CARTAS
Direito frustrado
Pobre homem do campo que vive de ilusões, de promessas vãs feitas pelo governo que ''governa tudo'', que se ''preocupa com tudo'', até com o respeitável caixa dois (aliás, ''recursos não-contabilizados'') mas que, por conveniência, não toma nenhuma providência e manda torrar esse dinheiro através da novela de maior audiência que já se teve notícias: ''O direito de roubar''. Governo que forma e arma o ladrão e tenta desarmar o infeliz homem que vive com medo e preso dentro de sua própria casa cercada de grades, cerca elétrica, cães, alarmes sofisticados, enquanto que lá fora o ladrão que devia estar enjaulado ri da nossa desgraça e passeia pelas ruas em busca da próxima vítima. Assim vive o homem direito e probo governado por viajantes que, ao invés de se preocupar em acabar com a bandidagem, tentam fazer com que nos entreguemos de vez à saga daqueles que eles mesmos criaram com o desemprego e falta de crescimento econômico. Na qualidade de produtor rural e morador do campo me sinto como algemado e atado a um pilar de concreto porque querem me tirar o direito de manter na minha casa uma arma para que possa me defender. Vamos votar com a coragem.
LUIZ CARLOS NAIME (empresário) - Capanema
Sim à vida
Que direito você tem de colocar a minha vida em risco? Como poderia sair às ruas sabendo que cada um à minha direita ou esquerda pode estar com uma arma na cintura a ponto de sacar e atirar por ter ''encarado-lhe'', ''piscado'' para sua namorada ou para ver o ''tombo'' como diz a bandidagem? Estaria eu mais tranquilo e seguro por ter um AR-15 ou um ''três-oitão'' na mão, caso me sentisse ameaçado ou ter sido assaltado na rua? Como poderia sair para boates, restaurantes, barzinhos ou ''rodinhas'' de amigos na esquina sabendo que, a todo o momento, pode estar passando pessoas ao meu lado com uma arma na cintura, a ponto de tropeçar em uma pedra e sair atirando para os lados por sua raiva? Se você é daqueles que dizem ''eu não vou ter uma arma em casa, mas quero que o bandido saiba que posso ter e matá-lo''. Pense melhor: se você mesmo não quer ter uma arma em sua casa, por que dar ao bandido esse direito? Pense melhor nas consequências de seus atos para todas as pessoas, inclusive você. Vamos deixar o Brasil igual a Colômbia, virando alvo dos bandidos? Votem sim, pela sua e pela minha vida!
HENRIQUE RONNE GRODISKI (administrador de empresas) - Londrina
Solução?
Domingo somos convidados a exercer nossa cidadania. A legalização do comércio de armas depende de nossa consciência coletiva e da tecla que a maioria irá apertar nesse dia. O problema não está em proibir ou não, mas em fiscalizar e oferecer condições de proteção ao cidadão que, aliás, paga por isso. Muito sagaz nosso ilustre governo que, para desviar a atenção de um ciclo infindável de mentiras, tenta convencer o cidadão de que ele é peça importante no desenvolvimento político e social, porque na verdade, não é essa a filosofia atual que por aqui impera, basta ver os noticiários. Por isso, preste atenção qual é a principal reivindicação que o Brasil espera que você demonstre, a verdadeira cidadania que parece ser tão utópica quanto o é a igualdade social e, principalmente, o que você espera obter com o seu voto. Afinal, o referendo é você que decide.
CRISTIANE SILVA CASCIOLA (estudante) - Londrina
Risco assumido
Domingo, o brasileiro será democraticamente obrigado a escolher, através do voto, uma entre as duas opções: sim ou não ao comércio de armas e munição. O assunto está sendo tratado como se arma de fogo fosse o único instrumento capaz de tirar a vida. Entretanto, sabemos historicamente que o primeiro assassinato da história (Caim matando Abel) não foi provocado por arma de fogo. Abraão, por obediência a Deus, quase assassinou seu filho Isaac, o que não seria feito por arma de fogo. César foi assassinado pelo seu filho Brutus por arma que não era de fogo. Cleópatra se suicidou, não sendo através de arma de fogo. Cristo não foi assassinado por arma de fogo. A execução de Tiradentes não foi por fuzilamento e os políticos corruptos brasileiros estão matando as nossas esperanças através de armas que não são de fogo. Se se fizer vitorioso o sim à proibição ao comércio de armas de fogo, os bandidos ''menos graduados'' continuarão a nos atacar com facas, pedaços de madeira, pedras ou barras de ferro. Portanto, prefiro continuar correndo o risco de ser morto a tiros.
JOÃO NELSI LUKENCZUK (médico) Londrina
Povo desarmado
Quando eu vejo um governo realizar gastos exorbitantes com a campanha do ''sim'' ou ''não', em que o ''sim'' é o resultado que somente lhe interessa, começo a imaginar que realmente o ''não'' na votação do referendo é tão importante quanto o dizer ''não'' à malversação do dinheiro público. Esses milhões de reais que estão sendo disponibilizados para essa campanha, são parcelas originárias das insaciáveis cobranças de tributos. Com tributos acumulados e cobrados e aceitos pacificamente pelo povo, não há do que temer o governo. As estatísticas revelam que a falta de educação, produção, alimentação, higiene e saúde são os fatores que mais matam neste país. E onde estão os investimentos nesses setores? Desarmar-se, na atual conjuntura, é o mesmo que jogar-se ao domínio da insegurança. Um povo desarmado, no mundo em que vivemos, é vulnerável à toda sorte de ataque, de violência e, por que não dizer, de escravidão.
WALDEMAR MICHIO DOY (advogado) - Londrina





