CARTAS
Por que não
Ainda estou na casa dos 40, mas a intensidade com que a vida tem passado por mim, me remete quase aos 100. Os Beatles, o movimento hippie, o AI-5, a ditadura, o exílio de Chico e Caetano, a morte de Herzog, os generais, os civis, as Diretas já, o impeachment, o PT, o movimento dos sem-terra, um barbudo no pátio de uma metalúrgica, um barbudo na Presidência, o Fome Zero, a cueca recheada, o mensalão, a mala de dinheiro e o desarmamento. Meu pai foi assassinado (à faca), um câncer levou minha mãe, bandidos levaram meus pertences e eu nunca pensei em matar ninguém, nem em comprar arma. A Globo nunca me convenceu de que é essencial ser bonito, nem a doar para o ''Criança Esperança'' (temos muitos carentes aqui perto), nem a comprar coletânea sertaneja e não vai me convencer a votar sim. Esqueça os artistas, os bandidos do Rio, os ''cuecudos'' do poder. A realidade que tentam nos impor não tem nada a ver com aquela em que vivemos. Sim, vote não.
MARILZA RIBEIRO LONGHI (bancária) - Ibiporã
Referendo
O povo desarmado será refém dos políticos, só restando render-se às suas vontades e falcatruas. Estamos perdendo a liberdade, algo pior pode estar se aproximando. As viagens a países socialistas e as constantes visitas de Hugo Chavez, Fidel Castro e outros iguais, estão sempre em evidência no governo atual. Simples coincidência este referendo e as constantes viagens e visitas destes senhores? Desarmados somos presa fácil à escória de políticos e bandidos. Por que não referendo dos pedágios? Da CPMF? Não sabemos quanto o governo arrecada, transparência zero e se as importâncias clientes/bancos/governo realmente conferem com o total arrecadado e repassado à sempre deficitária Previdência. O Brasil é campeão em impostos. Seria diferente se 50% ficassem no município, 30% no Estado e 20% com a União. O importante é que de perto acompanharíamos os 80% que foram arrecadados que seriam aplicados no município e no Estado, tirando a centralização do poder. As cidades investiriam em segurança, educação, obras e muitas coisas que dependem das esmolas dos senadores, dos deputados e da União. Tiraríamos suas importâncias na escala das autoridades. Houve referendo para gastar 600 milhões para nos tirar o direito de defesa? Sendo refe(m), rendo-(me)!
AUREO GARCIA LÉLLIS (empresário) - Londrina
Desinformação
Venho acompanhando nos últimos dias as cartas publicadas neste espaço sobre o referendo do desarmamento. O que se observa é muita desinformação. Muitos estão afirmando que o referendo é uma forma de o governo desviar a atenção do povo dos problemas políticos. Ocorre que o referendo foi aprovado pelo Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826 de 22/12/2003) e regulamentado pelo Decreto 5.123 de 1/7/2004, após amplas discussões no Congresso. Portanto, o referendo foi instituído muito antes do chamado escândalo do ''mensalão''. O brasileiro precisa se informar mais sobre o que ocorre no Congresso assistindo, por exemplo, as TVs Câmara e Senado e assim acompanhar melhor o que vem sendo votado pelos seus representantes.
JOSÉ EDMUNDO MOURA (bancário aposentado) - Ribeirão do Pinhal
Homenagem a Herzog
Excelente a matéria da Folha (16/10) sobre o jornalista Vladimir Herzog que foi assassinado em 25 de outubro de 1974 pelo regime militar no governo Geisel. Todo o dia passo na Avenida Presidente Castelo Branco, endereço do meu local de trabalho. Todo o dia vejo o busto de bronze na rotatória da Avenida Maringá que tem confluência com a via que homenageia o primeiro presidente da ''Revolução de 1964''. Está lá, de forma oponente e arrogante como se zombasse do passado e gritasse: estou vivo! O general tem razão, ainda que tentemos esquecer a ditadura ela estará sempre presente. Como cidadãos, também devemos nos fazer presente. Minha sugestão é que esqueçamos os revanchismos e a intolerância, caso contrário estaríamos nos igualando ao regime de força. Proponho, como símbolo da sociedade londrinense em franca expansão da democracia e de educação, que façamos uma consulta aos moradores e aos comerciantes da Avenida Castelo Branco para que aquela via seja denominada Avenida Jornalista Vladimir Herzog. E mais! Que o busto do general seja fundido e ali, no mesmo local, fosse colocado o busto de Herzog ou um monumento à liberdade e que o dia 25 de outubro fosse do dia municipal da liberdade de imprensa.
MAURÍCIO DA SILVA MARTINS DRUMMOND (advogado) - Londrina
Negros
Parabenizo o jornalista Francismar Lemes pela competente e educativa reportagem (capa do Caderno ''Folha Cidades'' de ontem) sobre um fato que a grande maioria desconhecia, inclusive eu. Estas injustiças, precisamente em relação aos negros devem e precisam ser trazidas ao conhecimento de todos para que a esperança de igualdade continue viva, embora agonizante. Aguardo as partes seguintes do trabalho jornalístico (''Quilombolas numa saga pela liberdade) com a certeza de que a excelência será a questão nuclear.
HERALDO FARIAS (jornalista) - Londrina
Correção
- Diferente do que informa o texto da chamada de capa ''Mensalão provoca renúncia de dois deputados'', da edição de ontem da Folha, José Borba (PMDB-PR) e Paulo Rocha (PT-PA) renunciaram aos mandatos para disputar a eleição em 2006.





