de juros, etc., numa tentativa de induzir o cliente a contratar um empréstimo, até sem necessidade. É o chamado crédito global institucionalizado, o que de certa forma é pernicioso à sociedade. A ordem geral do sistema é ''ganhar muito sobre muitos'', nem que seja para segmentos ociosos da economia, já que as empresas de setores produtivos não vão contrair empréstimos mediante juros altos que podem ser considerados pura agiotagem. Transformaram o Banco Central em bode-expiatório, como se a taxa Selic de 18 ou 19% ao ano fosse a vilã da economia. Adiantaria alguma coisa baixar a taxa Selic para patamar um pouco civilizado de 12% ao ano previsto na Constituição? Fui gerente de banco e sei perfeitamente como agem os verdadeiros piratas e atuais vilões da nossa economia: os banqueiros e as financeiras que pegam dinheiro emprestado até 1% e cobram 10% ao mês, praticando a verdadeira agiotagem.

ANTONIO FIUMARI SOBRINHO (corretor de imóveis) - Londrina


Sistema político

A desesperança do povo brasileiro com a democracia deve-se em grande parte ao procedimento de políticos como os do PT e a atitudes como do ex-deputado José Dirceu (PT-SP) que, apanhado em pilhagem à nação, usou sem a menor decência de todos os meios para evitar sua cassação política e para obstruir a de outros corruptos como ele que se encontram na mesma fila e idêntica situação. Dirceu, o ''homem de duas caras'', não pode ser julgado pela sociedade apenas por corrupção. Além de suas ligações com movimentos guerrilheiros e afins, coloca em risco permanente o país e a ordem democrática. Recorrendo à justiça comum para salvar seu mandato político, agiu como reles escroque, colocando em xeque e em confronto os poderes Legislativo e Judiciário, não merecendo clemência. Neste delicado momento da vida política nacional, a sociedade exige que o ex-deputado responda por seus delitos rapidamente. Não apenas o bando fincado de fato no poder central, mas também os periféricos em Santo André, Ribeirão Preto e demais. E o presidente? Lula, ''embriagado'' pelo poder, vive em permanente devaneio e não vê nada: nem mesmo o que acontece em sua própria família. Lamentável! A população ordeira, revoltada com a escória petista e os crimes a ela atribuídos, ainda que timidamente já sinaliza para o clamor público desejando uma voz imperativa como a das Forças Armadas.

AGOSTINHO FARREL PIANTINI (aposentado) - Londrina

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