Pós-referendo

Não poderia ficar omisso em expressar meu raciocínio sobre a vitória do não no referendo do desarmamento. Dizer não ao desarmamento é fomentar indiretamente a violência. Sei que todos ou quase todos os que disseram não ao desarmamento o fizeram por indignação dos dissabores que vivem, como corrupção em quase todos os órgãos públicos, assaltos por todos os lados. Na medida que se diz não ao desarmamento, estamos indiretamente estimulando uma guerra de irmão contra irmão. Torna-se um círculo vicioso em que a geração cria desde o berço um ídolo pela arma, o que não é viável. A arma estimula-nos à violência, visto que ela não tem outra finalidade a não ser a de matar. E isto é contra os princípios cristãos em que vivemos. A maioria da população está assumindo indiretamente o papel do governo, o que de certa forma deixa este mais à vontade ou até sem força para agir.

DOMINGOS FARINHA MARTINS (agricultor) - Apucarana

Violência

Os jovens de hoje estão se envolvendo cada vez mais cedo com o álcool e as drogas. E isso se deve à ausência dos pais, tanto na hora de dar atenção, carinho, quanto no momento de corrigir, orientar. No referendo do dia 23/10 perdemos uma grande chance de começar a mudar isso. Quanto menos armas de fogo circulando, menos morte. Isso é uma questão matemática. O direito de possuir uma arma de fogo não me dá o direito de colocar a vida dos meus filhos, esposa ou de qualquer outro cidadão em risco. Afinal, possuir arma de fogo não é um direito, é uma estupidez. Ela não tem outra finalidade a não ser matar. Não adianta ficar só culpando o governo, se não fazemos a nossa parte. Ou alguém ainda acredita que haverá um super-homem que num toque de mágica acabará com todos os problemas brasileiros? É preciso cobrar do governo a parte que lhe cabe, contudo não devemos esquecer de fazer nossa. Do contrário, isso nunca vai mudar, independente do partido que estiver no poder.

SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM (relações públicas) - Londrina


CPIs

O brasileiro tomou ''nojo'' das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) devido à pouca viabilidade e a falta de pulso. Nas CPIs dos Correios e do Mensalão estão com medo de punir severamente alguns deputados, entre eles o todo-poderoso José Dirceu. Será que as provas já colhidas são insuficientes para punir os envolvidos? Acho que estão esperando os recibos de pagamentos do ''mensalão'' aos deputados para puni-los. Estas CPIs já duram meses, e o povo não aguenta mais tanta enrolação, acareação e desorganização. O pior é que até os órgãos superiores da Justiça resolveram entrar na dança distribuindo liminares a favor dos aliados do PT para proibir a conclusão dos pareceres dos relatores. Estou começando a ter certeza que mais uma vez tudo acabará em pizza e, pior, que o povo está sendo tratado como tolo, passível de aceitar tudo o que vê e esquecer de tudo também.

FRANCISCO BONI (advogado) - Santa Cruz de Monte Castelo (PR)


Paraíso na Terra

A história conta de um momento de harmonia entre índios e jesuítas - dizem que era o paraíso na Terra. Era também a sentença de morte daquele mundo. Ninguém podia saber da possibilidade de haver um paraíso aqui na Terra. Gostamos de sofrer? Desgraças fazem parte do nosso dia-a-dia. Pequenas e grandes guerras, acidentes, doenças, fome, pestes, política, desastres naturais e provocados. Parece que temos uma irresistível atração pelas coisas negativas. Parece também, que neste cenário do negativo, assim como num corpo debilitado, se instalam melhor doenças, criando-se mercados para curas. O ciclo doença-cura, conhecimento-ignorância, miséria-progresso, inferno-paraíso tende a se perpetuar e a girar cada vez mais rápido, dificultando qualquer tentativa de escapatória. Será que não vale a pena pularmos fora deste ciclo?
Ainda há muitas coisas do que se contentar. Que tal fazer um lista diária das coisas boas que acontecem? Dê um ''bom-dia!'' animado, perceber, que apesar do barulho, tem passarinho cantando, sujar a mão com terra, criar um prato diferente, sorrir para gente diferente. Ninguém precisa usar óculos cor de rosa, ser louco, alternativo ou pertencer a alguma tribo. Está dentro de cada um a possibilidade de descobrir e repartir seu paraíso na Terra.

DANIEL STEIDLE (educador ambiental) - Rolândia

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