CARTAS
Quer ser padre?
Todos os dias cumpro minha rotina: saio de casa, pego o ônibus e chego ao trabalho. Cada parada do ônibus aproveito para olhar os outdoors espalhados pelas ruas, olhando as novidades comerciais e os eventos da cidade. Dias atrás, um me impressionou. Dizia: ''Quer ser padre? Telefone: 3328-7923''. Essa é realmente uma propaganda diferente, não por interesse comercial, não para divulgar um evento, mas para questionar alguém a respeito da própria vida. Parece que a Igreja consegue, com mais de 2000 anos, acompanhar a modernidade. Fiquei assustada, mas surpresa e contente quando vi, debaixo do outdoor, um jovem olhando aquele número e discando o celular. O ônibus partiu, mas em mim ficou o desejo de que muitos jovens possam chamar aquele telefone.
MARIA APARECIDA DE SOUZA (auxiliar de secretária) - Londrina
Discriminação
Assistindo ao programa ''Fantástico'', da Rede Globo, fiquei comovida com a história de duas crianças indígenas que iriam ser sacrificadas em sua tribo por terem nascido com problemas de saúde. Sei que o homem ''branco'' também praticou o infanticídio no período medieval, entretanto, com o passar dos anos e com a evolução da espécie esta prática foi abolida. A evolução foi tamanha que hoje já existem leis nas quais todo cidadão possui direitos igualitários. Porém, o que vemos é que negros, analfabetos, pobres e tantos outros ainda são vistos como seres inferiores. Esta discriminação também não seria uma forma de aniquilação?
ANDRÉIA ROSA DA SILVA (estudante) - Bentópolis (PR)
Decência
Será que é possível fazer política com decência, com propagandas razoáveis, comedidas e custos mais baixos sem afrontar a mais elementar capacidade de raciocínio do povo brasileiro, que não é burro e sabe diferenciar o simples do exagero capaz de levar à formação de quadrilhas que usam o poder para disseminar a corrupção? Esse maldito caixa dois tem sido uma válvula de escape para o uso e malversação do dinheiro público. Chamado também, de sobra de campanha não-contabilizada, esconde nesse mar de lama, quadrilheiros que tripudiam e abusam da inteligência do povo, dilapidam os cofres públicos, e ainda querem posar de inocentes. A bem da verdade o mundo lá fora não poderia estar abrigando dinheiro de origem duvidosa, e sendo conivente com essas quadrilhas criminosas que saqueiam os bolsos de uma população faminta e sem direito a nada, pois lhes faltam tudo, saúde, educação, emprego, segurança, às vezes, o mais elementar, a comida para pôr à mesa e matar a fome. Que castigo mereciam esses traidores da pátria: a forca, o paredão, a guilhotina ou o desprezo do eleitor? Nas próximas eleições, certamente, o povo irá pensar em tudo isso.
ANTONIO PEREIRA (contador) - Londrina
Pedágio
Ao compararmos o pedágio praticado nos Estados Unidos e no Brasil verificaremos uma brutal diferença. Nos EUA o pedágio só é cobrado se houver rodovia alternativa que o conduza livremente ao mesmo destino: o cidadão tem o direito de escolha, de ir e vir por onde lhe convier. Em junho, estive nos EUA e viajei 3.000 milhas de carro (aproximadamente 4.800 quilômetros) por auto-estradas pelos estados da Califórnia, Nevada e Arizona (por excelentes estradas diga-se de passagem) e não paguei sequer um tostão de pedágio. O pedágio é um fator crucial para o desenvolvimento de um país como o Brasil, que tem o seu transporte sobre rodas. Cidades que têm boa infra-estrutura, como é o caso de Londrina, Cascavel e Maringá, mas que estão separadas de grandes centros consumidores ou portos, ficam estigmatizadas e acabam tendo poucos investimentos porque os empresários preferem investir em cidades que têm baixo custo de transporte das mercadorias produzidas. Por isso, temos que lutar para que o Estado assuma estas malhas rodoviárias em prol do progresso destas regiões, ou então que se construam estradas alternativas para que o cidadão possa ter a opção de ir e vir para onde desejar.
ANTONIO FIDELIS (advogado) - Londrina
Desarmamento
Com a aproximação do dia do referendo sobre a proibição do comércio de arma de fogo, acirram-se os debates sobre a efetividade do estatuto do desarmamento. Ao prever a obrigatoriedade da entrega das armas de fogo por parte do cidadão, o legislador tomou para si a responsabilidade de garantir a segurança da população e obrigatoriedade de aparelhar melhor os órgãos incumbidos de prevenir o crime para que todos se sintam seguros. É como se o Estado entrasse na casa de cada um e dissesse: ''Dê-me tua arma, que eu te protejo''. É preciso desarmar a população e, ao mesmo tempo, dotar os órgãos de prevenção de instrumentos hábeis para a proteção dos cidadãos. Só desarmar a população, sem garantir a sua segurança, é armar o lobo e desarmar o cordeiro. Não creio que uma lei como esta, aplicada isoladamente, irá sanar a violência que atinge a todos, pois, o que está se buscando, é tentar sanar o cancro eliminando seu efeito e jamais a sua causa, pois a arma de fogo não é e nunca foi a causa. Elimine-se, sim, sua verdadeira causa, que são a corrupção que permite o contrabando de armas e as vendas clandestinas delas a criminosos, os míseros salários e as indignas condições de trabalho daqueles que protegem a sociedade, e assim, ter-se-á a plena certeza e segurança de que, desarmando o cordeiro, não estaremos jamais armando o lobo.
PAULO BODNAR (assessor técnico) - Londrina





