Igreja x política

Gostaria de reforçar a carta enviada para este Jornal e publicada no dia 16/8. Padres se envolveram de forma direta na eleição para prefeito, mas vale lembrar que pastores também. Sou evangélico e faço esta ressalva. Participei, convidado por um amigo, de um jantar, intitulado como jantar dos evangélicos em apoio a Nedson. Torna-se vergonhoso e triste ver como desrespeitam o nome de Deus. Que a Igreja aprenda, seja ela católica ou evangélica: a função da Igreja na política deve ser a de conscientizar o cristão, não induzi-lo a votar neste ou naquele candidato. Vale ressaltar também que não somente o prefeito Nedson se elegeu com apoio das igrejas, mas também existem outros políticos que usam o nome de Deus e respondem a processos. O nome de Deus é precioso e não deve ser usado de forma vergonhosa. Cristãos, acordem, não se deixem levar pela opinião de seus líderes religiosos, mas, sim, analisem o passado de cada candidato.

MICHEL MACHADO (analista financeiro) - Londrina


'Desculpem-me'

O pedido de desculpas do presidente Lula soa apenas como artifício político, um ato necessário diante das circunstâncias. Inconsistente, porém, diante da ampla reforma política e fiscal que se faz necessária. A banda podre da política se mostra, na medida em que as vísceras do PT se expõem. Pudemos ver quantos milhões se gastam nas campanhas, e o PT em particular rolou a dívida para os cofres públicos. Dinheiro que não se apresenta em vários segmentos essenciais. Mas não vou falar de tudo que nos falta, em questões de saneamento básico, saúde e segurança pública, ensino ou educação. Quero falar sim, das crianças que são as verdadeiras desasistidas. Se olharmos nos olhos das crianças abandonadas, desnutridas, agredidas, violentadas, vítimas de câncer, Aids e todo um violento processo de descaso, poderíamos de fato desculpar? ''A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo'' (Albert Schweitzer). O que poderá nos manter vivos, ainda é a esperança.

MÁRCIA REGINA RODRIGUES (cirurgiã dentista) - Londrina


Procura-se

Procura-se um político trabalhador e honesto. Encontra-se facilmente centenas deles que nada produzem e são desonestos. Muito difícil seria encontrar algum que fosse honesto e trabalhador ao mesmo tempo. Entenda-se como honesto, o político que nunca tenha participado de conchavos políticos entre partidos em troca de cargos, que nunca contratou parentes, que nunca gastou a mais do que permite a lei em suas campanhas, que nunca permitiu caixa 2 em suas eleições e que nunca votou aumentos absurdos de seus salários. Trabalhador entenda-se como aquele que participa de todas as sessões, que apresente e vote o maior número de projetos que possa beneficiar o povo. Que não se omita de votar e que mostre sua cara em votações polêmicas, que votem com a consciência limpa em favor da população e nunca em favor de empresas, empresários ou bancos que corrompem grande parte de classe política levando o país ao caos social e à falência moral já instalada. Se alguém conhece algum, sem mácula, favor se manifestar, mas lembrem-se que o nome citado poderá ser contestado por outras pessoas que o conheçam.

REGINA CHUBACI MACHADO (engenheira agrônoma) - Londrina


STF e imprensa

Não há como não se assustar com o comportamento da imprensa. De repente, sinto-me como se vivesse o período da inquisição, pessoas são condenadas sem o mínimo direito de defesa. Mas o que mais me incomoda é a censura feita ao Supremo Tribunal Federal. Sabemos que a nossa Corte Suprema tem vários problemas, mas críticas injustas devem ser repelidas. É o caso de quando os ministros concordam em conceder o habeas corpus preventivo aos depoentes das CPIs. A imprensa logo levanta a bandeira: ''STF garante o direito de mentir de Marcos Valério'', ''Delúbio Soares não poderá ser preso''; é possível perceber até a decepção na fala dos apresentadores de telejornais. A imagem transmitida é de um Poder Judiciário complacente com a corrupção, quando na verdade, os ministros apenas estão defendendo os direitos e garantias fundamentais estabelecidos constitucionalmente. Não há motivos para repreender as decisões do STF. Todo cidadão quando está sendo investigado possui o direito de se defender, inclusive o direito de ficar calado. Não pode ser preso em flagrante pelo crime de falso testemunho, saída que nossos parlamentares tanto desejavam e que a imprensa também almejava.

BRUNO PONICH RUZON (estudante) - Londrina

Mercosul

Há alguns dias tive a oportunidade de participar da abertura de uma exposição coletiva de artes plásticas, na Casa de Cultura da UEL, com obras de artistas latino-americanos. Foi um momento interessante. O acesso privilegiado de trabalhos culturais dos nossos vizinhos, em eventos como este e no FILO e FML, fazem-me refletir bastante sobre os caminhos do Mercosul. Este bloco de cooperação e parceria não deveria ficar restrito ao campo comercial, visto que as experiências, boas e más, dos países quanto à saúde, educação e política poderiam ser debatidas e transportadas ao aspecto da reflexão e postas em prática para a construção de uma América Latina mais forte e integrada, de fato. Como músico, lamento que nossos intercâmbios sejam na maior parte das vezes mais fruto de vontade pessoal que estratégia de governos, pois temos culturas ricas e diversas.

CLODOVIL MORAIS (músico) - Londrina

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