CARTAS
Referendo
Existe na cultura brasileira uma predisposição para combater a violência com mais violência. Isso fica evidente no momento em que ao sermos agredidos (física ou verbalmente) tentamos abafá-la ou interrompê-la com uma agressão maior ainda. No que diz respeito à violência urbana já foi provado que essa estratégia é desastrosa. Isso porque as pessoas são surpreendidas pelos agressores de tal forma que todo o treinamento não é suficiente para uma reação segura. Quem porta uma arma de fogo imagina que tem mais força do que realmente tem. Existe nesse caso uma falsa sensação de segurança e essa pessoa acaba tendo atitudes que não teria se não estivesse armada. Muitas armas legais portadas pelas pessoas de bem acabam migrando para as mãos de bandidos. Não acredito que as armas devam ser usadas para a autodefesa. Para isso o Estado deve ser forte e oferecer aos cidadãos a segurança pública. Acredito que nem o desarmamento e nem o armamento são determinantes para diminuição dos índices de criminalidade. O ideal é que um conjunto de medidas sejam adotadas, como por exemplo investimento em educação, em segurança pública, no emprego, etc. Também já existe a lei do porte de armas que é rigorosa e que trouxe bons resultados.
MARCELO ALVES PRIMO (policial militar) - Londrina
Desarmamento
Parece-me que o Congresso Nacional não tem mesmo nada de relevante para fazer. Conclamar o povo para uma consulta popular sobre se devemos ou não permitir a venda de armas e munições no país, consulta esta que custará à nação em torno de R$ 500 milhões, só pode ser brincadeira de muito mau gosto. Pudera, num país em que o presidente da Câmara dos Deputados faz um projeto de lei para homenagear o saci-pererê, o que mais poderíamos esperar? Imagine o ladrão sabendo que você não tem como se defender. Ele mesmo nem vai precisar estar armado para entrar em sua casa, bater em sua cara, estuprar sua família e tomar tudo o que é seu. Tudo leva a crer que os bandidos, assassinos, estupradores, ladrões, além dos políticos (com seus seguranças) serão os únicos que continuarão usando suas armas. Como disse Benjamin Franklin: ''Quando todas as armas forem do governo, este decidirá de quem serão também as outras propriedades.'' Vote não e não deixe que saibam que você é um desarmado.
REGINALDO BARROS DE CAMARGO (empresário rural) - Londrina
E a indenização?
Quanto ao referendo sobre o comércio de armas e munições, gostaria que fossem esclarecidas à população pelos coordenadores da campanha do desarmamento, algumas dúvidas para nosso melhor entendimento, caso ele seja aprovado por lei. Se eu perder o meu direito constitucional de possuir uma arma para legítima defesa pessoal e a de minha família, respondendo à altura, quando possível, à agressão e invasão de minha residência, o que então devo fazer? Ligar para a polícia? Ela terá condições de atender prontamente e com a eficiência necessária para evitar tragédias, mortes e barbáries que certamente ocorrerão dentro de nossos lares? Se ganhar o ''sim'', o Estado estará assumindo a responsabilidade total de proteger o cidadão. Em caso de omissão de socorro, caberia ação indenizatória para ''compensar'' as vidas e honras perdidas? Acho que deveríamos votar ''sim'' somente se o Estado assumisse legalmente o compromisso de pagar essas indenizações, sem contestações e num curto espaço de tempo pré-determinado. Senão, isso tudo é pura demagogia barata.
REGINA CHUBACI MACHADO (engenheira agrônoma) - Londrina
Só resta rezar
Precisamos ter cuidado para discutir o referendo sobre a proibição da venda de armas no Brasil. A lei atual dificulta muito a compra de uma arma, pois além de apresentar antecedentes criminais, é preciso fazer testes psicológicos. Será que o montante de dinheiro gasto com o referendo não seria melhor aplicado na compra de viaturas e contratação de mais policiais? Fiscalizar as fronteiras por onde entram fuzis e metralhadoras para os bandido? Tirar as crianças de rua dando educação, ensinado a ser um cidadão para não ser um bandido amanhã? Não seria melhor desarmar o espírito das pessoas proibindo filmes e cenas de violência que passam a qualquer hora do dia nos canais de televisão? Não seria melhor um referendo se o povo quer políticos corruptos no Executivo e Legislativo? Um referendo sobre os tribunais que dão sentenças duvidosas, como no caso dos pedágios onde somos roubados todas as vezes que passamos pelas praças? Será que deputados, empresários e artistas famosos vão entregar as armas e andar sem seguranças armados? Só resta ao povo rezar.
PAULO ROBERTO SANITÁ (vereador) - Tamboara
Polêmica
Não bastasse a polêmica sobre o referendo do desarmamento, que divide as opiniões até mesmo dos mais esclarecidos, ainda há dificuldade de se entender a escolha do voto. Tudo isso para tirar a atenção do povo humilde. Nada melhor para esquecer das CPIs com pizza o que já foi apaziguado com as fraudes dos juízes de futebol. Agora, a manipulação é o referendo das armas e eis a jogada? Se você é (não) contra as armas, vote ''sim''. Se você é (sim) pretende possuir armas, vote ''não''. Não seria mais prático, esclarecedor e resumir a intenção do voto com: revólver ''sim'' ou revólver ''não''?
OSMAEL CHIAVELLI PUGA (comerciante) - Apucarana





