CARTAS
E agora, José?
Década de 60, o regime militar endurece: há um golpe militar dentro do golpe, é editado o Ato Institucional 5, as liberdades são suprimidas, políticos contrários ao regime são cassados, artistas censurados, intervenções em sindicatos. A reação é imediata: estudantes saem às ruas, entidades de esquerda se armam, jovens partem para a luta armada. Dois jovens se destacam na UNE: Vladimir Palmeira e José Dirceu. Na década seguinte, o PCdo B aposta na guerrilha e manda seus melhores quadros para lutar no Araguaia, lá um nome brilha: José Genoino. A luta é desigual, a ditadura vence: prende, arrebenta e mata. Os que conseguem sobreviver têm que sair do País ou mudar de identidade. O tempo passa. Resistência ao Regime continua no velho MDB. E quase no fim da ditadura em 1979 vem a anistia. Começa a redemocratização e os personagens da resistência criam o PT e voltam a participar da vida política. Só que desta vez pelo voto. Se elegem deputados e sempre lutando pela moralidade, pela ética conseguem o projeto maior eleger Lula presidente. Como contemporâneo deles, os considero ícones da esquerda, mas vejo estarrecido denúncias de que os combatentes de outrora agora no poder fazem coisas que sempre condenaram, que sempre combateram. Eles negam, mas as evidências estão se tornando claras. O cerco está se fechando e, como o poeta Drumond, pergunto: e agora, José?
ANTÔNIO JOSÉ SANTIAGO (presidente do diretório local do Partido Comunista Brasileiro) - Londrina
Corrupção x PT
É admirável toda essa corrupção que envolve o PT, que prega à população o propósito da ''honestidade'' e o ''bem-estar do trabalhador''. Estamos presenciando atitudes reprováveis e inadmissíveis por parte de membros desta sigla partidária, que a cada dia que passa mais indícios e provas de corrupção são colhidos. O que mais me deixa indignado é o fato do presidente da República desconhecer todas elas e ainda pregar que irá combater os malfeitores do dinheiro público. Honestamente, merecemos respeito. Trabalhamos e nos esforçamos para conseguir um mínimo de dignidade, enquanto que deputados e outras autoridades do governo utilizam de sua posição social, gastando o dinheiro público para usufruir de mordomias. Cadê o presidente? Será que ele não sabia de nada que estava acontecendo no seu partido e no seu governo? Será que é possivel governar um país desconhecendo o que se passa nele? Será que o povo mais uma vez vai ter que pagar pelo mensalão?
MARCIO ZUBA DE OLIVA (advogado) - Londrina
Febeapá
A morte de Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto, em 1968 interrompeu a série de publicações do Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País). Não interrompeu, porém, a criação delas. Leio nesta Folha de 16/7, página 3 (Cidades) textualmente: ''A CMTU vai realizar ações nas áreas centrais da cidade com o objetivo de informar a situação de irregularidade de ambulantes que comercializam produtos em áreas públicas''. Ora, na primeira administração de Nedson foi gasto dinheiro público para locar os ambulantes e os artesãos em prédios e, apesar disso, há ambulantes vendendo artigos industrializados e pirateados por toda parte. Avisá-los de que estão irregulares e que na próxima semana poderão receber multa de R$ 150,00 e ter a mercadoria apreendida soa como se a polícia, diante de um assassínio, avisar o criminoso de que matar é crime e que se reincidir será preso. Ou se a Polícia Federal, ao descobrir um carregamento de cocaína, avisar o traficante de que desta vez é só um aviso. Na reincidência haverá prisão.
REINALDO MATHIAS FERREIRA (escritor e professor) - Londrina
CORREÇÃO
Por falha técnica, as fotos da aposentada Mariza Bruni Costa e da auxiliar de enfermagem Edna Gomes, publicadas na página 4 da Folha Economia, edição de ontem, foram trocadas.





