CARTAS
Valentia
O Brasil está mesmo propenso a atingir o recorde dos absurdos. Não bastassem as cenas deploráveis de corrupção, temos o dissabor de presenciar mais uma vergonha nacional. Dois eminentes representantes do povo se vangloriando de pugilistas e prometendo uma surra no presidente Lula. Estamos de fato no fim do poço, que vergonha! Um senador e um deputado federal! Será que são tão valentes como propagam? Será que essa surra realizaria se o presidente também perdesse o pudor e topasse a parada. Ou na pior das hipóteses, se o presidente enviasse o Popó para representá-lo? Do deputado federal até admitiríamos esta valentia devido a algum contágio familiar, mas de um senador que sempre posou como um líder dentro do Parlamento, este procedimento não coaduna, a não ser que no Amazonas os seringueiros resolvam tudo desta maneira. Ficamos na expectativa de que seja apenas mais uma bravata dos nobres representantes, e que esta valentia também resulte em pizza.
WELLINGTON AMARAL SAMPAIO (aposentado) - Londrina
Fauna ameaçada
É fácil reconhecer o erro de um moleque que está matando passarinho e tirar seu estilingue. Como reconhecer porém que o nosso estilo de vida mata muito mais passarinhos? Basta um passeio a pé por uma rodovia para verificarmos, não só passarinhos atropelados, mas zoológicos inteiros da nossa ameaçada fauna. De tatu, lagarto, tamanduá, capivara, cachorros do mato a jaguatirica. A tragédia diária passa despercebida. A atual situação política pode ser tão facilmente condenada como o menino do estilingue. E a situação social da qual cada um é parte? Será que estamos nos comportando como os motoristas das estradas, ignorando as vítimas que atropelamos? Vamos dar oportunidade ao moleque treinar sua pontaria num torneio de derrubar latas. Quem sabe até competir com ele. Muito mais complicado, no entanto, é cada um rever seu estilo de vida. A política, como consequência de nossos esforços, terá aonde se refletir.
DANIEL STEIDLE (educador ambiental) - Rolândia
Falastrão
O governador Requião é uma piada malcontada. Não bastasse as invencionices de que o PT de Palocci estaria articulado com o PSDB de Fernando Henrique na fatídica entrevista dada pelo presidente Lula, segunda-feira na TV Cultura, acusou os entrevistadores de furtarem-se à missão jornalística de aprofundar as perguntas ali elaboradas. Ocorre que, quando é com ele, que os jornalistas se aprofundam em perguntar sobre o fim do pedágio prometido ou a pífia segurança pública oferecida a Londrina, age como um insano, maltratando os profissionais da imprensa com cenas grotescas, respostas irracionais e até agressões físicas. Ninguém merece!
JOSELITO TANIOS HAJJAR (estudante) - Londrina
Copel
Dia 26/10, a Copel completou 51 anos. Até 1994 a empresa foi presidida por funcionários de carreira, que ascenderam das divisões inferiores da estrutura funcional e exerceram a função com uma dedicação extraordinária e um enorme idealismo profissional. O noticiário da mídia era orgulho para os copelianos e para os paranaenses, pois exaltava a ótima qualidade dos seus serviços, competência, importância no cenário nacional como empresa modelo do setor elétrico. A partir do governo Lerner a empresa passou a ter presidentes indicados de fora do seu quadro funcional e, para tristeza da grande família copeliana, o noticiário envolvendo a Copel mudou radicalmente. Desde, então, as notícias são de irregularidades em operação de crédito de ICMS, denúncias de desvios de verbas, negociatas com doleiros, investigação em CPIs sobre contratos e seguros irregulares (Interbrazil). Eu, que dediquei 29 anos da minha vida, ajudando a construir essa grande empresa, confesso que me dói quando leio essas notícias. É lamentável o que fizeram com esse precioso patrimônio do povo paranaense, cuja edificação custou o suor, muito sacrifício e até vidas de homens corretos e honrados. Esperamos que o novo presidente, que também é funcionário de carreira da empresa, possa fazê-la retornar aos caminhos que vinha trilhando antes de 1994.
LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) - Londrina
Estiagem no AM
Acontecimentos muito importantes vêm acarretando sérios problemas em nosso país. Esses problemas afetam a população que sofre continuamente, por exemplo, a estiagem no Amazonas. Em Manaus o nível do Rio Negro chegou a 7 metros abaixo do normal, com isso o abastecimento da cidade será comprometido. A vida das famílias, principalmente da população indígena, complicou-se ainda mais quando o lugar onde pescavam secou. Funcionários do Inpa recolhem botos mortos no rio seco e a população indígena depende de cestas básicas distribuídas pelas Forças Armadas. As florestas estão secas e inflamáveis. Cientistas explicam que a seca é resultado da devastação das florestas no sul da Amazônia e do aquecimento do planeta, provocado pelas queimadas nessa região. Algum tempo atrás foi dito que as queimadas iriam prejudicar, mas todos acreditavam que não seria nesse momento. Destruíram nossas florestas e nada foi feito. Os sinais de uma calamidade já aparecem. Foram distribuídos R$ 30 milhões para ajudar a população. Há um exibicionismo político sobre a Floresta Amazônica e sempre irá existir, pois o verdadeiro interesse em nossa floresta é muito mais internacional.
NORMA ANTONIA GAVILAN TONELLATTI (estudante) - Londrina





