Podre poder

O chamado ''homem dos mil esquemas'' líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR), disse ao apontar o dedo para a cara de uma estrela petista, no Congresso: ''Vocês estão me deixando no sal, sozinho. Se eu for para o sacrifício, vou abrir o bico.'' Roberto Jefferson (PTB do Rio) em entrevista à TV Bandeirante disse que derruba José Dirceu a hora que quiser. Lula também disse ''quem mijou fora do penico, tchau e bênção'' no velho tom metalúrgico, mesmo sem citar nomes. Delúbio Soares e Silvio Pereira querem a renúncia de toda a Executiva do PT para que suas saídas não pareçam confissão. Dias após, renunciam. Confissão? E o povo? O povo não disse nada ainda, apesar do escândalo ser parecido, em proporções maiores, ao que envolveu o impeachment do ex-presidente Collor. Aliás, disse sim, fez um luto pela moralidade. Muito bonito, tudo mundo no seu pretinho básico, fica no mínimo elegante o dia. Mas não afetou os podres do poder.

WAGNER RIDÃO BATISTA (estudante) - Londrina


Violência

A violência em Londrina está extrapolando os limites da tolerância. Não existem mais lugares perigosos. Em qualquer rua, de qualquer bairro e região da cidade, estamos expostos à selvageria de ladrões das mais variadas espécies. Gente que anda armada e que está disposta a tudo e a qualquer consequência para atingir o seu objetivo. Roubam, batem, constrangem, ameaçam, ridicularizam, expõem a família às mais absurdas cenas onde não existem cidadãos, muito menos cidadania. A segurança, para a qual pagamos diariamente através de uma majorada carga tributária, é figurativa. Londrina vem assistindo às mais variadas cenas de violência ao cidadão que fica de mãos atadas enquanto os atores seguem adiante, imunes. O recente episódio acontecido com o jornalista Oswaldo Militão, numa tentativa de assalto regada a coronhadas, dentro da sua própria residência no centro de Londrina, é o estopim para evidenciar o quanto estamos expostos e à mercê daqueles que comandam a insegurança da cidade.

SYLVIO CARVALHO NETTO (superintendente do Catuaí Shopping) - Londrina


Moralização

Nunca se prendeu tanta gente por corrupção na história do Brasil. A Polícia Federal é hoje sem sombra de dúvidas a instituição com maior credibilidade no país. Seu braço longo alcança políticos, empreiteiros, empresários, advogados, juízes e até simples sacoleiros. Tudo isso aliado a uma nova geração de juízes e promotores. O país está mudando, com certeza. Mas os políticos decentes que restaram (e existem muitos) poderiam aproveitar esse momento e criar a CPI dos Sindicatos. Os trabalhadores iriam adorar. Investigar, por exemplo, como alguns dirigentes sindicais conseguem a alquimia de com um salário minguado terem aumentado tanto seus patrimônios. Ou como conseguem se perpetuar no poder por décadas. É claro que existem dirigentes sérios que não perderam a origem, que ainda se comportam como representantes dos trabalhadores. Esses não terão com o que se preocupar. Quanto aos gigolôs de trabalhadores, cadeia neles, pois são tão nocivos à sociedade quanto os deputados do mensalão.

ANTONIO JOSÉ SANTIAGO (presidente do diretório do Partido Comunista Brasileiro) - Londrina



Novo partido

Em outros tempos havia um acordo velado entre políticos e empresários: aqueles não perseguiam os empresários sonegadores, e estes não se importavam tanto com o caixa 2 necessário para as eleições. Segundo o deputado federal Ronaldo Caiado, o caixa 2 de eleições, de vereadores a presidente da República, envolveria algo em torno de R$ 44 bilhões. É claro que tal quantia só poderia sair dos cofres públicos, por isso é grande cinismo, tanto dos políticos como da população civil, o espanto com os escândalos aos quais assistimos. O problema é que a Polícia Federal prende os chefões da Schincariol, mas não prenderá a elite da classe política nacional. Os tentáculos do governo têm avançado demais porque o custo das eleições e das reeleições tem subido mais até mesmo que os impostos. Está na hora de surgir um partido político forte baseado em profissionais liberais (grandes pagadores de impostos), funcionários públicos e privados, empresários, agricultores, etc. Estou certo de que tal partido não vai ter rivais, pois seu objetivo será apenas o de segurar os abusos financeiros do custo eleição, impostos à população.

VIRGÍLIO TOMASETTI JÚNIOR (professor) - Londrina


Celulas-tronco

A lógica do jornalista André Reinaldo Acorsi de comparar o ser humano condenado à morte ao ''lixo reciclável'' é de causar assombro. A idéia de experimentação com o condenado à morte é velha. Por exemplo, quando Pasteur propôs a inoculação preventiva da raiva nos condenados à morte. Mas o mais interessante ainda é a resposta do imperador Pedro II. Ele observa, em primeiro lugar, o desconhecimento de Pasteur das normas e depois acrescenta que, o que Pasteur propõe acaba de transformar a execução em suicídio, e pergunta: ''Quem poderia consentir com um suicídio possível, se não provável?'' Como dirigir ao jornalista perguntas que implica o ser humano? tipo: ''Por que o humano representa um valor absoluto?'' Por que a dignidade está ligada à humanidade do ser e não a características contingentes e emergentes? Entendemos que estas questões são suficientemente sérias para serem enfraquecidas em comparações estéreis.

MÉRCIA EUGÊNIA DE ALENCAR PRETO (farmacêutica) - Londrina

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