CARTAS
Mar de lama
A cada dia que passa o cidadão brasileiro vê-se bombardeado por revelações assustadoras a respeito de corrupção, desvio e malversação do dinheiro público. É com profunda tristeza que vemos o Brasil firmar-se como o país da mentira, da hipocrisia, da fraude, do tráfico de influência, etc. Somos assaltados por um sentimento de indignação, vergonha, perplexidade e, o pior de todos, impotência diante do mar de lama em que se vê mergulhada a República. Em meio a essa avalanche de denúncias, é divulgada a lista dos cem maiores devedores da União em Londrina. E qual é a reação de um dos figurantes nessa lista, mergulhado até o pescoço nas denúncias de ''mensalão'', falcatruas de toda ordem, numa demonstração de escárnio e de deboche à população brasileira? Entrar com uma representação legal contra os Procuradores da Fazenda, pedindo o ''afastamento imediato dos incriminados de suas funções'', entre outras acusações. Dá para acreditar? Será que merecemos ser insultados ainda mais com tal atitude? As alegações trazidas à luz pelo representante legal do acusado confirmam que de fato o Brasil está de cabeça pra baixo, a República está com as vísceras expostas, exalando podridão e carniça, chafurdada numa cloaca a céu aberto. Que Deus tenha misericórdia dos homens e mulheres de bem deste país.
IRACEMA CARNEIRO (professora) - Londrina
Agricultor
Em resposta às cartas ''Agricultor chorão'', publicadas neste espaço, pelo visto alguns leitores entendem parcialmente do procedimento para o plantio, não tendo conhecimento dos custos de produção. Citam que não temos recursos próprios, mas como isso pode ser real se a cada ano o custo aumenta absurdamente e o preço que vendemos o nosso produto não acompanha este aumento? O dinheiro que entra é apenas uma vez ao ano e que mal dá para mantermos ativos na propriedade. Há dois anos enfrentamos problemas climáticos e fatores internos. O custo de produção e o produto que vendemos não tem o preço estipulado por nós. Não conhecemos agricultor que vive apenas da lavoura, que tenha como bens como uma ''caminhonete cabine dupla importada'' ou que em cada safra compra um sítio ou uma fazenda, quando a maioria dos agricultores não tem uma casa confortável para morar. O dinheiro que o governo investe na agricultura é do lucro do setor agrícola, pois em alguns anos o saldo da balança comercial tem alcançado bons índices. Somos nós que geramos isso, por causa das exportações. Não somos ''uma classe'' que desvia dinheiro público. Temos alguns subsídios sim, se não tivermos ao menos juros subsidiados como poderemos produzir alimentos à nação? Fica aqui um convite aos leitores para visitar minha propriedade e ver a atual realidade que se encontra o agricultor.
PAULO SÉRGIO MACIEL (agricultor e presidente da comissão agricultores de Ivaiporã e região) - Ivaiporã
Déficit zero
O deputado federal Delfim Neto (PP-SP) apresenta proposta para ''salvar'' nossa economia com o sugestivo nome de ''déficit nominal zero'', a qual vem causando controvérsias no meio político e econômico. O próprio editorial da Folha (12/7) aborda a questão, dando a entender que ela poderia ser válida, na medida em que buscaria o equilíbrio das contas públicas. Não vejo bem assim. Na forma apresentada, a proposta soa mais como um ''canto de sereia'' ou seja, é atraente na medida em que afirma buscar o equilíbrio das contas do governo. O problema é que propõe a diminuição dos gastos públicos, principalmente, pelo corte nas despesas orçamentárias nas áreas de investimentos e infra-estrutura, bem como nas verbas da saúde e educação. Não se chega, portanto, a cogitar o corte nas despesas via redução gradual dos juros. Pelo contrário, o que sobraria da economia com investimentos, saúde, educação, etc., iria para o pagamento dos ''malditos'' juros. Ora, mais uma vez os beneficiários seriam os banqueiros e investidores estrangeiros, credores do governo (do povo, diga-se de passagem), à custa dos já minguados recursos para as áreas sociais. Na forma apresentada, a diminuição dos gastos com juros (mais de 140 bilhões anuais) viria a médio prazo, como consequência de tal equilíbrio, sem nenhum risco aos especuladores financeiros, enquanto que a população sofreria ainda mais, em decorrência dos cortes na área social.
LUIZ ANTONIO BOREGAS (auditor fiscal da Receita Estadual) - Paranavaí
Galvão Bueno
Por não conhecer a pessoa Galvão Bueno é que me sinto no direito de dizer o que penso. Na última quinta-feira, li artigo do jornalista Walmor Macarini que me chamou a atenção. Acredito que apesar de ser uma pessoa da mídia, Galvão Bueno é também um cidadão, assim como todos nós, que tem seus direitos e deveres, que com certeza os cumpre. Se é consumista, como afirma-se em outra matéria, alguém tem algo a ver com isso? Como disse o jormalista, o que ganha é pelo proprio mérito, com um trabalho decente e respeitável. Ao que me parece Galvão Bueno não anda com malas de dinheiro que ''arrecadou em doações de igreja'' ou se envolveu em algum escândalo como o mensalão. Em vez de criticar quem faz o bem e faz bem feito, por que não põem na cadeia estes miseráveis nos fazem de palhaços?
MARIA CRISTINA PALOCO (estudante) - Curiúva





