Desarmamento

A proibição do comércio legal de armas e munições não fará recuar nem um milímetro a ousadia do crime organizado, não baixará a taxa de delinquência das ruas, nem mesmo trará o conforto de diminuir a sensação de insegurança que hoje atinge em graus variados a sociedade brasileira. No caso da proibição do comércio de armas e munições, a falsa sensação produzirá, no entanto, um efeito danoso: retirará do Estado a possibilidade de controle (ainda que frágil) e dificultará ainda mais a investigação de crimes praticados com esse recurso. Proibida a comercialização, o Estado não terá mais instrumentos para o controle da circulação dessas armas. Dessa forma, a sensação de insegurança persistirá ainda mais, pois é óbvio que o mercado inteiro de armas de fogo e munições (inclusive as legalizadas) irá para a clandestinidade. Para se ter uma idéia, algumas ações da Polícia Militar em alguns grandes centros comerciais em pesquisas realizadas mapearam as rotas utilizadas pelo tráfico de armas e munições, e confirmam a existência em circulação no Brasil de mais de 20 milhões de armamentos sem registros, em contraposição a 2 milhões de armas registradas. É uma absurda ingenuidade imaginar que, diante da proibição do comércio legal, ninguém mais comprará ou deixará de portar armas. O mercado não vai acabar simplesmente por que o Estado proibiu a comercialização de armas. Pelo contrário, irá ocasionar outro problema maior ainda, pois exemplos e experiências anteriores de proibições comerciais mundo afora contribuiu para fazer crescer o mercado clandestino e o contrabando de armas e munições.

RENILDO VICENTE QUEIROZ (consultor técnico em biotecnologia) - Ibiporã


Comércio de armas

Ao ler a pergunta ''você é a favor da comercialização de armas e munição no Brasil?'' muitos brasileiros podem entender que com a aprovação vamos encontrar barracas no meio da rua oferecendo pistolas, fuzis e metralhadoras com simpáticos vendedores gritando: ''Olha aí freguesia compre uma metralhadora e leve grátis uma 765! É só hoje, 'vamô' aproveitá''. A pergunta deveria ser como regulamentar o comércio e o uso das armas no Brasil. A propriedade e o porte de armas ilegais devem sim ser considerados crimes inafiançáveis. Vamos criar um sistema idêntico ao dos automóveis com certificado de propriedade e avaliação psicológica e prática para os interessados. Renovação periódica e obrigatória dos dois documentos com cobrança de taxas para manutenção dos serviços e até mesmo como verba de aplicação direta para aparelharmos melhor nossa força policial.

PAULO ACQUAROLE (produtor rural) - Londrina


Sem pizza

Quem disse que tudo vai terminar em pizza? Severino Cavalcanti (PP-PE) renunciou ao mandato de deputado federal e ao cargo de presidente da Câmara devido ao suposto envolvimento com o ''mensalinho'' e o deputado Roberto Jefferon (PTB-RJ) foi cassado. O presidente Lula, incomodado com a conturbação política, mudou o discurso inúmeras vezes: de ''vítima das elites'' a um presidente que ''deseja ver todos os culpados punidos''. Se tudo fosse terminar em pizza, penso que nada disso teria acontecido. Aliás, nem saberíamos de mensalão e mensalinho. É evidente que nenhum político será preso, entretanto, creio que esse momento servirá para a população pensar duas vezes antes de votar em um candidato.

AMANDA SOARES DE BRITO (estudante) - Londrina


Máfia do apito

Em 1997, mandei carta para uma revista de renome nacional dizendo que estavam querendo e iriam conseguir acabar com o nosso futebol devido à virada de mesa para o Fluminense. Dizia que se nós não nos uníssemos contra isso, o fim estaria muito próximo. Logo depois, veio a cartolagem e o Brasil passou pela vergonhosa CPI do Futebol. Digo que é vergonhosa porque somos pentacampeões mundiais e não precisávamos passar por isso se tivesse ética no futebol. Agora, mais uma falcatrua vergonhosa. Para que o futebol seja ainda uma cultura respeitável e admirada por multidões, tem que acabar com os feijões podres que denigrem a imagem da grande maioria das pessoas sérias.

SÉRGIO ADRIANO GUISLÉRI (vendedor) - Londrina


Blitz educativa

Venho demonstrar minha solidariedade à leitora que dias atrás denunciou a falta de bom senso demonstrada pelos policiais militares que a abordaram numa blitz no dia 16. Fui tomado pela mesma revolta ao ser abordado por policiais que, embora preparados para aplicar multas, se mostraram despreparados para orientar os motoristas que por ali passavam, coisa que, embora seja difícil acreditar, deveria ser seu verdadeiro papel. A forma de abordagem é sempre no sentido de tentar encontrar alguma irregularidade, nem que para isso tenham que inventá-la, como bem acusou a leitora. A abordagem da Polícia Militar é extremamente legalista e burocrática, e nada educativa/preventiva, como ocorre em países como Estados Unidos e Grã-Bretanha. Todas as vezes que fui abordado em blitze, observei que os PMs ignoram o motorista e aplicam a lei (o Código de Trânsito) na sua forma mais burra, sem levar em conta as condições que se apresentam, jogando o bom senso na latrina. A Polícia de Militar do Paraná é uma instituição que merece respeito, mas algo precisa ser feito pelos comandos locais no sentido de orientar os policiais a agirem de forma preventiva e educativa, deixando de lado esta abominável ânsia de arrecadação.

RAFAEL GOMIERO PITTA (estudante) - Londrina

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