CARTAS
Cidade do medo?
Diante de uma Londrina estúpida em número de crimes, que levam famílias inteiras ao desespero por perderem seus filhos, temos visto uma polícia que tenta agir, porém, sempre após o crime cometido. Assim foi com o Gabriel, o Carlos Henrique e vários outros que nada tinham a ver com o circuito de drogas local. Realmente a polícia tenta até certo ponto (parabéns), porém onde estava na noite lotada em plena Higienópolis, um local cheio de estudantes, tumultos e muito agito? Onde está a PM nos bairros de grande perigo, onde a maioria das pessoas é de bem? A polícia é rápida sim quando é para proteger bandidos. Quem não se lembra do caso ''camelódromo'': o policial cumprindo bravamente seu dever sacou a arma e protegeu a ''vítima''. Até quando não teremos polícia preventiva? Não que apóie o linchamento (pena de morte sim, linchamento não!), mas enquanto um bandido era protegido, pessoas inocentes estavam sendo assaltadas ou mortas em outros pontos da cidade. Todos somos vítimas deste sistema, do menino que mata até as famílias que choram a perda de um filho querido. Enquanto isso, assistimos feito marionetes, passíveis e alienados a novas contratações da ridícula Câmara que temos e gasto de fortunas com cargos absurdos. E a verba para a segurança, ninguém tem?
CRISTIAN RODRIGUES FRANÇA (professor) - Londrina
Violência urbana
Após leitura detalhada das observações feitas neste jornal pelo sr. Antonio Carlos Andrade Vianna (Espaço Aberto, 25/11), não posso me furtar também de emitir minha opinião sobre a violência e sobre um pouco do que foi escrito. O advogado tem razão em muitas de suas assertivas, por exemplo, quando coloca o descaso social e econômico que assolou o país nos últimos anos como uma das causas da violência. O detalhe é que isto é tão óbvio que faz parte dos discursos de qualquer candidato a chefe de condomínio. Porém, como cidadão, como vítima e até como representante da classe média (após muito trabalho e luta), acho muito perigosa sua generalização a respeito do que se pensa dos jovens da periferia ou dos menos favorecidos. Afirmo que de forma alguma são estes os meus pensamentos e acredito também não sejam o pensamento de milhares de pessoas de bem que se engajam (uma boa parte de classes mais abastadas) em campanhas que tentam minimizar as mazelas provocadas pelos governantes. Também não posso concordar quando diz que não adianta culpar ou cobrar as autoridades. Ora, cobraremos a quem? Quem elabora as leis? Quem as executa e faz cumprir? A mobilização da sociedade é sim fundamental para obrigá-las a fazer o mínimo que lhes é solicitado: trabalhar pela população. A responsabilização das autoridades é imprescindível.
MARCOS AFONSO POSSO (médico) - Londrina
Embriões
Admiro a Folha de Londrina frente à sua postura de defesa da dignidade da vida humana em vários dos seus editoriais. Porém, lendo a reportagem ''Exercendo o dom da vida'' (Folha Cidades, 23/11), percebi o seguinte erro: o entrevistado tenta passar uma boa imagem da reprodução humana assistida, que causa a morte de inúmeros embriões. Apesar do subtítulo de uma das partes da reportagem indicar que ''todo embrião é uma vida'', as palavras do próprio médico Carlos Gilberto Almodin o contradizem de modo explícito: ''Cada embrião é uma semente e eu tenho que fazer tudo para que aquilo vire uma vida''. Se não virou vida ainda, o citado doutor considera passível de manipulação e congelação, logo, não seria vida humana, ao contrário do que diz o subtítulo. Fica a crítica ao entrevistado que, como médico reconhecidamente competente, presta um desserviço à defesa da vida desde a concepção, tal como previsto em nossa Constituição. Ora, que dom da vida é esse, se se pode submeter um ser humano ao congelamento e à confinação por tempo indeterminado em um tubo de ensaio?
MARCO AURÉLIO FORNAZIERI (médico) - Londrina
Luz para todos
A coordenação do Comitê Gestor do Programa Luz para todos no Paraná, em resposta ao advogado José Carvalho Grade Neto, que veiculou na edição de 25/11 da Folha, correspondência intitulada ''Falsa propaganda'', bem como aos demais leitores deste conceituado jornal, informa que o citado senhor demonstra total desconhecimento do programa ''Luz para todos''. No governo FHC existia o programa ''Luz no campo'', no qual a instalação elétrica era paga pelo consumidor. No programa ''Luz para todos'' a instalação elétrica é gratuita e inclui um kit com três pontos de luz e duas tomadas para famílias de baixa renda. O ''Luz para todos'' é um programa do governo federal coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e Eletrobras, desenvolvido em parceria com os governos estaduais, concessionárias de energia elétrica e cooperativas de eletrificação rural. Os contratos em andamento no Paraná, firmados entre a Eletrobras e a Copel, CFLO, CLFSC e Cocel, e entre as empresas de energia elétrica e o governo do Estado, prevêem investimentos de R$ 45,8 milhões. Os recursos federais são liberados de acordo com o andamento das obras. O governo federal já repassou R$ 13,8 milhões para obras dos contratos em andamento no Paraná. Até o dia 21 de novembro, mais de 61 mil pessoas haviam sido atendidas no Paraná e estão em andamento obras para levar energia elétrica para outras 13 mil pessoas do meio rural. Em todo o País, o ''Luz para todos'' já beneficiou cerca 350 mil domicílios no meio rural ou aproximadamente 1,8 milhão de brasileiros. Colocamo-nos à disposição dos leitores da Folha para dirimir quaisquer dúvidas.
ALCINDO TUCHTENHAGEN (coordenador do Comitê Gestor Estadual) - Curitiba





