Conselho

A Câmara Municipal de Londrina, através da vereadora Sandra Graça, abre para a comunidade uma oportunidade para se discutir a possibilidade da criação do Conselho Municipal de Comunicação. Acredito que o projeto de lei, protocolado pela vereadora, obrigando os veículos de comunicação a divulgar as verbas recebidas por eles de órgãos públicos, talvez, devesse ser revisto para a criação de tal Conselho, pois desta forma estar-se-ia ampliando a participação da comunidade no que concerne à questão das verbas públicas, além, é claro de oportunizar aos londrinenses acompanhar tudo que diz respeito à Comunicação oficial do Município. Há várias maneiras de se cobrar isenção dos veículos. Uma delas é ampliar o espaço de participação da comunidade nas esferas de decisão, por menor que seja esta esfera, pois o importante é a participação e, na medida em que há uma maior participação, há uma maior elaboração-reelaboração da realidade cotidiana.

LIDMAR JOSÉ ARAÚJO (presidente da Associação de Moradores do Jardim Shangri-lá B) - Londrina





Malandragem

Dias atrás, fui a uma banca e fiquei revoltado com a malandragem do rapaz que estava me atendeu. Comprei figurinhas e paguei R$ 12,50 com uma nota de dez reais, uma nota de um real e o restante em moeda para receber cinco reais de troco. O rapaz me entregou as figurinhas e, enquanto eu as contava, percebi que ele rapidamente colocou a nota de dez reais em seu bolo, e puxou uma nota de cinco reais para um local vazio. Ao acabar a contagem, fiquei aguardando o troco que não vinha. Ao pedir o meu troco, ele malandramente respondeu que dei uma nota de cinco para ele, que ele colocou no local vazio e se dirigiu a mim como malandro. Bati boca com ele e, por fim, ele me deu meus cinco reais. Foi uma tentativa sem sucesso a dele, porém nos sentimos ultrajados em uma situação como esta. Infelizmente, temos de conviver com uma enorme variedade de malandros, desde aqueles que querem afanar seus míseros cinco reais até os mais gananciosos que afanam milhões de toda uma comunidade.

CIRO XAVIER MARAGNO HEY (estudante) - Londrina




Mídia e cidadania

Em meados dos anos 80, Joãozinho Trinta cunhou uma frase que o tornaria mais célebre que todas as alegorias até então engendrara sua mente carnavalesca: - ''O povo gosta de luxo e riqueza, quem gosta de miséria é intelectual.'' O chiste ao meu ver, serviu por longo de tempo de mote aos barões da mídia para desencorajar qualquer projeto cultural popular mais sério. Apesar da tradição cultural do país ser proeminentemente oral, vicejam mitos que precisam ser desfeitos a todo custo: que o povo não gosta de ler, que o povo não aprecia cultura erudita. A bem da verdade, a mídia impressa nunca foi acessível ao povo por razões que todos conhecemos. Mesmo o povo estadunidense, tido como avesso à cultura letrada, lê cinco livros por ano em média. O leitor brasileiro lê dois livros por ano. O europeu está à frente com oito livros por habitante ao ano. Mas, quando tudo parecia perdido, um milagre acontece. Nos subterrâneos das infovias, nos bate-papos (chats) dos internautas, a nova geração parece descobrir o prazer de ler e escrever ao mesmo tempo. Pena que o vernáculo, não raras vezes, é esfolado vivo sem dó nem piedade. Nesse contexto, a Folha de Londrina é um dos raros jornais da grande imprensa brasileira que saiu à frente dos demais, ao democratizar o acesso em suas colunas. É um belo exemplo, que foi seguido pelas demais empresas jornalísticas. Impossível pensar um projeto de grande nação, sem homens livres, no expressar de suas idéias e opiniões. Ao par disso, um dos escopos fundamentais, previsto na Constituição Federal, em seu artigo 3º, é o resgate da cidadania, através de uma sociedade mais - livre, justa e solidária. Eduardo Couture - eminente jurista Uruguaio de meados do século XX, na obra ''Os dez mandamentos do advogado'', já proclamava: ''Sem liberdade não há justiça, e sem justiça, não há paz''.

DERMEVAL RIBEIRO VIANNA (advogado) Assis Chateaubriand

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