CARTAS
Combustíveis
Começam a surgir os primeiros atos lógicos na perquirição das razões dos aumentos de combustíveis. Em reportagem veiculada pela Folha anteontem, afirma o diretor do Procon em Curitiba, Algaci Túlio, que os aumentos de combustíveis podem ter origem nas distribuidoras que vendem os combustíveis aos postos. A confrontação de dados contábeis coligidos pela Receita Estadual com dados da ANP, sobre movimentação de combustíveis, analisados por gente competente e não diretamente interessada nesse ou naquele resultado, pode auxiliar aos Procons e Ministério Público a encontrarem a raiz do problema, que como já dito por nós em outras ocasiões, não está só na ponta final da cadeia de venda (os postos), mas sim em outras etapas. Com uma investigação honesta, sem vaidades, mas em busca das razões reais, por certo se encontrarão as origens destes aumentos que têm ocorrido em descompasso com a economia. Parabéns ao lúcido diretor do Procon de Curitiba que soube entender o problema e está buscando em outro nicho as razões dos aumentos disparatados de combustíveis.
PAULO AFONSO MAGALHÃES NOLASCO (advogado) - Londrina
Lula e a aftosa
O comerciante, o industrial, o prestador de serviços, todos em uma só voz falam em crise, enquanto isso nosso augusto presidente Lula, ao discursar para um grupo de empresários paulistas, pede que estes se lembrem dele e da transformação que o seu governo deu na economia nacional. É muito confortável falar ao povo que o arroz baixou, o feijão baixou, que os produtos da cesta básica baixaram. Mas é desconfortável e precisa se ter coragem para dizer em voz alta, claro e bom som, às custas de quem? Quem é o responsável pelo pagamento dessa conta? O agricultor. O pobre e descapitalizado a caminho da falência. Para completar esse estado de pesadelo, a febre aftosa. A maldita febre aftosa que nós tanto lutamos para exterminá-la e abrir as portas do mercado externo ao ingresso da carne bovina. O presidente ironizou o fato e lá no primeiro mundo foi claro: não tem medo da aftosa. Tem medo sim é da gripe aviária. Será que a nossa autoridade maior tem alguma noção da gravidade do problema chamado aftosa? Será que falaram para ele o que representa um surto de aftosa? Será que desconhece o descaso como foi tratada a defesa sanitária animal pela falta de liberação de recursos, principalmente para as regiões de risco? Não. Acho que não. E acho que não é muito difícil raciocinar desta maneira, pois no maior escândalo da politicalha, conduzido pelo seu querido partido, ele não sabia de nada, ele ignorava tudo.
LUIZ CARLOS NAIME (pecuarista) - Capanema
Leitor de
Capanema critica
posição de Lula
OPINIÃO
Idéia louvável
É louvável a iniciativa do deputado estadual Neivo Beraldin, autor do projeto de lei que proíbe dinheiro de propaganda governamental nos meios de comunicação de propriedade de parlamentares. Além de interessante, é positiva a atitude do deputado. É uma luz no fim do túnel. Aguarda-se com expectativa a aprovação deste projeto pela Assembléia Legislativa.
MANOEL FAUSTINO DE CARVALHO (contabilista) - Londrina
Mulher e violência
Há mais de onze anos atuo como procurador do município na Secretaria Municipal da Mulher, no atendimento específico da mulher em situação de violência no Centro de Atendimento à Mulher (CAM). Neste período, a violência contra a mulher, por incrível que pareça, aumentou. Em 1999 a cada 4 minutos uma mulher era espancada. Hoje essa estatística mudou para índices alarmantes: a cada 15 segundos uma mulher é espancada. São dados mundiais. Não precisa ir longe não! Aqui em Londrina isso ocorre com frequência. O CAM atende casos horrosos, sendo que mais de 90% da violência é praticada dentro do lar, por quem fez juras de amor. Além de sofrer a violência doméstica, a mulher sofre com a violência institucional, uma vez que o Município, faz das tripas coração para dar conta do atendimento. No caso do atendimento jurídico, a situação é ainda mais grave, pois a competência é do estado e o município acaba fazendo o atendimento através do CAM ou dos diversos cursos de Direito. Além de tudo isso, a violência contra a mulher é um problema grave de saúde pública e não apenas uma situação cultural. Gasta-se milhões em tratamento com vítimas dessa barbárie. Urge que toda a cidade venha a combater esse mal. A educação de gênero dentro de casa pode ser o começo.
JOSÉ ROBERTO REALE (procurador do Município) - Londrina
Incentivo agrícola
Enquanto os bancos comemoram lucros gigantescos, os agricultores não conseguem nem mesmo saldar seus financiamentos principalmente quando ocorrem situações imprevistas que acarretam a perda ou a diminuição da produção agrícola. Como neste ano, quando os agricultores tiveram grandes perdas em decorrência da seca e também foram prejudicados quando plantaram com a cotação do dólar em alta e tiveram que vender a produção com a cotação em baixa. Quando a agricultura vai bem e existe lucro na produção agrícola, ocorre o aquecimento do comércio e da indústria. O agricultor acaba comprando novos implementos e equipamentos agrícolas, alguns compram carros novos, adquirem imóveis urbanos e rurais: com isso movimentam a economia gerando mais produção o mais empregos. O governo deveria reger a política agrícola abaixando os juros e estimulando mais o setor agrícola que é base do desenvolvimento do país.
TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina





