CARTAS
Nossos filhos
A morte trágica e estúpida do jovem Gabriel reflete o descaso total de nossos dirigentes e políticos com a segurança em nosso país. Trabalhamos dignamente, e muito, para dar condições de qualidade de vida aos nossos familiares. Pagamos um absurdo em impostos (uma das maiores cargas tributárias do mundo) que é distribuído nas cuecas dos políticos ou em mensalões e campanhas publicitárias idiotas. Sempre orientamos nossos filhos a frequentar bons lugares com bastante circulação e proteção. Existe um lugar assim? É comum estudantes que residem nas cidades vizinhas frequentarem os lugares mais baladados em Londrina. Meus filhos foram espancados brutalmente por um bando de covardes, no ano passado, no estacionamento do maior shopping de Londrina, em frente à boate local, os seguranças só assistiram a pancadaria, nenhuma viatura presente. Conseguiram escapar, mas foram seguidos e novamente espancados pelo mesmo bando de agressores. Graças a Deus estão vivos. O estudante Gabriel não teve a mesma sorte e morreu tragicamente num local hipermovimentado. Pessoas decentes não podem viver com medo e enjauladas em suas casas. Não é justo. O sofrimento e a dor dos familares do Gabriel, e de tantos outros, não podem ser simplesmente confortados com palavras, desculpas e promessas. Está na hora de um basta. Precisamos proteger nossos filhos. Eles (os políticos) sabem o que fazer, mas não fazem por quê?
PAULO NOVAES JUNIOR (bioquímico) - Rolândia
Tragédia no Rio
O que dizer sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro quando traficantes incendiaram um ônibus cheio de inocentes? O que dizer quando cinco pessoas são assassinadas e diversas feridas por motivo nenhum? O que a sociedade brasileira pode fazer quando liga a televisão ou abre os jornais e se depara com uma notícia dessa? Só pode, de mãos atadas, chorar e assistir à desgraça que a violência urbana tornou nossas vidas. O que aconteceu não tem uma razão religiosa, nem política, nem sequer foi por dinheiro. É a exposição pública de um sentimento horrível, de vingança, de maldade do ser humano, em seu aspecto mais realista e assustador. A sociedade da barbárie, do terrorismo e da ausência de piedade está engolindo a sociedade dos valores, do respeito e da compaixão.
RAFAEL GOMIERO PITTA (estudante) - Londrina
Aposentadoria
Ainda muito jovem comecei a trabalhar com meus pais lá pras bandas de Minas Gerais. Em 1961, mudamos para o Paraná que era o celeiro do café. Enfrentamos fortes batalhas nas colônias de café. Em 1970, me mudei para Londrina para trabalhar na inicitiva privada: de ex-colono passei a trabalhar no regime da CLT contribuindo durante 25 anos para o INSS. Em 1992, passei a ser estagiário da Caapsml após aprovação em concurso. O pior estava para acontecer quando resolvi pedir a contagem de tempo para a aposentadoria. O pesadelo: nenhuma das três instituições quis assumir o ônus. Uma jogo de empurra: Sindicato Rural x CLT x Caapsml x INSS x Justiça. E eu, o bobo da corte. Resumo: 25 anos recolhendo o INSS; 13 anos para a Caapsml e 5 anos reconhecidos pela Justiça pelo Fundo Rural. Total: 38 anos de recolhimento, 59 anos de idade e um saldo devedor do período rural (1965 a 1970) de R$ 57.111,13. Adeus aposentadoria. Que país é este?
GERALDINHO BATISTA NASCIMENTO (servidor público municipal) - Londrina
Comparação infeliz
Não tenho procuração para defender a polícia paranaense, mas chamá-la de patética, como fez o sr. Roberto Teixeira, na edição do último dia 25/11, é no mínimo imprecisão de pessoa leiga. Não se deve cometer a heresia de comparar as polícias dos Estados Unidos, Japão e Canadá com a polícia do Paraná, pois estes são bem mais profissionais que aqueles. Trabalhar com as condições estruturais, humanas, salariais de um país de terceiro mundo não é ser policial, é ser herói. Sabemos que em todas as camadas profissionais há os incúrios. Eles estão na polícia, na medicina, na advocacia, na política, no empresariado e em muitas outras profissões. Ser policial no Paraná é colocar a vida em risco para defender patrimônio alheio, ganhar muito pouco por isso e ainda ser chamado de patético. Se a sociedade quer galhofar do baixo rendimento da segurança pública que não o faça sobre os ombros da digna polícia e sim sobre os estadistas paranaenses e suas políticas melancólicas.
MILTON CARLOS CINQUE (bacharel em Direito) - Londrina





