CARTAS
Desarmamento
Nunca tive nem quero uma arma de fogo em casa. Como defesa será inútil visto que os marginais não nos darão tempo para pegá-la. Mas tenho dúvidas quanto a eficácia da medida tomada pelo governo que irá desarmar apenas os cidadãos de bem, enquanto os bandidos adquirem armas por outros meios. No dia 17 de setembro perdi um sobrinho, Marcos Roberto Pereira, assassinado covardemente em pleno centro da cidade quando voltava do trabalho para casa. Foi abordado por ladrões que roubaram seu carro e lhe deram um tiro no peito, arrebentando seus pulmões e levando-o à morte. Tinha apenas 35 anos, era casado e pai de dois filhos pequenos. Os bandidos foram presos e, provavelmente, já estão soltos, pois os direitos humanos são para eles, não para a família, imersa no sofrimento. Será que desarmando a população trabalhadora iremos acabar com a violência?
MARIA HELENA GARCIA PEREIRA (aposentada) - Londrina
Intromissão
A violência que atinge a todos nada mais é que um problema social, pois os meninos que hoje estão roubando, matando ou morrendo são os mesmos que não foram assistidos quando necessitaram, tal e qual ocorre hoje. A bilionária indústria bélica mundial agradece a eliminação da concorrente nacional, não está sensibilizada com o desemprego dos nossos armeiros e continuará atendendo, via contrabando, a criminalidade. Se a alegação que o cidadão fornece arma ao bandido é verdadeira a solução será rápida e de baixo custo com a criação de academias de tiro para o ensino do manejo aos interessados nos estandes do Exército, da Polícia e dos clubes de tiro. Proibir o cidadão de armar-se é uma intromissão, um atentado à sua liberdade. A história conta que os principais tiranos da humanidade como Stalin, Mussolini, Fidel Castro, Franco, Hitler desarmaram a população e é sabido o que aconteceu.
CARLOS ROBERTO MIRANDA (aposentado) - Londrina
Contra o sim
Como cristã, cidadã, mãe, profissional e educadora pode até parecer contraditória a declaração pública contrária ao sim no referendo. No entanto, há que se pensar sobre essa ''democracia'' que historicamente vem manipulando a população, especialmente por meio da TV que chega em todos os lugares, inclusive nos bolsões de pobreza onde sobrevivem famílias à mercê de uma ''política solidária''. Um apelo: não ''comprem idéias'' e muito menos vendam as suas, mas busquem discernimento e graça na palavra de Deus para conversar a respeito desse assunto. Somos favoráveis à vida, conforme o próprio Jesus disse ''Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância'' e ainda: ''E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará''. Devemos ser livres para conversar a respeito, refletir, debater e, principalmente, orar e pedir discernimento ao Senhor.
MARIA INEZ BARBOZA MARQUES (assistente social) - Londrina
Exemplo ao mundo
O brasileiro convive com uma realidade desagradável, retratada diariamente em páginas de jornais e revistas e noticiários do rádio e da TV. Escândalos, falcatruas, corrupção, mensalão e mensalinhos, máfia do apito, subornos e até dólares na cueca tiram dos meios de comunicação o espaço para as boas notícias. Boa notícia como o exemplo gigantesco de cidadania e democracia que o Brasil dará ao mundo quando mais de 120 milhões de eleitores irão às urnas decidir sobre a proibição ou não da comercialização de armas e munição. Muitos dizem que o governo está nos transferindo a sua responsabilidade. Na verdade, está nos devolvendo o direito que adquirimos com a redemocratização do Brasil. Direito este que tanto cobramos e, enfim, poderemos usufruí-lo através da oportunidade de opinar, de ouvir os dois lados, de escolher, de votar, e de decidir.
VALDIR JOSÉ DA SILVA (radialista) - Ubiratã (PR)
Renda-se
Nossos governantes mais uma vez estão ludibriando a população. Qual é o verdadeiro propósito do referendo sobre o desarmamento? Lembro que na maior parte dos pronunciamentos, senão em todos, os representantes do povo deixam clara sua posição, incentivando e propagando que são favoráveis ao desarmamento e à proibição de venda de armas para a população ordeira. Um referendo que carrega um vício de berço, visto que a população deve votar e decidir por si esta medida. Sendo, assim, antiética e até ilegal a parcialidade daqueles que indagam a opinião e vontade dos eleitores sobre o tema. A história vivenciou caçadas e extermínio em diversos países, como Turquia, URSS, Alemanha, China, imediatamente após o desarmamento da população. Será que no Brasil, país que saiu recentemente de regime ditatorial, e que possui massa alienada culturalmente (quase por natureza), seria ilusório sugerir como uma possível resposta à questão acima a tentativa de transformar cidadãos em súditos?
JOÃO GABRIEL PEREZ CONSALTER (estudante) - Londrina
Ilusão
O estatuto do desarmamento é absolutamente ilusório, ineficaz e alienante. Por que não desarmam primeiro o bandido? Bandidos não compram arma legalizada em lojas. E muitas vezes usam armas de grosso calibre e de uso exclusivo do Exército. Caso a venda de armas e munição seja proibida, o Estado terá capacidade de proteger o cidadão de bem que não terá mais direito à legítima defesa com sua arma? Não! A história mostra, em dados irrefutáveis, que países que adotaram o desarmamento sofreram considerável aumento na violência.
ALEXANDRE GUIMARÃES MELATTI (estudante) - Londrina





