CARTAS
Incapazes
O presidente Lula e seus ministros já têm o direito de requerer suas aposentadorias por invalidez. Provas dessa incapacidade não faltam a nenhum deles. A última delas é o fato do governo ter disponível em caixa R$ 22 bilhões e não saber o que fazer com tanto dinheiro. Esses bilhões estão parados por falta de destinação, enquanto o ministro da Fazenda tudo faz para arrecadar mais impostos, aumentando ainda mais a nossa carga tributária, que já é a mais pesada do mundo. Ao que tudo indica essa montanha de dinheiro disponível não será utilizada nesses dois últimos meses do ano e terá de ser novamente reprogramada por ter caído em ''exercício findo'', o que acarretará em intermináveis trâmites burocráticos, em prejuízo da população que há muito tempo espera por investimentos em saúde, educação, estradas e moradias. Até quando teremos de conviver com tanta incapacidade administrativa? Estamos nas mãos de um bando de incapazes e incompetentes, que se fossem aposentados por invalidez administrativa, estariam realizando seus únicos benefícios à população. Se ainda lhes resta alguma dignidade, o que é de se duvidar, que desocupem seus cargos, dando lugar, talvez, a outros mais capacitados. Chega de enganação, o povo não aguenta mais.
PATRÍCIA CHUBACI (designer) - Londrina
Corruptos
Os casos de desvio de dinheiro público no Brasil são históricos, a exemplo de vários países da explorada América Latina. Ao longo de décadas, sucessivos assaltos aos cofres da nação fazem a fortuna de pessoas inescrupulosas, gente alheia às necessidades do povo. Preocupada com o próprio umbigo, esta casta amoral é a erva daninha da nação. Tais pessoas pensam pequeno e se esquecem que o mundo é redondo. A justiça, mais cedo ou mais tarde, será feita. Mas eles ignoram, ou fingem desconhecer que o Pai tudo vê. Acostumados à abastança, estas criaturas não se importam com a fome alheia, com a falta de teto, com o desemprego, com a falta de educação, e com a miséria alheia. Por absoluto desinteresse, não cuidam dos compromissos assumidos à época das eleições, quando se travestem de cidadãos honrados e probos. Prometem mundos e fundos, mas no poder perdem a memória e ignoram as necessidades mais básicas das classes que os elegeram. Seguros da impunidade, os corruptos estão espalhados nos vários escalões do governo. São estas pessoas que promovem a disseminação da pobreza, que transformam o Brasil numa republiqueta de quinta categoria onde tudo é permitido.
RENILDO VICENTE QUEIROZ (consultor técnico em Biotecnologia) - Ibiporã
Sem desculpas
A anunciada febre aftosa no Paraná criou um pânico tão grande deixando no ar um clima de intranquilidade diante das descabidas notícias do resultado de um exame que viria da distante Belém do Pará, mas que nunca chegava, por um motivo ou outro ou pelo descaso no tratamento das coisas sérias. O Paraná que tanto lutou para conseguir o status de área livre de aftosa com vacinação, de repente de herói passou a ser vilão em razão de alguns animais procedentes de outras regiões. Todo um trabalho sério de repente despencou ladeira abaixo. E nós, em razão da espalhafatosa notícia, ficamos inertes, no aguardo do que vem pela frente durante quase dois meses. Dois meses de expectativa. De repente a notícia bombástica. O Paraná não tem aftosa. E o ministro da Agricultura pede desculpas pela precipitação de uma notícia inverídica. Que lástima, senhor ministro. Não podemos desculpá-lo por essa desconsideração para o homem do campo que tanto tem dado de si por este País, governado por quem não tem o menor respeito pelos que produzem para sobreviver diante da situação de um mercado pecuário tão prostituído como ora se encontra o semifalido pecuarista brasileiro. É fruto de desgovernos contaminados por um vírus que desenvolve doenças chamadas amnésia e cegueira - ninguém sabe, ninguém viu - ainda não descoberto pelos nossos cientistas.
LUIZ CARLOS NAIME (pecuarista) - Capanema
Infância do meu avô
Sou muito amigo de meu avô que se chama Luiz Aparecido Martelossi. Sempre conversamos muito, e ele me contou que quando era pequeno, com apenas 8 anos de idade, tinha que ter muita coragem e força de vontade para conseguir levantar-se às 5 horas da manhã para ir trabalhar na roça. Lá, ele carpia, colhia café, fazia horta, tirava água do poço, etc. Ele me disse que não tinha muito tempo para estudar porque precisava trabalhar muito. Até a tarefa ele tinha que fazer na escola porque não tinha tempo em casa. Ele me contou que no tempo dele não tinha supermercado, tudo que eles precisavam tinha que fazer em casa: ele tinha que plantar as verduras na horta para a família comer. Era muita pobreza, mas ele era muito feliz porque o trabalho era sinal que a pessoa era gente boa e naquele tempo o mundo era cheio de pessoas boas. Hoje as crianças deveriam ter mais oportunidades de trabalho com seus familiares, aprender na adolescência a dar valor ao que ganham com o próprio trabalho, assim como no tempo do meu avô. Eu faço isso: quando meu avô faz algum serviço em casa, eu o ajudo, por exemplo, na horta a gente faz canteiros, planta as sementes, faz mudas de uva. É uma pena que outras crianças não tenham a oportunidade de ter a convivência como a que eu tenho com meu avô. Que Deus dê muita saúde ao meu avô, que eu seja também como ele quando eu tiver meus filhos e eu, com certeza, vou contar para meus netos todas as histórias que meu avô me contou!
ALLAN PATRICK MARTELOSSI (10 anos, aluno da 4 série da Escola Municipal Parigot de Souza) - Rolândia





