CARTAS
E agora José?
Vejo essa crise política com muita tristeza. O PT, que se proclamava lutar pelos ideais comuns, nos deu uma grande prova de que o poder transforma o homem. Ele agora não é mais aquele que todos pensávamos possuir o dom, inteligência e, mais do que tudo, a vontade, consumida em um homem (Lula), para atuar em prol das necessidades da população. Recorrendo ao grande Carlos Drummond de Andrade. ''E agora José?'' Poderemos ainda ter esperanças no próprio homem?
VIVASVAN CAMPOS E PRADO (estudande) - Curitiba
Maior abandonado
É da natureza do capitalismo o acúmulo de bens e a gana pelo lucro, bem como uma boa dose de indiferença à agonia alheia. Bem sabemos que é o exército dos excluídos que dá sólida sustentação ao sistema, pois está à ''disposição'' para substituir aqueles que exigem ou reclamam. Esses infelizes acabam gastando seus poucos recursos se preparando para o mercado de trabalho, gerando lucros fantásticos a diversas escolas de informática e cursos profissionalizantes. Porém, muitos ficam decepcionados ao descobrir que o ''canudo'' debaixo do braço não é suficiente para garantir o tão sonhado emprego. Esbarram no ''exige-se um ano ou mais de experiência comprovada em carteira''. E o Estado que tem o dever de fazer cumprir a Constituição em defesa dos cidadãos, como age? Ignora. Fazem leis e estatutos de proteção ao idoso e ao menor, mas deixam o pai e a mãe do adolescente expostos à crueldade do sistema. Por que, a exemplo dos incentivos que se dão às empresas privadas e a órgãos públicos para a contratação de menores aprendizes, não se faz o mesmo com os adultos?
REGINA DONIZETE CAMPOS (diarista) - Londrina
Terror
Sentimos as dores dos londrinos que há pouco sofreram com a força terrorista. Entretanto, esquecemos que no Iraque dezenas de pessoas inocentes morrem todos os dias vítimas de uma guerra que nem sempre pediram ou aceitaram, de uma guerra ''sem fim''. Mas para que ir tão longe, se no Rio de Janeiro o terror é constante e crescente? Até quando cidadãos terão de pagar pelos atos de terceiros?
ETIENNE DUIM (estudante) - Londrina
Ponto de ônibus
Segunda-feira, às 11h30, na Rua Jerusalém, em frente ao número 150, assisti uma cena inédita: uma equipe da CMTU estava executando uma grande obra da administração municipal colocando um pedaço de pau escrito ônibus. Seria isto um ponto de ônibus? Em nome dos moradores que residem nesta rua, na Gleba Palhano, convido o sr. prefeito e o sr. Alvaro Grotti, da CMTU, para ficarem ao lado deste ''pau'' (ponto de ônibus?) nos dias de chuva forte ou sol escaldante esperando o ônibus.
RUDIMAR NUNES (representante comercial) - Londrina
Aposentadoria
Tenho certeza que não existe pior burocracia, algo mais absoluto, desastroso e insuportável do que esse nosso INSS. Com esta premissa, dei início a essa carta denúncia na Folha de Londrina no dia 20/3. Na ocasião, não quis referir-me especificamente ao INSS de Londrina, mas sim, à maioria das agências do País. Foi um grande equívoco da minha parte, não ter mencionado claramente, que se tratava do INSS de São Paulo, onde solicitei o meu desejado direito, cujo benefício recebeu o nº 132.079.850-8 no dia 31/3/4. Fica aqui, portanto, as minhas mais sinceras e honestas desculpas, caso tenha ferido o INSS de Londrina e os seus responsáveis. Após esta carta-denúncia, um dos responsáveis pelo INSS em Londrina, muito solícito, entrou em contato comigo e pediu que eu fizesse a transferência do benefício para cá. Perdi três dias para isso e cada dia eram 6 horas na fila. Espero que com a transferência, meu caso seja em breve solucionado. Mas fica a ressalva: é preciso urgente melhora, principalmente, na cidade de São Caetano do Sul onde dei entrada no meu benefício.
JOÃO CALDEIRÃO (comerciante) - Sertanópolis
Camelôs
Foi com grande estranheza que li o editorial da Folha de Londrina da última segunda-feira, que tem como tema a fiscalização realizada pela CMTU para coibir a atuação dos camelôs na área central da Cidade. Esse tipo de operação é, há muito tempo, uma reclamação legítima dos comerciantes estabelecidos no Centro, reiterada pela Acil dezenas de vezes. As leis existem e devem ser respeitadas, sob o risco de, ao fecharmos os olhos, darmos lugar ao descontrole que caminha rápido, mas silenciosamente. Com os camelôs é exatamente assim. Lutou-se, num passado recente, para o fim dos camelódromos das avenidas Leste-Oeste e São Paulo. Criou-se o Shopping Popular. Agora, os camelôs voltam ao Centro, em número visivelmente crescente. E repetem a prática de acomodar suas coisas sempre em frente às lojas de maior movimento. Ou seja, a informalidade divide com a empresa formal tudo aquilo que a segunda conseguiu construir arcando com seus custos e tributos. A Acil é e sempre foi favorável à formalidade e, por isso, contrário à forma livre e desimpedida como os camelôs pretendem atuar em Londrina. E o argumento de que a falta de emprego os empurra para a atividade deve ser visto com reserva. Afinal, nada pode justificar que se descumpra leis. A CMTU tem coisas muito importantes a fazer, sim. E essa é uma delas.
JOSÉ AUGUSTO RAPCHAM (presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina)





