CARTAS
A casa caiu
É, a casa caiu! E junto com a casa, rompeu-se a tubulação de esgoto, que espalha sujeira pra todo canto. O governo não pode alegar ignorância, o alerta ressoava por todo o país: acorda Lula! Mas o homem estava num sono profundo em berço esplêndido, talvez sonhando com as viagens pelo mundo em seu aviãozinho de 50 milhões de dólares ou quem sabe com a próxima festança na residência presidencial cheio de plumas e paetês. Que vida boa! Enquanto isso, o povão na miséria, passando fome e dando nó em pingo d'água pra sobreviver. Ora presidente, se o povão pudesse transformar em realidade tudo aquilo que está passando e sentido agora sobre o seu governo - sem a manipulação da imprensa e pesquisas de opinião que tentam blindá-lo a todo custo, o Bin Laden se transformaria num santo diante do fervo em que as coisas iriam acontecer. E chega dessa história de que não conhecia nada sobre o esquemão do Zé. Como que não sabia? Como um político profissional, tarimbado, conhecedor a fundo das regrinhas da política nacional desconhecia as práticas do seu braço direito? Seria o mesmo que acreditar na inocência do ex-collorido Roberto Jefferson que banca o bondoso, o ético, o defensor dos pobres e oprimidos mas na verdade é um Silvério delator.
ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO (engenheiro) Curitiba
Concursos
Vejo um enorme interesse pelos concursos públicos, alimentado pela idéia do emprego vitalício. Mas a vida de um servidor não é mais aquela. Com baixos salários, desestímulo e falta de carreira estruturada ele sofre como um trabalhador comum. Mesmo assim sua função precisa ser entendida como uma missão social. É bom se questionar antes de um concurso: tenho vocação pra ela? Outro desafio: passar nos concursos destinados a ''legalizar'' a situação funcional de quem já atua na máquina pública. É terrível. Conclui-se que um concurso assim será ''dirigido'' e que os mais inteligentes e dispostos não vencerão os apadrinhados. Ainda sairão no prejuízo pelo dinheiro investido no cursinho e na inscrição. O estilo Severino não emplaca mais. As empresas que preparam as provas deveriam expor seus métodos à luz do dia. Quanto às autoridades, fariam bem se criassem um conselho acima de qualquer suspeita para supervisionar os concursos e demonstrar que eles são honestos.
JOSÉ CARLOS OLIVEIRA (jornalista) - Londrina
Multas
Acreditar ou não na indústria da multa, eis a questão? Os que não crêem nessa possibilidade, argumentam que o problema é a violência e a falta de educação do motorista londrinense que pára em cima da faixa, fura o farol, fala ao celular, entre outros atos imprudentes. Contudo, é importante salientar que a máquina de multar que questionamos não pode ser confundida com a educação no trânsito. A indústria da multa que tentamos combater é perniciosa, amoral e não conhece ética, pratica ações criminosas, sendo capaz de adicionar multas ao auto de apreensão mesmo após sua entrega e devida assinatura. É também aquela que multa o indivíduo por uso de celular, mesmo que o sujeito nunca tenha possuído tal aparelho, e em outra situação coloca a condutora e sua filha de colo para fora do carro em noite de chuva por picuinha, entre tantos outros absurdos. A Polícia Militar e a CMTU, responsáveis por autuações, nunca realizaram trabalho permanente nos lugares recordistas em acidentes de Londrina. Já passou da hora desses órgãos entenderem que o bolso e a paciência do cidadão tem limite.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina
Voto nulo
Desde que comecei a votar ouço políticos dizer que sempre temos que escolher um candidato, achar um nome para representar todos os cidadãos e que isso é exercer cidadania. Estamos sendo ludibriados há muito tempo. Essa libertinagem política que acompanhamos todos dias pela imprensa vem de há muito. Temos dado chance dos políticos se profissionalizar e fazer da devoção ao povo uma maneira de se locupletar. Eles têm feito mais para si do que para os cidadãos que os elegeram. Vamos escolher uma nova maneira de exercer a cidadania: votar em branco ou nulo. Acredito que vamos demonstrar o descontentamento e a insatisfação com o atual estado de coisas. Pode não ser a solução, mas vamos iniciar uma nova discussão a partir de outra opção com o banimento disso que aí está, sem a culpa de não estar exercendo cidadania plena. Se, no entanto, alguém que você confia plenamente pedir seu voto, diga sim, mas não se esqueça você pode se arrepender.
OSNILDO PIRES CARNEIRO (dentista) - Londrina
Soberania
Enquanto nossos parlamentares discutem casos assombrosos de corrupção, nos Estados Unidos corre nos corredores de seu Congresso um documento de nome ''International Indigenous Peoples Protection act of 1991''. Desde 1991, os americanos já estudam e põem em prática o que podemos chamar de ''assalto à soberania e a ocupação dissimulada da Amazônia acobertada pela proteção das reservas indígenas''. Trata-se de um projeto de fazer na Amazônia o que os EUA fizeram com o México em 1821, 1830, 1836, ao anexar os estados da Califórnia, Nevada e Utah e parte do Colorado, Novo México e Arizona. É claro que agora farão de forma diferente, mas a intenção é a mesma: a desnacionalização da Amazônia. É bom que os brasileiros tomem conhecimento disso agora visto que o assalto à soberania está em curso.
ANDERSON CARLOS SACHETIM GARCIA (bacharel em Direito) - Londrina





