CARTAS
Interesse oculto
Nunca tive arma, não tenho e não terei. Mas se houvesse seriedade neste referendo, de tal forma que acontecesse um desarmamento total, seria o primeiro a entrar de cabeça na campanha do sim. No exato momento em que ficar proibido o comércio legal, as armas passarão a ser comercializadas a um preço maior no contrabando e, aí sim, qualquer pessoa poderá adquirir. A quem interessa esta situação? Aos que fabricam e comercializam armas, aos detentores do poder com profundo desejo de implantar uma ditadura, aos que estão a serviço de alguma multinacional desejosa de um monopólio e aos marginais de um modo geral.
GERSON ARAÚJO (pastor) - Londrina
Melhor Não
Me convenci de que o desarmamento não é a melhor escolha pois tem uma face de risco que não está estampada na violência civil das ruas, mas pode sim estar escondida nas intenções sórdidas e dissimuladas de alguns dos nossos líderes. A íntima relação de amizade e cordialidade que o nosso presidente mantém com ''líderes'' como Fidel Castro e Hugo Chavez (cujas histórias dispensam comentários) soam no mínimo estranhas. Não quero aqui questionar estatísticas de criminalidade. Quero apenas expressar minha opinião enquanto ainda posso, se a população brasileira for desarmada!
LUIZ FERNANDO BOGLINI CAVALIERI (médico) - Londrina
Desarmem os bandidos
Em um país onde impera a violência, o narcotráfico e o abuso dos governantes, sou a favor sim do desarmamento. Mas a favor de que desarmem os bandidos e traficantes que causam tanto medo à população e até mesmo à polícia. E a favor de que desarmem os políticos que, pouco a pouco, vêm roubando o resto da democracia que ainda existe. O referendo popular, da forma como está sendo feito, é a prova de que a democracia brasileira está ruindo. O governo é a favor do desarmamento, mas não esclarece as consequências do sim ou do não. E o pior: não esclarece qual será a sua atitude para combater a criminalidade. O governo está ''lavando as mãos'' diante da questão, fazendo com que a população arque com as consequências do resultado do referendo, sejam elas boas ou ruins.
ALICIA KELLER FELSKY (estudante) - Londrina
Efeito futuro
Estamos decidindo os direitos da nossa geração e das próximas numa manobra desesperada em nome da paz e segurança. Temos que lembrar que podemos exercer o direito de raciocinar sozinhos. Não estamos votando em pessoas e sim na extinção de um ''direito'' do cidadão comum. Mesmo que este direito seja tirado ainda sobram muitos outros que podem ser usados para o mal. Infelizmente, nenhum referendo tem o poder de tirar o direito de um indivíduo odiar o outro e planejar o mal ao próximo, querer roubar, matar, vender drogas e tudo mais que uma arma facilita fazer. Quem dera um dia o ser humano tenha o dom de querer o bem controlando o medo, a raiva e a ambição desmedida crendo que o crime não compensa e que o simples trabalhar é o suficiente para viver.
SERGIO FERNANDO SANTANA DE OLIVEIRA (músico) - Rolândia
Não mesmo
Não ao desarmamento de cidadãos trabalhadores, pagadores de impostos abusivos, com residência fixa, com certidão negativa no Fórum e na Receita Federal e defensores da liberdade. Não se consegue controlar o submundo do crime e desarmar os bandidos do Brasil, estes sim merecedores dos rigores da lei. Como faremos se as coisas seguirem como estão, continuando a aparecer os sem-casa, sem-carro, sem-roupa, sem-escrúpulo, sem-caráter, sem-moral e sem-piedade para se apossarem dos pertences dos cidadãos honestos?
ANTÔNIO DA COSTA FUNFAS NETO (médico legista) - Londrina
Interesses obscuros
Consideramos uma grande insensatez daqueles que defendem o desarmamento apostar que este instrumento de consulta será a salvação da vida. Como a maioria das entidades que represento, defendo o voto no 1, ou seja, no não. Como acreditar que num país que não tem uma política de segurança pública pode garantir a proteção dos seus cidadãos? Por que se gastar mais de R$ 600 milhões com este referendo? Por que não aproveitar as eleições do próximo ano e, então, acrescentar mais uma pergunta a todo o processo eleitoral? Enquanto não tivermos um país que dê aos seus habitantes melhores condições de saúde, de moradia, de educação, de transporte, de alimentação, de emprego, entre outros, não podemos aceitar mais uma falsa ideologia.
EDSON NEME RUIZ (presidente da Sociedade Rural do Paraná) - Londrina
Não-violência
Necessitamos, urgentemente, aproveitar este momento único da democracia brasileira para começar a discutir a cultura da não-violência, para que nossos filhos e netos possam usufruí-la daqui alguns anos. Precisamos, com brevidade, recuperar o profundo significado de valores como justiça, verdade, honestidade, ética, afetividade, solidariedade e compaixão. Porque eles são pilares fundamentais para a convivência humana. Como cidadã, escrevo este texto almejando que amamhã, no exercício da democracia por meio do referendo, comecemos a construir a luta pela cultura da não-violência; porque diferentemente das outras ela traz a perspectiva de paz e de segurança. Vamos votar a favor do desarmamento e da vida.
LYGIA PUPATTO (reitora da Universidade Estadual de Londrina) - Londrina





