Adeus ao poder

Foi-se embora o Zé Dirceu, o homem de muitas controvérsias. Militante estudantil banido pela ditadura, encontrou abrigo em Cuba, depois viveu clandestinamente no Paraná, voltou a São Paulo e continuou a sua peregrinação política até se tornar o homem mais forte no comando nacional do seu partido e do governo que apoiou. O que faz um homem depois de tantas idas e vindas, chegar ao poder e não conseguir segurá-lo? Será que o poder desperta vaidade, cobiça, inveja, corrupção, o poder é mesmo intrigante, e ao mesmo tempo fascinante? O poder exige qualidade, desprendimento e liderança, ainda assim corre-se o risco de ser crucificado. A sutileza do poder transcende a compreensão das inteligências medianas. Vivemos numa democracia, mas os segredos do poder são guardados a sete chaves, com o tempo vão se tornando conhecidos, mas aí já é passado e fica para a história.

ANTONIO PEREIRA (contador) - Londrina


Destino de Dirceu

Diante da cassação dos direitos políticos do ex-deputado José Dirceu, preocupa-me qual será a sua próxima estratégia. Até imagino o mesmo engrossando as fileiras do MST ao lado de José Rainha e de João Pedro Stédile. Não vejo outra alternativa para o ex-revolucionário nos moldes de sua atuação durante os governos militares. Acho que ele deverá levar consigo o amigo José Genoino e num futuro próximo o Luiz Gushiken. Dirceu poderá ficar na linha de frente do MST, com um braço na CUT e o outro na UNE e, certamente, trará muitas dificuldades para os futuros governos democráticos. O ex-nobre parlamentar não descansará enquanto não ver o socialismo implantado no Brasil e poder desfilar em carro aberto pelas ruas do país, em Cuba e na Venezuela, ao lado dos amigos Fidel Castro e Hugo Chávez. É esperar para ver a revolução que este cidadão fará.

NELSON CARLOS FERREIRA (aposentado) - Barbosa Ferraz


Serviço de água

Sou morador desta cidade há 68 anos. Conheci, portanto, todas as transformações que sofre uma cidade através dos anos. Quando o serviço de água era municipalizado, sofri muito em criança correndo atrás de carros-pipas para conseguir um mísero balde de água e fui obrigado, muitas vezes, a me levantar de madrugada para recolher um fio de água, que não tinha pressão para subir ao reservatório, e que só nessas horas escorria pela torneira enferrujada. E eu que morava em local considerado centro da cidade, imagine na periferia como era? Hoje temos água de boa qualidade (pelo menos é o que dizem os técnicos no assunto) e em quantidade satisfatória. Apesar de tudo, querem municipalizar o serviço de água. Alguém poderia me explicar por quê?

ANTONIO FIORINI MASSARO (técnico de contabilidade) - Londrina


Questão da água

Tenho notado que prefeito Nedson Micheleti há muito deixou de atender os interesses do povo de Londrina. Mas querer conceder a exploração dos serviços de água à Sanepar, sem licitação, é a legítima gota d'água. Pior, ainda afirma que quem defende a licitação defende interesses privados. Em primeiro lugar, uma licitação bem feita, com um edital honesto, pode trazer diversos benefícios ao povo, além, claro, de ser uma exigência legal. Mas o mais incrível é que logo Nedson vai falar da defesa de interesses privados, estranhos ao interesse público? Depois dessa ridícula história do teatro municipal? Ao que parece, falta ao prefeito maior consciência de seu papel como mero empregado do povo. O que interessa ao povo é que o abastecimento de água seja feito com boa qualidade e preço baixo. Seja por parte da Sanepar, por parte de empresa privada ou via serviço municipal, do tipo Samae que mostra-se tão eficiente em municípios vizinhos. Espero que nossos vereadores tenham a coragem de colocar o sr. Nedson em seu devido lugar e que não tolerem a prepotência do sr. prefeito em afirmar que já fechou o acordo com a Sanepar e não aceita discussões. Vamos lá, vereadores, honrem seus votos.

HWIDGER LOURENÇO FERREIRA (estudante) - Londrina


(In)conformismo

Novamente a dignidade do povo brasileiro é colocada sob a égide da idiotice e do conformismo. Mais uma vez, somos os únicos alvos e vítimas da corrupção congênita que assola o Brasil. De novo, vemos nossas esperanças serem atiradas barranco abaixo por inescrupulosos governantes. Possivelmente, devemos acreditar em Jean Baudrillard e pensar que ''na verdade, direita e esquerda trabalham juntas para preservar o modelo de simulação política, e esse conluio domina de longe suas estratégias''. A política não se presta a mais nada do que efetivar jogos de poder no qual o homem comum nada ganha, ou mais corretamente, somente perde cada vez mais sua crença na possibilidade de mudança. O PT demonstra, tal qual nos fazia ver Lampedusa, em 1957, que ''tudo deve mudar para que tudo continue a ser como é'', nessa sua aventura de semiótica política, com a irrupção de um novo tempo, com o proclamado (e nunca entendido, nem mesmo aplicado) pacto social. Qual seu significado? Arregimente-se o povo em torno de um ideal e continue tratando-os como sempre: como inaptos, como curtos de memória, como incapazes. A resposta a isso virá nas urnas, através do voto do eleitor indignado, que fará sua parte na desmontagem (já quase completa) do paraíso artificial que se tornou a nossa esquerda. Um oásis que não passou de miragem, o feio que só parece belo aos olhos do cego.

LUIZ CARLOS FERRAZ MANINI (professor) - Londrina


Correção

- Trecho da matéria ''Aposentado não se arrepende de bengaladas'' (Política, pág. 4, 1/12), saiu truncado. O correto é ''o fotógrafo gaúcho Hindenburg Almeida Flores ''não'' conseguiu se encontrar com o escritor Yves Hublet (autor das bengaladas em José Dirceu)''.

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