CARTAS
Direito de matar
Defender a venda de armas de fogo e munições no Brasil é defender o direito de matar. Direito esse inexistente na Constituição. Quem defende a venda de armas de fogo e munições, aceita passivamente os crimes de trânsito em que um cidadão honesto saca uma arma e mata outro ser humano num momento de fúria. O armamentista assina embaixo dos crimes passionais em que um, até então, pacífico cônjuge tira a vida do outro por ciúme. O armamentista chama de fatalidade inevitável a morte da criança que perdeu a sua promissora vida brincando com a pistola do pai. Enfim, o armamentista joga no lixo tudo que Cristo disse e se dá o direito de matar outro ser humano que invade seu território. Defender a comercialização de armas de fogo e munições no Brasil é decretar a falência do sistema público de segurança e voltar à era da barbárie, em que tudo era resolvido na bala. Reflitam sobre isso e votem pela proibição no dia 23 de outubro.
ANDRÉ REINALDO ACORSI
(jornalista) - Londrina
Caixa único
Esse negócio de que o caixa único vai prejudicar a Previdência Social é uma falácia. Não podemos falar em Seguridade Social, financiamento de aposentadorias, sem nos reportar ao passado, quando o Caixa da Previdência era superavitário. Existiam muitas pessoas contribuindo e poucas aposentadas, hoje ao contrário, por isso o déficit é patente. Quando havia sobra de caixa na previdência, que deveria ser capitalizado, e não foi, os governos utilizaram para fazer obras de infra-estrutura no País, ficando, portanto, a Nação responsável pelo pagamento das aposentadorias. Assim sendo, o caixa único já existe há muito tempo, e somente o Tesouro Nacional poderá arcar com essa responsabilidade, aportando recursos para manter o bem estar social dos aposentados. Logo, arrecadar é preciso, porém com racionalização e baixo custo operacional. Nesse caso, a Medida Provisória 258, que estabeleceu a fusão do fisco federal é necessária e bem vinda, pois irá diminuir o custo Brasil e ajudar na simplificação do sistema tributário.
ANTONIO PEREIRA (contador) - Londrina
Não à exportação
Exportar virou um ótimo negócio para o governo e um péssimo negócio para a população brasileira. O governo incentiva a exportação a qualquer custo, vem batendo sucessivos recordes e se vangloria do superávit conseguido, que chegou a quase 30 bilhões de dólares até agosto deste ano. Aparentemente tudo muito bonito, mas resta saber quem são os beneficiados. O governo lucra fábulas de dinheiro, juntamente com os megaempresários e as multinacionais camufladas de nacionais, enche seus cofres e praticamente nada repassa à população em forma de benefícios, cada vez mais escassos, tornando-a cada dia mais pobre e carente de assistência. Ao povo cabe consumir as sobras da exportação, geralmente de péssima qualidade, a altos preços, os mesmos pagos pelos compradores internacionais, infinitamente mais ricos que nós. Esse absurdo é o resultado de uma política de exportação muito mal administrada, que visa somente lucro ao governo, sem nenhuma sensibilidade a nossa realidade social. A cada gripe do frango ou doença da vaca louca em outros países,
quem paga o pato é o povo brasileiro com as abusivas altas de preços de produtos produzidos em nosso próprio país. Devemos ficar atentos e exigir que o governo adote uma melhor política de exportação, priorizando o mercado interno e estabelecendo tabela de preços para produtos da cesta básica, que autorize somente a exportação do excedente do mercado interno. Que a produção brasileira mate primeiro a fome da nossa população e só depois disso, o governo autorize exportar nossas sobras a quem quiser comprar.
REGINA CHUBACI MACHADO
(engenheira agrônoma) - Londrina
Sigilo quebrado
A quebra do sigilo bancário do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), e do diretório municipal (PT) expõe mais uma vez que o único e verdadeiro projeto do Governo Lula era sua perpetuação no poder com todas as suas ramificações. Pouquíssimos intelectuais fizeram essa leitura anteriormente aos fatos hoje notoriamente conhecidos. Para a maioria, a máscara caiu. Porém, o mais atentos sabiam que não se tratava de uma máscara, e sim de um fino véu.
ROBERTO TEIXEIRA
(empresário) - Londrina





