CARTAS
Visão equivocada
O sr. Altemar Barreto em carta publicada ontem na Folha, critica o agricultor e o classifica como ''chorão''. Com certeza o nobre artista plástico desconhece a realidade da agricultura e a importância que essa atividade tem na economia brasileira. Nosso país é essencialmente agrícola, e é através dessa atividade que batemos recordes de exportações e superávit na balança comercial. O que o agricultor reivindica, ''chora'', é uma política agrícola séria e confiável para que possa planejar sua atividade. O produtor rural não faz reservas financeiras, pois, todo o seu lucro é investido na propriedade com a compra de máquinas agrícolas: colheitadeiras, plantadeiras e insumos. Prova disso, podemos constatar nos recordes de produção e aumento de produtividade por alqueire alcançados pelos produtores nos últimos anos. O Brasil anda na contramão em relação à maioria dos países desenvolvidos, que defendem a atividade agrícola com ''unhas e dentes'', subsidiando a atividade e impondo barreiras comerciais, justamente para proteger sua economia, ao contrário do Brasil. Garanto ao sr. Altemar que a grande maioria dos agricultores que participou do tratoraço em Brasília não anda de camionete importada e muito menos desvia dinheiro de financiamento agrícola, que é controlado e fiscalizado pelo Banco do Brasil através de notas fiscais de compra de insumos e peritos.
MARCO ANTONIO BORGES PREZUTTI (bacharel em Direito) - Cambé
Ignorância
O sr. Altemar Barreto, artista plástico de Londrina, demonstra enorme ignorância sobre os problemas do setor agropecuário brasileiro. Certamente tirou suas débeis conclusões apenas observando uma meia dúzia de produtores rurais que não sobrevive exclusivamente da agropecuária. Aconselho o artista plástico, para iluminar um pouco o seu poço de ignorância sobre a agricultura e seus problemas, que procure aí mesmo em Londrina, que é um centro de excelência de pesquisa agropecuária, alguém que possa informá-lo melhor sobre o que ocorre no setor. Uma sugestão que dou é o dr. Sérgio Dotto, da Embrapa-Soja. Procure também o Sindicato Rural de Londrina. Pelo amor de Deus, ilumine-se um pouco. Não viva na escuridão da burrice. Caro sr. Altemar, na próxima vez que vier despejar sua estupidez em um jornal, por favor, saiba sobre o que está falando. Eu, por exemplo, não poderia vir a este meio de comunicação e dizer que todo o artista plástico é uma droga somente porque as suas obras são um lixo.
MARCELO LUIZ ANIZELI FAVARÃO - presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa (PR)
Nada a ver
Acho que o sr. Altemar Barreto, autor da carta ''Agricultor chorão'', deveria expressar seus sentimentos trabalhando em obras de arte, que deve ser a sua praia e não em economia rural, assunto totalmente estranho para o artista-missivista. Se ele dominasse o assunto não iria falar tamanha besteira. Imagine eu, produtor rural, ''pé-vermeio, picão, oreia-seca'', discutindo o trabalho do artista-missivista-falador. Sr. Altemar, caso queira fazer críticas a algum trabalho, comece pelo seu. É mais apropriado para um artista.
MYLTON CASAROLI JUNIOR (agricultor) - Londrina
Héroi ou vilão?
A CPI chapa branca dos Correios é composta em sua grande maioria por gente que possivelmente será acusada e que deverá julgar o acusador. Tive o desprazer de ouvir numa emissora de rádio que era para os parlamentares da CPI maneirarem nos interrogatórios de membros do governo. Isso é uma vergonha. Entendo que mesmo diante da culpa, o deputado Roberto Jefferson pode virar um herói nacional devido à cultura brasileira. Lampeão virou herói. Um religioso que concordava com Lampião virou santo. Torturadores e guerrilheiros viraram deputados, senadores, ministros e até presidentes de partidos políticos. Invasores de terras e desvastadores de reservas ambientais viraram bênção de Deus no Paraná. Então, por que Roberto Jefferson não pode virar herói nacional?
NELSON CARLOS FERREIRA (aposentado) - Barbosa Ferraz
Universidades
Se faz necessário uma campanha ampla para que o Paraná seja contemplado com universidades federais. Temos somente a vetusta Universidade Federal do Paraná em Curitiba. O Rio Grande do Sul detentor de 12 universidades federais, agora obteve mais duas. As universidades estaduais de Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel poderiam passar a ser federais, sobrando numerário para pagar melhor os professores do ensino médio. Vamos levantar essa bandeira.
FLÁVIO ROPELATTO (professor) - Curitiba
CPI da pizza
A CPI dos Correios vai terminar em pizza ou alguém acredita em autoflagelação? Sempre foi assim. Por que será que há tanta briga para ficar com o poder de uma estatal? E isso não é só em Brasília não! Acontece nas esferas federal, estadual e municipal. Só difere na quantia, no quanto o ''leite'' sai do úbere. Isso vai virar um guerra de babuínos (onde um joga as fezes no outro) e não vai sobrar um sem ser lambuzado: todos participaram ou estão participando do esquema.
MÁRCIO DICESAR BENASSI (escritor) - Sertanópolis
Correção
- Na reportagem relacionada à Universidade Norte do Paraná (Unopar), publicada ontem na página 4 (Política), a instituição está contestanto a execução de dívida do ''ISS'' e não do ''INSS''.





