CARTAS
Teremos que engolir?
Existem pessoas que têm alguns dons natos. Não foi o caso do metalúrgico Lula, hoje presidente Luiz Inácio. Este precisou especializar-se no ''discurso'' para pleitear o cargo. Foram 25 anos de aulas práticas, em que esta incomum figura passou a exercitar o dom da oratória. Poderia ter cultivado habilidades mais valiosas, que talvez pudessem ter sido adquiridas por cursos superiores de Economia, Administração de Empresas, Comércio Exterior, Direito, sei lá... (mas haveria tempo para ter feito todas elas). No entanto, hoje fica claro que ele ainda não sabe como governar o país, pois continua subindo nos palanques e se inflamando como um candidato a qualquer coisa. Há que se ter cuidado, porque quem nasce pela boca (pelo discurso) morre da mesma forma. Aqueles que o elegeram (povo) estão percebendo que a sua habilidade em discursar não nos serve mais. Sinto falta de um presidente sério, em cadeia nacional, diplomático, tratando o povo com a postura que lhe cabe, dando o devido respeito a denúncias tão sérias como as que estamos vendo. Apesar dos meus parcos conhecimentos de política e esporte, acho que o Zagallo disse a frase, que foi plagiada pelo presidente, imediatamente após ter sido o vencedor. Lula talvez tenha se esquecido que o ''campeonato'' mal começou.
MÁRCIA REGINA RODRIGUES (cirurgiã dentista) - Londrina
Desonesto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, devido à sua ressaltada idoneidade moral, deveria ter perguntado à sociedade se ela, maior interessada, acredita que algum empresário honesto invista centenas de milhares de dólares em uma campanha eleitoral apenas para fazer o bem ao povo. Deveria ter perguntado se algum cidadão acredita que um político eleito com o apoio empresarial seria digno de confiança e respeito ao assumir o cargo. Não acredito na burrice ou na ingenuidade de Lula, pois estas características teriam que ser atribuídas também aos 53 milhões de brasileiros que ''livremente'' o elegeram e isso não é possível. Credito a Lula outro adjetivo que melhor se adequa às suas qualidades: desonesto. Se não o fosse, teria, ainda em tempo, perguntado publicamente como um partido nascido da ideologia trabalhista consegue, em tão breve período, alcançar o vultoso volume de recursos financeiros suficientes para financiar quatro campanhas eleitorais para presidente da República?
ALVARO SPADIM GOLÇALVES (desempregado) - Santa Mariana
Ensino e OAB
O expressivo fracasso no teste da OAB representa uma tragédia educacional brasileira. A tragédia vem, sem exagero, do berço. O estudante brasileiro nunca foi bem alfabetizado e, por isso, nunca adquiriu o hábito da leitura. Nossas crianças não têm estímulo de leitura que necessitam nas escolas e são poucas aquelas que compreendem o que lêem e, como consequência, a grande maioria tem dificuldade de expressão. O que acontece no exame da OAB, portanto, não deveria espantar. O poder público, representado pelo Estado, é a o principal responsável por essa verdadeira tragédia educacional.
INÁCIO GOMES DA SILVA (estudante) - Londrina
Memorex
Estamos entrando na temporada de renúncias, já! O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já tomou a dianteira e o mais provável é que outros tantos sigam o exemplo. A renúncia (fuga) de mandato evita a cassação, mas os políticos não devem subestimar a memória do povo. E caso, realmente, haja falta de memória compremos uma caderneta que não nos deixe esquecer.
ETIENNE DUIM (estudante) - Londrina
Parlamentarismo
A colunista da Folha Ruth Bolognese estranha que eu defenda em meu site (www.sitioterravermelha.com.br) o parlamentarismo e o voto distrital. E eu estranho que uma jornalista que assina coluna trate tal assunto de maneira jocosa, demonstrando tanta alienação. Nem estaria aqui dando resposta a uma coluna de fofocas, se não fosse pela importância do assunto, para reafirmar que, sim, o parlamentarismo é solução para o tráfico de votos no Congresso, pois no parlamentarismo o primeiro-ministro é indicado pela maioria dos deputados eleitos, portanto já começa a governar com maioria. E, com a fidelidade partidária, não poderiam mudar de partido durante o mandato, mantendo pois a maioria do governo no Congresso. O voto distrital impedirá as famosas dobradinhas de candidatos a deputado federal com candidatos a prefeitos e a deputados estaduais, com o que um deputado pode ser eleito por mais de centena de municípios, à custa simplesmente de poder econômico e sem qualquer representatividade comunitária. O enxugamento do absurdo número de cargos de confiança, o fim da reeleição, o cumprimento integral de mandatos e a agilização da Justiça completarão as reformas de que o Brasil precisa para se desenvolver. Se a opinião pública, inclusive os jornalistas conscientes, souberem exigir, senão a atual crise redundará apenas em mais descrédito da política, abrindo caminho para salvadores da pátria embalados nas saudades da ditadura.
DOMINGOS PELLEGRINI JÚNIOR (jornalista) - Londrina
Correção
- O número de agricultores beneficiados pelos treinamentos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/PR) soma 600 mil e não 120 mil, conforme foi divulgado no editorial do dia 3 de agosto e na Folha Rural de 30 de julho. Este número refere-se a todos os cursos ministrados de 1993 até agora.





